10 sinais que o corpo dá quando sua imunidade está baixa

Por Redação (Douglas Richer) 16/12/2022 às 11:42
Reprodução

O sistema imunológico é um conjunto de órgãos, tecidos e células que atuam no combate a agentes infecciosos como vírus, bactérias e fungos, evitando doenças.

Do mesmo jeito que ele cria mecanismos de defesa, os agentes infecciosos criam de ataque. Ora o sistema imunológico vence, ora vencem vírus e bactérias. E é aí que temos um problema de saúde.

Ficar doente uma vez não quer dizer que o sistema imunológico falhou completamente ou está ruim. Ele apenas não foi capaz de conter o vírus em primeiro momento, mas depois combate o problema —por isso ninguém fica gripado para sempre, como explica Ekaterini Simões Goudouris, coordenadora do Departamento Científico de Imunodeficiências da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Quando a pessoa fica doente com muita frequĂŞncia, o sistema imunolĂłgico pode nĂŁo estar funcionando bem, diz MĂ´nica Nunes, mĂ©dica residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da UFT (Universidade Federal do Tocantins), da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). E o corpo dá algum “avisos” de que isso está ocorrendo.

Estes sinais podem indicar que sua imunidade está baixa:

  1. VocĂŞ vive estressado
  2. Você tem herpes e outras infecções recorrentes
  3. Muitas aftas estĂŁo surgindo na sua boca
  4. A gripe dura muito mais tempo do que o normal (cerca de 5 a 7 dias)
  5. Seu cabelo está caindo muito (o normal é perder cerca de 100 fios por dia)
  6. Você tem candidíase de repetição
  7. Ter muitas febres e calafrios
  8. Sofrer com náuseas e vômitos
  9. Ter diarreia por mais de duas semanas
  10. Aparecerem manchas vermelhas ou brancas na pele

A seguir, explicamos melhor a relação desses 10 fatores com o sistema imune.

  • Estresse

Uma das causas que podem indicar o sistema imunolĂłgico baixo, segundo a mĂ©dica infectologista Lina Paola Rodrigues, da BP – A BeneficĂŞncia Portuguesa de SĂŁo Paulo, Ă© o estresse.

“Jornadas extenuantes de trabalho, poucas horas de descanso e lazer e alimentação inadequada. Precisamos ter regulado nosso sistema tireoidiano, hormonal, de alimentos, para que todo o sistema de imunidade funcione”, diz. Se o estresse está alto, Ă© sinal de que a imunidade deve estar baixa.

  • Infecções recorrentes

Segundo o clínico geral e geriatra Paulo Camiz, professor da USP (Universidade de São Paulo) e do Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos principais fatores de que a imunidade está baixa é o surgimento de infecções recorrentes, como a herpes, especialmente em pessoas com menos de 50 anos.

“Quando a pessoa tem um quadro de zĂłster abaixo dos 50 anos, Ă© muito indicativo de ter tido uma baixa de imunidade. É praticamente obrigatĂłrio dar uma olhada como está a imunidade da pessoa.”

Apesar de nĂŁo haver um exame especĂ­fico que aponte a baixa imunidade, Ă© possĂ­vel, por meio de exames complementares, descobrir o que está acontecendo. “Pode fazer um hemograma para ver como está a quantidade das cĂ©lulas brancas; uma dosagem de anticorpos; uma avaliação nutricional para ver a questĂŁo de micronutrientes e vitaminas”, lista Camiz.

  • Doenças que demoram para passar

Doenças simples, mas que demoram a passar ou que agravam facilmente, como a gripe, também podem indicar que a imunidade está baixa.

“O normal Ă© se recuperar completamente dos sintomas em cinco a sete dias. Gripes e resfriados sĂŁo doenças autolimitadas, ou seja, com poucos dias de evolução e recuperação rápida. O que foge disso se suspeita imunidade baixa”, diz a infectologista Lina Paola Rodrigues.

  • MonilĂ­ase oral ou candidĂ­ase de repetição

A monilíase oral e a candidíase vaginal, Rodrigues explica, também têm relação com imunidade baixa.

“O fungo Candida habita normalmente da boca ao ânus em todos nĂłs. O desequilĂ­brio da flora e fatores imunolĂłgicos fazem com que este fungo se prolifere, ou seja, aumente em quantidade e cause uma infecção”, diz.

