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TrĂŞs pacientes paraplĂ©gicos conseguiram andar, pedalar e nadar graças a um implante que estimula eletricamente a medula espinhal, anunciaram pesquisadores europeus em um estudo publicado na segunda-feira (7) na revista “Nature Medicine”.
Controlado por um tablet com “touchscreen”, o dispositivo foi colocado nos pacientes por neurocirurgiões. Feito de 15 eletrodos que permitem a estimulação elĂ©trica de várias partes da medula espinhal, o aparelho Ă© resultado de 10 anos de estudo.
“[É] uma tecnologia muito mais precisa, que nos permitiu visar indivĂduos com a forma mais grave de lesĂŁo medular – lesĂŁo medular clinicamente completa, sem sensação, sem movimento. E, no entanto, com essa tecnologia, eles conseguiram dar passos independentes ao ar livre, fora do laboratĂłrio”, completou o pesquisador.
Os eletrodos também são mais longos e maiores do que os usados anteriormente – o que permite que mais músculos sejam acessados, explicou a outra autora sênior do estudo, Jocelyne Bloch.
Outro avanço importante foi que, graças a um software que usa inteligência artificial, os impulsos elétricos são muito mais precisos e se correspondem melhor com cada movimento, em vez de ser um fluxo indiscriminado de corrente.
Lesões e avanços
A medula espinhal se estende pela coluna e é uma extensão do cérebro, controlando movimentos que podem ser perdidos se o contato com o cérebro for afetado.
No caso dos três pacientes, as lesões ocorreram abaixo do pescoço e acima da parte inferior das costas, entre 1 e 9 anos antes de receberem o tratamento. Todos eles – homens de 29, 32 e 41 anos – haviam sofrido acidentes de moto.
Nos seis meses seguintes Ă cirurgia, os pacientes recuperaram a capacidade de realizar atividades mais complexas, como caminhar, andar de bicicleta e nadar em ambientes comunitários fora da clĂnica, controlando os prĂłprios dispositivos de estimulação nervosa a partir do tablet, disseram os pesquisadores.
Após cinco meses de reabilitação, o progresso foi considerável – um dos pacientes conseguia caminhar quase um quilômetro sem interrupção.
Uma das limitações do sistema Ă© que, quando o estĂmulo elĂ©trico Ă© interrompido, o efeito tambĂ©m Ă©. AlĂ©m disso, ele nĂŁo pode ser mantido de forma ininterrupta, pois esgotaria o organismo do paciente, segundo a France Presse.
Ainda assim, recuperar um pouco dos movimentos diários já Ă© muito, disse um dos pacientes, Michel Roccati, que teve os eletrodos implantados em 2020, trĂŞs anos apĂłs um acidente de moto. “Eu o uso todos os dias, por algumas horas. No trabalho, em casa, para muitas coisas”, comentou.
Se os primeiros resultados forem confirmados em ensaios mais amplos, pessoas com lesões na medula espinhal poderĂŁo um dia abrir um smartphone ou falar com um smartwatch, selecionar uma atividade como “andar” ou “sentar” e enviar uma mensagem para um dispositivo implantado, que irá estimular seus nervos e mĂşsculos a fazerem os movimentos, disseram os pesquisadores.
Eles observaram que, embora os pacientes tenham recuperado a capacidade de realizar várias atividades, incluindo o controle dos mĂşsculos do tronco, por “perĂodos extensos”, os pacientes nĂŁo recuperaram os movimentos naturais.
A ideia de enviar uma corrente elétrica para recuperar movimentos perdidos remonta a décadas e foi colocada em prática pela primeira vez em 2011 – quando um homem paraplégico ficou em pé novamente.



