O sistema imunolĂłgico Ă© um conjunto de ĂłrgĂŁos, tecidos e cĂ©lulas que atuam no combate a agentes infecciosos como vĂrus, bactĂ©rias e fungos, evitando doenças.
Do mesmo jeito que ele cria mecanismos de defesa, os agentes infecciosos criam de ataque. Ora o sistema imunolĂłgico vence, ora vencem vĂrus e bactĂ©rias. E Ă© aĂ que temos um problema de saĂşde.
Ficar doente uma vez nĂŁo quer dizer que o sistema imunolĂłgico falhou completamente ou está ruim. Ele apenas nĂŁo foi capaz de conter o vĂrus em primeiro momento, mas depois combate o problema —por isso ninguĂ©m fica gripado para sempre, como explica Ekaterini Simões Goudouris, coordenadora do Departamento CientĂfico de ImunodeficiĂŞncias da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).
Quando a pessoa fica doente com muita frequĂŞncia, o sistema imunolĂłgico pode nĂŁo estar funcionando bem, diz MĂ´nica Nunes, mĂ©dica residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da UFT (Universidade Federal do Tocantins), da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). E o corpo dá algum “avisos” de que isso está ocorrendo.
Estes sinais podem indicar que sua imunidade está baixa:
- VocĂŞ vive estressado
- Você tem herpes e outras infecções recorrentes
- Muitas aftas estĂŁo surgindo na sua boca
- A gripe dura muito mais tempo do que o normal (cerca de 5 a 7 dias)
- Seu cabelo está caindo muito (o normal é perder cerca de 100 fios por dia)
- VocĂŞ tem candidĂase de repetição
- Ter muitas febres e calafrios
- Sofrer com náuseas e vômitos
- Ter diarreia por mais de duas semanas
- Aparecerem manchas vermelhas ou brancas na pele
A seguir, explicamos melhor a relação desses 10 fatores com o sistema imune.
- Estresse
Uma das causas que podem indicar o sistema imunolĂłgico baixo, segundo a mĂ©dica infectologista Lina Paola Rodrigues, da BP – A BeneficĂŞncia Portuguesa de SĂŁo Paulo, Ă© o estresse.
“Jornadas extenuantes de trabalho, poucas horas de descanso e lazer e alimentação inadequada. Precisamos ter regulado nosso sistema tireoidiano, hormonal, de alimentos, para que todo o sistema de imunidade funcione”, diz. Se o estresse está alto, Ă© sinal de que a imunidade deve estar baixa.
- Infecções recorrentes
Segundo o clĂnico geral e geriatra Paulo Camiz, professor da USP (Universidade de SĂŁo Paulo) e do Hospital das ClĂnicas de SĂŁo Paulo, um dos principais fatores de que a imunidade está baixa Ă© o surgimento de infecções recorrentes, como a herpes, especialmente em pessoas com menos de 50 anos.
“Quando a pessoa tem um quadro de zĂłster abaixo dos 50 anos, Ă© muito indicativo de ter tido uma baixa de imunidade. É praticamente obrigatĂłrio dar uma olhada como está a imunidade da pessoa.”
Apesar de nĂŁo haver um exame especĂfico que aponte a baixa imunidade, Ă© possĂvel, por meio de exames complementares, descobrir o que está acontecendo. “Pode fazer um hemograma para ver como está a quantidade das cĂ©lulas brancas; uma dosagem de anticorpos; uma avaliação nutricional para ver a questĂŁo de micronutrientes e vitaminas”, lista Camiz.
- Doenças que demoram para passar
Doenças simples, mas que demoram a passar ou que agravam facilmente, como a gripe, também podem indicar que a imunidade está baixa.
“O normal Ă© se recuperar completamente dos sintomas em cinco a sete dias. Gripes e resfriados sĂŁo doenças autolimitadas, ou seja, com poucos dias de evolução e recuperação rápida. O que foge disso se suspeita imunidade baixa”, diz a infectologista Lina Paola Rodrigues.
- MonilĂase oral ou candidĂase de repetição
A monilĂase oral e a candidĂase vaginal, Rodrigues explica, tambĂ©m tĂŞm relação com imunidade baixa.
“O fungo Candida habita normalmente da boca ao ânus em todos nĂłs. O desequilĂbrio da flora e fatores imunolĂłgicos fazem com que este fungo se prolifere, ou seja, aumente em quantidade e cause uma infecção”, diz.
