Um estudo científico realizado com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) identificou graves lacunas no conhecimento e barreiras estruturais que comprometem o combate à leishmaniose cutânea na Amazônia Ocidental. O levantamento, conduzido no município de Sena Madureira, revelou que tanto os pacientes quanto os profissionais da rede pública de saúde possuem informações limitadas sobre a enfermidade. A falta de conhecimento técnico, somada ao isolamento geográfico de áreas rurais endêmicas, retarda o diagnóstico e o tratamento precoce da infecção.
Os resultados da investigação foram publicados na edição de maio da revista eletrônica científica “Acervo Saúde” (vol. 26). O artigo, intitulado “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”, foi estruturado a partir de entrevistas com 50 pacientes com suspeita clínica da doença e 51 agentes públicos de saúde (compostos por 63% de agentes comunitários de saúde e 37% de agentes de combate às endemias).
O trabalho integra a tese de doutorado de Leandro Siqueira de Souza, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
“Identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer essas limitações é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações”, explicou o autor.
A leishmaniose cutânea é classificada como uma doença negligenciada que atinge majoritariamente populações extrativistas e ribeirinhas. Historicamente, a região Norte concentra mais de 50% de todas as notificações registradas no Brasil. No recorte local, o estado do Acre acumula um histórico severo, com mais de 11 mil casos notificados ao longo da última década.
Devido à alta densidade epidemiológica, o Ministério da Saúde emitiu um relatório técnico que classificou cinco municípios acreanos como áreas de risco intenso para a transmissão da doença: Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasiléia.
O pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC, que coordena o projeto macro de investigação, aponta que mapear o nível de desinformação no interior do estado é vital para reestruturar o fluxo de atendimento.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea. Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença”, sublinhou.
Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo foi viabilizado por meio de um consórcio interinstitucional. Além da Ufac e da Fiocruz, participam do projeto a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).
O corpo de coautores do artigo científico conta com uma forte representação do corpo docente e técnico da Ufac, incluindo os pesquisadores locais:
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Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães;
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Francisca Alana Costa de Souza;
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Marcos Bruno Zacarias Campelo;
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Breno Kalyl Freitas Nascimento;
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Andreia Fernandes Brilhante;
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Francisco Glauco de Araújo Santos.
O mapeamento servirá de base para que gestores municipais formulem novas dinâmicas de capacitação para os agentes de ponta que atuam diretamente nos ramais e florestas do Acre.
