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A voz de Cauby visita o terreno da bossa nova

Por Marina, ContilNet Fonte: Globo 30/11/2015 às 09:46
Cauby Peixoto: 'A bossa nova é derivada do jazz, e eu sempre fui jazzístico' - Divulgação

Cauby Peixoto: ‘A bossa nova é derivada do jazz, e eu sempre fui jazzístico’ – Divulgação

O produtor Thiago Marques Luiz lembra que, numa das visitas ao hospital no qual Cauby Peixoto estava internado no início deste ano, escutou seu canto inconfundível pelos corredores. Ao encontrá-lo, ouviu: “Vamos gravar bossa!”. Começaram a lembrar clássicos do gênero, Thiago voltou em outros dias com mais sugestões, e nascia assim “A bossa de Cauby Peixoto” (Biscoito Fino). O disco, primeiro do cantor totalmente dedicado ao gênero, será lançado no Teatro Net Rio, nos próximos dias 7 e 8.

– Gosto dessas canções desde quando as conheci, na época em que elas foram lançadas. E comecei a cantar muitas delas em meus shows, como “Eu e a brisa” (de Johnny Alf) e “Samba do avião”, “Wave” e “Este seu olhar” (de Tom Jobim) e “Dindi” (de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) – lembra Cauby. – Apenas duas eu não conhecia, nunca tinha gravado. Uma foi sugestão do Thiago, “Razão de viver” (de Eumir Deodato e Paulo Sérgio Valle). A outra, de minha mulher, Nancy, “Até quem sabe” (de João Donato e Lysias Enio).

Há uma elegância nas interpretações e nos arranjos de “A bossa de Cauby Peixoto”. No disco, ele é acompanhado, numa sonoridade cool, por um trio base formado por Alexandre Vianna (piano e arranjos), Deco Telles (baixo) e Humberto Zigler (bateria). Há participações de músicos como Marcelo Monteiro (sax), Ronaldo Rayol (violão), Rovilson Pascoal (guitarra) e Daniel Bondaczuk (piano e arranjo em “Eu e a brisa”). Nos shows de lançamento, a banda tem o baixista Eric Budney e o baterista Jabes Felipe, além de Vianna e Rayol.

A desenvoltura de Cauby no repertório e a sem-cerimônia com que ele se apropria das canções não deixam transparecer que a chegada da bossa nova, no fim dos anos 1950, foi um golpe para cantores de sua geração. As grandes vozes, o derramamento romântico na interpretação dos boleros e sambas-canção – o estilo de Cauby e de muitos de seus pares, enfim – foram tomados como ultrapassados, comparados ao gênero do momento. Hoje, Cauby fala que a novidade não teve impacto negativo sobre ele naquele momento:

– A bossa nova é derivada do jazz, e eu sempre fui jazzístico – explica. – Acabei sendo tido como um precursor da bossa.

No disco, apesar da presença do balanço do samba, fica clara essa escolha de Cauby em se aproximar da bossa pelo caminho do jazz – ou do samba-jazz, a variação “Beco das Garrafas” da bossa nova. Seu olhar sobre o disco, porém, é bem mais direto.

– As canções só precisam ser bonitas. Mesmo com a voz mais potente que a dos cantores de bossa nova, ou com um estilo mais romântico, eu posso cantar essas músicas – diz o cantor, que no show mostrará, além das músicas de “A bossa de Cauby Peixoto”, canções de seu álbum dedicado a Nat King Cole. – E as que não posso deixar de cantar, como “Conceição”, “Bastidores”…

Serviço

Cauby Peixoto

Onde: Teatro Net Rio — R. Siqueira Campos, 43, Copacabana (2547-8060).

Quando: Dias 7 e 8 de dezembro, às 21h.

Quanto: R$ 70 e R$ 80.

Classificação: 12 anos

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