- Febre frequente e calafrios
A mĂ©dica Ekaterini Simões Goudouris explica que qualquer infecção pode dar febre, e febres altas podem causar calafrios. Se recorrentes, tambĂ©m podem indicar uma baixa imunidade. “Infecções recorrentes ou graves podem sugerir um defeito do sistema imune.”
- Aftas recorrentes
Segundo Rodrigues, as aftas sĂŁo Ăşlceras com várias etiologias, desde infecção por herpes simples, imunidade baixa, trauma por aparelhos dentais, mordida errada e alergias a alimentos. “EntĂŁo alguns pacientes que tĂŞm aftas ulcerativas recorrentes podem ter sim baixa imunidade, porĂ©m tem de ser descartados outros fatores”, diz.
- Náuseas e vômitos
Em alguns casos, náuseas e vômitos também podem indicar que a imunidade está baixa, mas é preciso um diagnóstico mais completo para descartar outros problemas mais graves, como explica a infectologista da BP.
“Náuseas e vĂ´mitos sĂŁo sintomas de diversas doenças. Precisam ser descartadas alterações endocrinolĂłgicas, hormonais da tireoide e do sistema reprodutivo”, diz.
- Diarreia por mais de duas semanas
Diarreia persistente ou crônica, segundo Goudouris, pode ser sinal de infecção. E, novamente, indicam, possivelmente, um sinal de que o sistema imune está baixo.
- Manchas vermelhas ou brancas na pele
Kleber Luz, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), explica que infecções de pele também podem indicar que a imunidade está baixa.
“Os sinais sĂŁo as infecções. As foliculites, ou seja, as infecções da pele, podem, de fato, indicar que a sua imunidade está baixa. Por exemplo, se pessoa que tem a pele Ăntegra, nĂŁo tem infecção e, subitamente, começa a ter infecção cutânea, pode ser um indicativo que a imunidade está baixa”, diz.
Segundo ele, a presença de micose nas unhas também pode ser um indicativo.
- Queda acentuada de cabelo
Até a queda excessiva de cabelo pode indicar que a imunidade está baixa, de acordo com Rodrigues. Nesse caso, a alimentação adequada pode ajudar a diminuir o problema, mas uma avaliação médica é necessária.
“Queda de cabelo pode diminuir ao melhorar a imunidade e nutrição do paciente. EntĂŁo seria consequĂŞncia de melhorar e equilibrar diversos sistemas no organismo.”
O que fazer para melhorar a imunidade
- Praticar atividade fĂsica regularmente;
- Melhorar hábitos alimentares;
- Ter um sono de qualidade;
- Evitar estresse;
- Controlar ansiedade;
- Ter um bom convĂvio social;
- Usar preservativo;
- NĂŁo consumir bebida alcoĂłlica em excesso;
- Fazer controle rigoroso da doença, no caso de pessoas diagnosticadas com diabetes e lúpus, por exemplo.
Como já explicado, ter uma boa imunidade não indica que a pessoa está livre de ficar doente. Todo mundo corre esse risco em algum momento da vida.
“Nem o melhor sistema imunolĂłgico do mundo consegue manter alguĂ©m livre de ter um quadro infeccioso, porque, para isso, basta ter contato com o agente agressor”, diz Alexandre Cunha, mĂ©dico infectologista do Grupo Sabin e vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal.
“Quando a gente fala que tem problema de imunidade, tem de investigar qual a doença que está causando isso. Todas as pessoas tĂŞm risco de ficar doente, mesmo as que tĂŞm melhor imunidade possĂvel”, diz Cunha.
A queda da atividade do sistema imunológico pode acontecer por diversas situações, inclusive estresse e ansiedade. Doenças crônicas, como Aids, lúpus, câncer e diabetes também podem diminuir a atividade do sistema imune e favorecer o aparecimento de outras doenças.
Fontes: Alexandre Cunha, mĂ©dico infectologista do Grupo Sabin e vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal; Ekaterini Simões Goudouris, coordenadora do Departamento CientĂfico de ImunodeficiĂŞncias da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia); Kleber Luz, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, em Natal, e professor da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte); Lina Paola Rodrigues, mĂ©dica infectologista da BP – A BeneficĂŞncia Portuguesa de SĂŁo Paulo; MĂ´nica Nunes, mĂ©dica residente em infectologia do Hospital de Doenças Tropicais da UFT (Universidade Federal do Tocantins), da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Paulo Camiz, clĂnico geral e geriatra, professor da USP (Universidade de SĂŁo Paulo) e do Hospital das ClĂnicas de SĂŁo Paulo.

