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Charles Osborne entrou para o livro dos recordes como o homem que teve o ataque de soluços mais duradouro da história Reprodução/ Facebook
Se o ato de soluçar por alguns minutos já parecem ser longos e incômodo, imagina ter este problema ao longo de 68 anos ininterruptos? Foi o que aconteceu com um homem em Iowa, Estados Unidos, e que o fez entrar no livro dos recordes, como o dono do ataque de soluço mais duradouro da história.
Charles Osborne tinha cerca de 20 soluços por minuto, o que totalizou cerca de 430 milhões durante sua vida. “Não sei como seria não tê-los. Eu fico tão dolorido com espasmos o tempo todo”, disse à Associated Press em 1978 enquanto discutia seus incessantes acessos de soluço.
Nascido em 1883, Osborne disse que sua doença começou em 1922, quando sofreu um acidente trabalhando em uma fazenda perto de Union, Nebraska. Na época, ele era tratador de porcos, e foi pendurar o animal para abatê-lo quando caiu e bateu a cabeça.
O acidente até então tinha sido inofensivo, porém, em seguida, vieram os soluços. As contrações involuntárias, e um tanto irritantes, são bastantes comuns, principalmente entre fumantes e pessoas com alto consumo de bebidas alcoólicas, e costumam parar depois de um tempo.
A causa dos soluços pode variar amplamente de pessoa para pessoa, embora um consenso entre médicos e pesquisadores sugira que seja uma decorrência da irritação e estimulação dos nervos frênicos (importante para a respiração e responsável por levar e receber informações do diafragma) e vagos (que controlam as funções involuntárias) durante a contração do diafragma, músculo alocado abaixo dos pulmões.
Eles geralmente ocorrem por apenas alguns minutos e são percebidos mais como uma irritação do que um motivo de preocupação. Quando duram mais de 48 horas, os soluços são considerados crônicos — o ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, foi internado em 2021, depois de reclamar de um soluço que durava mais de 10 dias.
Enquanto isso, os ataques que persistem por mais de um mês são considerados intratáveis, a variedade super rara sofrida por Osborne, que afeta apenas 1 em 100.000 pessoas.
Ainda não está claro o que causou a condição do fazendeiro, mas em um exame após sua queda em 1922, o médico disse “que ele havia rompido um vaso sanguíneo “do tamanho de um alfinete” no cérebro.
Osbourne, passou a sua vida consultando médicos ao redor do planeta na tentativa de fazer os ataques cessarem. Ele teve uma breve pausa após receber tratamento com oxigênio e monóxido de carbono na Mayo Clinic, mas desistiu por não conseguir respirar com segurança o gás tóxico.
Para driblá-los, algumas pessoas apostam nos saberes populares, como prender a respiração e beber água. Um amigo bem-intencionado até tentou espantar os soluços disparando uma espingarda atrás de sua cabeça, o que Osborne disse que o assustou, mas, infelizmente, não deu certo.
Depois de uns anos, Osborne aprendeu a mitigar o som através da respiração entre soluços como um silenciador diafragmático, técnica que ele aprendeu na Mayo Clinic. “Ele flexionava o peito três ou quatro vezes a cada minuto. Dava para perceber que ele estava soluçando, mas não fazia barulho”, disse o amigo de Osbourne, Kevern Koskovich.
Apesar de sua condição debilitante, o irreprimível criador de porcos permaneceu positivo e conseguiu viver uma vida longa e gratificante, durante a qual trabalhou em vários empregos, incluindo vendedor de máquinas agrícolas e leiloeiro de gado e porcos. Ele se casou duas vezes e teve oito filhos.
De repente, de uma hora para outra, em 1990, os soluços de Osborne pararam inexplicavelmente — depois de quase 7 décadas, porém, ele desfrutou dessa vida sem o incômodo por poucos meses. Ele morreu no ano seguinte.