  • Febre frequente e calafrios

A mĂ©dica Ekaterini Simões Goudouris explica que qualquer infecção pode dar febre, e febres altas podem causar calafrios. Se recorrentes, tambĂ©m podem indicar uma baixa imunidade. “Infecções recorrentes ou graves podem sugerir um defeito do sistema imune.”

  • Aftas recorrentes

Segundo Rodrigues, as aftas sĂŁo Ăşlceras com várias etiologias, desde infecção por herpes simples, imunidade baixa, trauma por aparelhos dentais, mordida errada e alergias a alimentos. “EntĂŁo alguns pacientes que tĂŞm aftas ulcerativas recorrentes podem ter sim baixa imunidade, porĂ©m tem de ser descartados outros fatores”, diz.

  • Náuseas e vĂ´mitos

Em alguns casos, náuseas e vômitos também podem indicar que a imunidade está baixa, mas é preciso um diagnóstico mais completo para descartar outros problemas mais graves, como explica a infectologista da BP.

“Náuseas e vĂ´mitos sĂŁo sintomas de diversas doenças. Precisam ser descartadas alterações endocrinolĂłgicas, hormonais da tireoide e do sistema reprodutivo”, diz.

  • Diarreia por mais de duas semanas

Diarreia persistente ou crônica, segundo Goudouris, pode ser sinal de infecção. E, novamente, indicam, possivelmente, um sinal de que o sistema imune está baixo.

  • Manchas vermelhas ou brancas na pele

Kleber Luz, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), explica que infecções de pele também podem indicar que a imunidade está baixa.

“Os sinais sĂŁo as infecções. As foliculites, ou seja, as infecções da pele, podem, de fato, indicar que a sua imunidade está baixa. Por exemplo, se pessoa que tem a pele Ă­ntegra, nĂŁo tem infecção e, subitamente, começa a ter infecção cutânea, pode ser um indicativo que a imunidade está baixa”, diz.

Segundo ele, a presença de micose nas unhas também pode ser um indicativo.

  • Queda acentuada de cabelo

Até a queda excessiva de cabelo pode indicar que a imunidade está baixa, de acordo com Rodrigues. Nesse caso, a alimentação adequada pode ajudar a diminuir o problema, mas uma avaliação médica é necessária.

“Queda de cabelo pode diminuir ao melhorar a imunidade e nutrição do paciente. EntĂŁo seria consequĂŞncia de melhorar e equilibrar diversos sistemas no organismo.”

O que fazer para melhorar a imunidade

  • Praticar atividade fĂ­sica regularmente;
  • Melhorar hábitos alimentares;
  • Ter um sono de qualidade;
  • Evitar estresse;
  • Controlar ansiedade;
  • Ter um bom convĂ­vio social;
  • Usar preservativo;
  • NĂŁo consumir bebida alcoĂłlica em excesso;
  • Fazer controle rigoroso da doença, no caso de pessoas diagnosticadas com diabetes e lĂşpus, por exemplo.

Como já explicado, ter uma boa imunidade não indica que a pessoa está livre de ficar doente. Todo mundo corre esse risco em algum momento da vida.

“Nem o melhor sistema imunolĂłgico do mundo consegue manter alguĂ©m livre de ter um quadro infeccioso, porque, para isso, basta ter contato com o agente agressor”, diz Alexandre Cunha, mĂ©dico infectologista do Grupo Sabin e vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal.

“Quando a gente fala que tem problema de imunidade, tem de investigar qual a doença que está causando isso. Todas as pessoas tĂŞm risco de ficar doente, mesmo as que tĂŞm melhor imunidade possĂ­vel”, diz Cunha.

A queda da atividade do sistema imunológico pode acontecer por diversas situações, inclusive estresse e ansiedade. Doenças crônicas, como Aids, lúpus, câncer e diabetes também podem diminuir a atividade do sistema imune e favorecer o aparecimento de outras doenças.

Fontes: Alexandre Cunha, mĂ©dico infectologista do Grupo Sabin e vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal; Ekaterini Simões Goudouris, coordenadora do Departamento CientĂ­fico de ImunodeficiĂŞncias da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia); Kleber Luz, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte); Lina Paola Rodrigues, mĂ©dica infectologista da BP – A BeneficĂŞncia Portuguesa de SĂŁo Paulo; MĂ´nica Nunes, mĂ©dica residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da UFT (Universidade Federal do Tocantins), da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Paulo Camiz, clĂ­nico geral e geriatra, professor da USP (Universidade de SĂŁo Paulo) e do Hospital das ClĂ­nicas de SĂŁo Paulo.

ConteĂşdo Original / Fonte: UOL

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