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Vice de Zequinha rompe com ele e vai seguir com Mailza na disputa pelo governo

Por Matheus Mello, ContilNet Fonte: Matheus Mello, ContilNet 02/07/2026 às 08:27

Mailza ao lado de Delcimar em agendas em Cruzeiro do Sul/Foto: Reprodução

O anúncio do apoio do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, à pré-candidatura do senador Alan Rick ao governo produziu um efeito que vai além da disputa estadual. A decisão abriu uma divisão dentro da própria prefeitura, justamente entre as duas principais autoridades do município.

Enquanto Zequinha deixou claro que seguirá com Alan, a vice-prefeita Delcimar Leite não pretende acompanhar esse movimento. Ela permanecerá ao lado da governadora Mailza Assis. Não se trata apenas de uma escolha pessoal. Delcimar é casada com o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, um dos integrantes da base do governo na Assembleia Legislativa, e não há qualquer sinal de mudança desse posicionamento.

ENTENDA: Zequinha rompe com Mailza, anuncia apoio a Alan e desabafa: “Chega, basta”

Agora, preefeito e vice passam a ocupar lados opostos na principal disputa política do Acre, cada um defendendo um projeto diferente para 2026.

Até aqui, Zequinha conseguia equilibrar a relação institucional com o governo estadual mesmo diante das especulações sobre seu futuro político. Ao oficializar o apoio a Alan Rick, porém, encerrou esse período de ambiguidade e obrigou os aliados a fazerem suas escolhas. Delcimar optou por não acompanhá-lo.

Essa divisão dificilmente ficará restrita ao campo eleitoral. Em administrações municipais, prefeito e vice costumam representar o mesmo grupo político, ainda que tenham diferenças de opinião. Quando passam a defender candidaturas rivais para o governo do Estado, a tendência é que agendas, articulações e interlocuções sigam caminhos diferentes.

Vice: um detalhe da chapa que costuma virar problema depois da posse

Há um padrão que tem se repetido na política acreana. As eleições terminam, a chapa vencedora toma posse e, algum tempo depois, prefeito e vice, ou governador e vice, passam a caminhar em direções opostas.

O exemplo mais emblemático continua sendo o do ex-governador Gladson Cameli e seu então vice, Major Rocha. Eleitos na mesma chapa em 2018, os dois romperam durante o primeiro mandato. As divergências deixaram de ser internas e passaram a ser públicas, com trocas frequentes de críticas e um relacionamento institucional praticamente inexistente até o fim da gestão conjunta.

O roteiro voltou a se repetir na Prefeitura de Rio Branco. Durante o primeiro mandato de Tião Bocalom, a relação com a vice-prefeita Marfisa Galvão também se deteriorou. As diferenças políticas se tornaram evidentes e a parceria construída na campanha não resistiu ao exercício do governo.

Agora, Cruzeiro do Sul entra para essa lista. O prefeito Zequinha Lima e a vice Delcimar Leite passam a defender projetos distintos para a eleição ao governo. Ele escolheu apoiar Alan Rick. Ela permanecerá ao lado da governadora Mailza Assis.

Cada caso tem suas particularidades, mas todos deixam uma mesma lição: a escolha do vice costuma receber menos atenção durante a montagem da chapa do que merece.

A vaga mais difícil da chapa

A poucos dias das convenções, nenhum dos quatro principais pré-candidatos ao governo do Acre fechou oficialmente a escolha do vice. E não parece ser coincidência.

Mailza Assis aguarda a indicação do MDB para completar a chapa governista. Alan Rick mantém mais de uma alternativa em análise e evita antecipar a decisão. Tião Bocalom chegou a convidar publicamente o empresário Osvaldo Dias, mas a composição ainda não foi oficializada. Já Thor segue negociando com os partidos de esquerda em busca de um nome de consenso.

No fim das contas, montar uma chapa é fácil. Difícil é encontrar alguém que permaneça no mesmo projeto depois da posse.

A exceção à regra

Em meio a tantos rompimentos entre titulares e vices, há uma parceria que seguiu o caminho oposto no Acre.

Alysson Bestene e Tião Bocalom chegaram ao fim da gestão municipal mantendo uma relação de confiança construída ao longo dos anos de mandato. Sem disputas públicas, sem desgaste político e com alinhamento nas principais decisões da administração.

A sintonia ficou ainda mais evidente na corrida pelo governo. Filiado ao Progressistas, o mesmo partido da governadora Mailza Assis, Alysson optou por acompanhar Bocalom e declarar apoio à pré-candidatura do ex-prefeito, em vez de permanecer no projeto da legenda.

A decisão mostra que, em alguns casos, a parceria construída no exercício do mandato acaba falando mais alto do que a própria filiação partidária.

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