Não sei quem foi o gênio que inventou essa moda de transformar qualquer feriado em um descanso de quatro dias para os órgãos públicos. O que sei é que essa prática vem causando enormes prejuízos para a iniciativa privada, para os comerciantes e, principalmente, para o cidadão comum que precisa dos serviços públicos.
Quando repartições fecham as portas durante vários dias seguidos, uma enorme cadeia econômica é afetada. Empresas que dependem de documentos, licenças, certidões, autorizações e atendimentos presenciais simplesmente ficam paralisadas. Negócios deixam de ser fechados, contratos são adiados e investimentos são empurrados para frente.
No Acre, por exemplo, a situação se torna ainda mais evidente quando estruturas como a OCA suspendem suas atividades por vários dias. O local concentra dezenas de órgãos públicos justamente para facilitar a vida da população. Quando fecha, milhares de pessoas ficam sem conseguir resolver questões essenciais relacionadas a documentos, tributos, registros e outros serviços indispensáveis.
O argumento utilizado quase sempre é o mesmo: os servidores públicos precisam descansar. Evidentemente que todo trabalhador merece descanso. Isso não está em discussão. Mas é importante lembrar que já existem os finais de semana, os feriados previstos em lei e os períodos de férias. Além disso, a redução gradual de jornadas em vários setores vem proporcionando mais qualidade de vida aos trabalhadores.
O que causa estranheza é a facilidade com que se criam pontos facultativos que, na prática, se transformam em feriados extras. O resultado é uma máquina pública parada enquanto a iniciativa privada continua funcionando, pagando impostos, salários, contas e tentando manter a economia girando.
O pequeno comerciante não pode decretar ponto facultativo. O dono da padaria não fecha quatro dias sem sofrer prejuízo. O supermercado continua aberto. O caminhoneiro continua transportando mercadorias. O produtor rural continua trabalhando. O empresário continua pagando suas obrigações. Enquanto isso, muitos serviços públicos simplesmente desaparecem por vários dias.
É preciso encontrar equilíbrio. O Estado existe para servir a sociedade, e não para dificultar sua vida. Quanto mais tempo órgãos públicos permanecem fechados, maiores são as filas, os atrasos e os transtornos quando o atendimento retorna.
O Brasil enfrenta desafios enormes para crescer, gerar empregos e atrair investimentos. Nesse cenário, não faz sentido estimular paralisações prolongadas da máquina pública sempre que surge a oportunidade de emendar um feriado.
O país precisa produzir mais, atender melhor e funcionar com mais eficiência. Afinal, quem gera emprego, paga impostos e movimenta a economia não pode continuar sendo penalizado por decisões que beneficiam apenas uma parcela dos trabalhadores.
Descanso é importante. Mas o compromisso com o cidadão e com o desenvolvimento econômico também deveria ser.

