O impacto das políticas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil atingiu em cheio a economia acreana. No primeiro semestre de 2026, o Acre registrou um recuo de 62,8% nas exportações para os Estados Unidos em comparação ao mesmo período de 2025 — a maior queda percentual entre todos os estados brasileiros.
Atualmente, a participação dos Estados Unidos no total das exportações estaduais do Acre é de 2,40%.
Os dados, levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontam que o aperto tarifário promovido por Washington desde o ano passado já atinge 20 das 27 unidades da Federação, mas teve na região Norte o seu efeito mais severo.
Panorama do impacto na Região Norte
Dos sete estados do Norte, seis viram suas vendas para o mercado norte-americano despencarem no primeiro semestre:
Alerta para a madeira e produtos locais
A situação tende a ficar ainda mais complexa com a entrada em vigor, agendada para 22 de julho de 2026, de uma nova sobretaxa de 25% anunciada pela Casa Branca (com base na Seção 301 do Trade Act de 1974).
Essa nova alíquota atinge diretamente cerca de 4 mil itens brasileiros. Para o Acre, o principal ponto de atenção está na cadeia da madeira e derivados (como molduras, estacas e portas), setor com forte apelo extrativista e industrial no estado.
O que ficou de fora?
Nem todos os produtos foram taxados. A lista de exceções dos EUA preserva commodities como café, açaí, carne bovina e mel orgânico — itens cruciais para outros segmentos do agronegócio nacional.
Resposta e socorro aos exportadores
Diante da retração e da perda de competitividade da indústria nacional, o governo federal acionou a Lei de Reciprocidade para avaliar retaliações proporcionais aos EUA.
Para conter os prejuízos em estados fortemente impactados como o Acre, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estuda medidas de alívio:
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Linhas de crédito facilitadas para empresas exportadoras do Norte e Nordeste.
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Ampliação do Plano Brasil Soberano para capital de giro.
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Redirecionamento comercial para acelerar a busca por novos mercados compradores na América Latina, Ásia e Europa.
Entenda o que é o ‘tarifaço’ e como ele funciona
O termo “tarifaço” é o nome popular dado à agressiva política de protecionismo econômico adotada pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em março de 2025. Trata-se de uma estratégia comercial baseada na imposição systematic e unilateral de novas taxas de importação sobre produtos fabricados em diversos países do mundo, incluindo o Brasil. Na prática, quando o governo americano encarece o imposto cobrado na entrada de uma mercadoria estrangeira em seu território, aquele produto perde competitividade de preço no mercado consumidor dos Estados Unidos, o que desencadeia um desestímulo imediato às compras e provoca uma queda abrupta nos contratos de exportação dos países fornecedores.
A escalada dessas medidas teve início com a cobrança de taxas de 25% sobre o aço e o alumínio brasileiros e se intensificou ao longo dos meses com sucessivos decretos que atingiram múltiplos setores industriais e do agronegócio. A nova fase desse aperto comercial prevê a entrada em vigor de uma sobretaxa adicional de 25% sobre cerca de 4 mil itens produzidos no Brasil. A medida ampara-se na Seção 301 do Trade Act de 1974, uma legislação americana que permite ao presidente impor sanções econômicas a nações acusadas de adotar práticas comerciais consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses de Washington.
A consequência direta dessa sobretaxa é um encarecimento em cadeia dos produtos brasileiros no momento em que eles desembarcam em solo americano. Como os importadores dos Estados Unidos passam a pagar impostos significativamente mais altos para liberar a mercadoria, eles reduzem ou cancelam os pedidos com as indústrias brasileiras e buscam fornecedores em países que não foram afetados pelas sanções. Isso gera um impacto cascata no Brasil, resultando no acúmulo de estoques em fábricas locais, redução de faturamento do setor exportador, risco de demissões em cidades que dependem dessas indústrias e a necessidade urgente de intervenção do governo brasileiro para abrir novas rotas de comércio exterior.

