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Quem herdaria os votos de Gladson sem ele no páreo?

Por Everton Damasceno, ContilNet Fonte: Everton Damasceno, ContilNet 13/05/2026 às 17:08

Gladson Cameli é o diamante da temporada/Foto: Juan Diaz, ContilNet

Todo o jogo da disputa pelo Senado em 2026 pode mudar caso o ex-governador Gladson Cameli fique fora da corrida eleitoral por conta de sua condenação no STJ, que o tornaria inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Não se trata de um candidato qualquer, mas do nome mais bem avaliado nas intenções de voto em praticamente todas as pesquisas eleitorais divulgadas até aqui.

A defesa do ex-governador aposta na viabilidade de sua candidatura a partir de uma eventual intervenção do STF, enquanto a oposição acredita na irreversibilidade da decisão do STJ.

Novo nome pode surgir

O fato é que, nos bastidores, os demais pré-candidatos às duas vagas em disputa correm contra o tempo para consolidar seus espaços. No campo da direita, inclusive, já existe uma movimentação que pode colocar um novo nome na disputa. Dependendo do cenário, o deputado federal Coronel Ulysses pode desistir da tentativa de reeleição para disputar uma vaga no Senado. Ele não descarta essa possibilidade. Tudo ainda é incerto.

Gladson terá uma carta na manga?

O que ouvi de algumas lideranças próximas ao governador é que, na pior das hipóteses, ele poderá lançar um nome de sua confiança — seja alguém que ainda não se colocou como pré-candidato, seja um nome que já esteja na disputa. Opções não faltam.

Eduardo Velloso pode ganhar com isso

Quem pode ganhar — e muito — com esse cenário é o deputado federal Eduardo Velloso, que está engajado na disputa por uma das vagas ao Senado e tem demonstrado fidelidade a Gladson e Mailza desde o início, quase como quem deixa subentendido: “Estou aqui, viu?”.

Gladson consegue transferir votos a um sucessor?

Essa talvez seja a pergunta do ano. Considero que sim e não, mas somente as urnas poderão dar essa resposta com exatidão. Tudo dependerá da forma como esse apoio será dado — de maneira tímida ou totalmente engajada — e também do nome escolhido. Há muitas circunstâncias envolvidas.

Quem da direita herdaria os votos de Gladson?

Num eventual cenário sem Gladson, os demais candidatos ao Senado ligados à direita precisarão se desdobrar para conquistar esse eleitorado tão valioso. Márcio Bittar, aliado do ex-governador e segundo nome da aliança entre União Progressista e PL, larga em vantagem, especialmente por já contar com o apoio de Gladson.

Bittar tem uma pedra no meio do caminho

Se, por um lado, Bittar conta com o apoio de Gladson e um cenário favorável para tentar a reeleição, por outro, uma figura da mesma direita bolsonarista também pode atrair parte desses votos: a ex-deputada federal Mara Rocha, que, por sinal, mantém forte apelo em setores da direita, especialmente no agronegócio e entre empresários.

Jorge perde, mas há um detalhe importante

É inegável que uma parte considerável do eleitorado de Gladson vem da direita, especialmente da ala bolsonarista. Mas também existe uma fatia relevante de eleitores ligados ao centro e ao campo progressista, que rejeita a extrema direita e seus representantes, entre eles Bittar e Mara. Por isso, não seria surpresa se Jorge Viana acabasse absorvendo parte desses votos. Por isso ouso dizer: ele perde, mas nem tanto.

A disputa não será simples

E já não está sendo. Imagine em um cenário sem Gladson Cameli, que hoje ajuda a ditar os rumos da disputa. O diálogo com o eleitor precisará ser intensificado. Direita e esquerda talvez tenham de rever posicionamentos e até moderar alguns discursos.

O ex-governador, mesmo se estiver fora da disputa, ainda será um grande “diamante” desta temporada política.

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