Rio Branco aparece entre os municípios brasileiros com as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a capital acreana ocupa a 9ª colocação no ranking nacional, com 81,7 registros para cada 100 mil habitantes.
A lista considera apenas cidades com população superior a 100 mil habitantes, critério adotado para reduzir distorções estatísticas provocadas por municípios menores.
O levantamento mostra que Rio Branco integra um grupo de dez municípios espalhados por seis estados brasileiros. À frente da capital acreana estão Boa Vista (RR), Ariquemes (RO), Sinop (MT), Porto Velho (RO), Abaetetuba (PA), Dourados (MS), Araucária (PR) e Itaituba (PA). Logo atrás aparece Macapá (AP), que fecha o ranking nacional.
Ainda no anuário, os pesquisadores enfatizaram que, entre os dez municípios com as maiores taxas, oito estão localizados na Amazônia Legal; além disso, o estudo aponta que regiões marcadas pela expansão de atividades extrativistas, garimpo, avanço da fronteira agrícola, grandes corredores de transporte e presença de populações indígenas compartilham características que ajudam a compreender o contexto em que a violência sexual ocorre, embora não expliquem, por si só, os índices registrados.
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O cenário da capital acompanha o desempenho do próprio estado. Em 2025, o Acre registrou a terceira maior taxa de estupro do país, com 96,6 casos por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Roraima (127,1) e Rondônia (97,1). Quando considerada apenas a população feminina, a taxa acreana sobe para 172,5 casos por 100 mil mulheres, a segunda maior do Brasil.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública ressalta, porém, que taxas elevadas de registros não significam necessariamente maior incidência da violência sexual. Segundo o próprio estudo, municípios como Rio Branco podem concentrar ocorrências por serem polos regionais de atendimento especializado e de recebimento de denúncias.
Além disso, o estupro é um crime com elevada subnotificação, e diferenças entre os estados e municípios também podem refletir o acesso das vítimas aos serviços de saúde, proteção e segurança pública, bem como a confiança nas instituições responsáveis pelo acolhimento e registro das ocorrências.
