Ação preventiva com agressores pode evitar feminicídios

Estudo foi apresentado por pesquisadora da USP

Por Marina, ContilNet 30/01/2024 Ă s 18:42
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Ameaças, depois violĂȘncia fĂ­sica, atĂ© o assassinato – a pesquisadora do NĂșcleo de Estudos da ViolĂȘncia da Universidade de SĂŁo Paulo (NEV-USP) DĂ©bora Piccirillo, disse que açÔes extremas de violĂȘncia costuma ser precedidas de outras agressĂ”es. Por isso, ela acredita que sĂŁo necessĂĄrias açÔes para lidar com homens denunciados por agressĂŁo de forma a evitar feminicĂ­dios. A especialista comentou o aumento do nĂșmero de assassinatos motivados por questĂ”es de gĂȘnero no estado de SĂŁo Paulo.

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De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança PĂșblica (SSP) de SĂŁo Paulo, foram registrados como feminicĂ­dio 221 mortes de mulheres em 2023. O nĂșmero Ă© o maior desde 2018, quando os registros foram diferenciados do total de homicĂ­dios.

DenĂșncias sem efetividade

“Em muitos casos, as mulheres jĂĄ tinham feito algum tipo de denĂșncia de violĂȘncia. A gente costuma falar de uma contĂ­nua violĂȘncia de gĂȘnero. Ameaças, comentĂĄrios que afetam o psicolĂłgico, violĂȘncias nĂŁo visĂ­veis, atĂ© as violĂȘncias fĂ­sicas e, no final, o feminicĂ­dio. É comum esse tipo de trajetĂłria. É comum que a mulher tenha buscado ajuda, ela tenha comentado com alguĂ©m, ela tenha ido na delegacia, feito uma queixa”, diz sobre o padrĂŁo que se repete, muitas vezes sem uma intervenção que evite a morte da vĂ­tima.

Ao comentar o aumento do nĂșmero de feminicĂ­dios, a SSP afirmou que tem se dedicado a examinar a dinĂąmica desse tipo de crime. A partir da anĂĄlise dos casos de 2023, a secretaria destaca que em 83,2% das situaçÔes a vĂ­tima havia sofrido violĂȘncia domĂ©stica anteriormente. Em 56,1% dos casos, a mulher tinha uma relação afetiva com o agressor e em 39,3%, tinha uma ligação familiar ou de amizade.

A secretaria diz ainda que desenvolveu um projeto para que os agressores recebam uma tornozeleira eletrĂŽnica ao serem soltos nas audiĂȘncias de custĂłdia.

Mudança de comportamento

A medida Ă© interessante, na avaliação da pesquisadora. “A tornozeleira, de uma forma ou de outra, atĂ© ajuda esse trabalho da polĂ­cia, de ver, olha, esse cara aqui, avisando que ele estĂĄ perto demais da mulher. Ela [polĂ­cia] pode fazer uma intervenção naquele momento imediato, que vai impedir que esse homem agrida ou ataque essa mulher novamente”, analisa.

DĂ©bora vĂȘ a necessidade de um trabalho mais profundo para conter a violĂȘncia de forma mais definitiva. “VocĂȘ precisa de uma polĂ­tica de mais longo prazo, que traga esse homem para a discussĂŁo. Porque mesmo que, em algum momento, ele pare de perseguir essa mulher especĂ­fica, porque ele estĂĄ sendo punido, porque ele estĂĄ sendo monitorado, em algum momento ele vai ter um relacionamento com outra pessoa, com outra mulher. Ele precisa mudar essa forma de se comportar, senĂŁo ele vai fazer mais uma vĂ­tima”, acrescenta.

Misoginia

O aumento do nĂșmero de feminicĂ­dio coincide, segundo a especialista, com um crescimento “ expressivo de demonstraçÔes de Ăłdio, de carĂĄter misĂłgino, o que pode contribuir para a realização de atos extremos”, que vem sido observado nos Ășltimos anos. “Tem uma questĂŁo de relação de gĂȘnero, de como os homens tĂȘm se expressado nas relaçÔes Ă­ntimas, principalmente em termos de ciĂșme, em termos de sensação de posse”, enfatiza.

Esse sentimento estĂĄ, de acordo com DĂ©bora, no centro das motivaçÔes que levam os homens a cometerem atos de violĂȘncia extrema, como o assassinato. “Os homens se sentem meio que possuidores das mulheres, no sentido de escolher o destino, escolher se ela vai ficar com ele ou nĂŁo, se ela vai viver ou nĂŁo”, diz. “Quando elas decidem encerrar uma relação, o homem nĂŁo aceita, Ă© simplesmente inaceitĂĄvel para ele que ela faça essa escolha”, acrescenta.

ConteĂșdo Original / Fonte: AgĂȘncia Brasil

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