Quem será o candidato do bolsonarismo no Acre? Mailza, Alan e Bocalom querem o posto

Enquanto Mailza aposta na força da máquina estadual, Alan Rick tenta se ancorar na relação com Flávio Bolsonaro e Bocalom reivindica ser o único nome “de direita de verdade”

Por Matheus Mello, ContilNet 24/05/2026 às 17:48

A disputa pelo espólio político do bolsonarismo no Acre começou antes mesmo da definição oficial das candidaturas ao governo em 2026. E, ao contrário do que tentam demonstrar os pré-candidatos da direita acreana, a conta não parece simples de fechar.

Hoje, ao menos três nomes tentam ocupar o mesmo espaço político: a governadora Mailza Assis (PP), o senador Alan Rick (Republicanos) e o ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom (PSDB). Os três buscam vincular suas imagens ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, apontado por aliados como possível candidato da direita à Presidência da República.

O problema é que, na prática, Bolsonaro dificilmente conseguirá sustentar três palanques simultaneamente no Acre.

Nos bastidores da direita acreana, a avaliação é de que a disputa pelo selo “verdadeiramente bolsonarista” virou peça central da pré-campanha. E quem elevou o tom primeiro foi Bocalom.

Na última semana, em entevista ao Em Cena, o ex-prefeito afirmou que é o único nome da direita local com trajetória ideológica ligada ao bolsonarismo antes da ascensão eleitoral do grupo.

Ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom/Foto: Juan Diaz/ContilNet

“Eu sou de direita de verdade e bolsonarista de verdade. Se você procurar nas redes sociais desses dois candidatos e nas redes sociais do Bocalom, você vai ver que a diferença é monstruosa”, declarou.

Bocalom também tentou estabelecer uma linha divisória entre ele e os adversários ao classificar Mailza e Alan Rick como políticos de centro.

“Tem gente que está sendo bolsonarista agora, mas nunca foi de direita”, afirmou.

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O ex-prefeito ainda associou sua experiência administrativa à narrativa conservadora que tenta consolidar. Citou cinco mandatos como prefeito, passagem pela iniciativa privada e afirmou que isso o diferencia dos demais concorrentes.

Já Alan Rick adota outra estratégia. O senador aposta na relação construída com Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional para sustentar que terá o apoio do grupo bolsonarista no Acre.

Senador Alan Rick/Foto: Reprodução

“O Flávio já é um amigo de longa data com quem nós caminhamos com os mesmos princípios e mesmos valores no Congresso”, disse. “O nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro estará conosco.”

Alan tenta apresentar uma conexão política mais institucional com o núcleo bolsonarista nacional, especialmente com o PL, partido que hoje concentra a principal estrutura da direita no país.

Do outro lado, Mailza evita entrar diretamente na disputa simbólica sobre quem seria “mais bolsonarista”. Em entrevista ao Em Cena, podcast do ContilNet, nesta semana, a governadora procurou deslocar o debate para a identidade regional e para a gestão.

Governadora durante entrevista ao Em Cena/Foto: ContilNet

“Eu sou a mais acriana”, respondeu, ao ser questionada sobre a disputa interna da direita.

Sem confrontar diretamente Alan ou Bocalom, Mailza argumentou que sua trajetória política já demonstraria seus posicionamentos ideológicos e administrativos.

“O meu comportamento na política, na gestão que tive como senadora, como vice-governadora, todo mundo pode ver, tem uma história para ser analisada”, afirmou.

A fala da governadora também revela uma tentativa de ampliar o discurso para além do eleitorado bolsonarista mais ideológico, mirando um campo mais amplo da direita acreana e setores conservadores moderados.

A antecipação dessa disputa expõe um cenário delicado para o grupo conservador no Acre. Embora os três compartilhem parte do mesmo eleitorado, nenhum deles demonstra disposição, neste momento, para abrir mão da candidatura.

No centro da disputa está justamente o capital político de Bolsonaro no estado, onde a direita mantém forte influência eleitoral desde 2018.

Resta saber quem, ao final, conseguirá transformar a proximidade com o bolsonarismo em apoio político efetivo nas urnas.

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