Antes de fama, Gkay se achava feia e nĂŁo tinha R$ 2 para comprar pĂŁo

Por IBAHIA 13/12/2021 Ă s 15:52
Reprodução

A menos que alguĂ©m estivesse trancado num bunker ou investigando se há mesmo vida em Marte, nĂŁo ouviu falar da “Farofa da Gkay”. AtĂ© agora, seguramente, o evento mais bombado de 2021. Uma festa de aniversário para 200 pessoas, com tudo liberado. Open bar, open hospedagem, open tudo, nos quais, estima-se, tenham sido gastos quase R$ 3 milhões. Há alguns anos, tudo isso sĂł seria bancado por algum herdeiro ou empresário milionário, no maior requinte, para uma lista de convidados chiques e abastados e sem um registro comprometedor que virasse notĂ­cia.

Gessica Kayane Rocha de Vasconcelos, de 29 anos, Ă© a sĂ­ntese de um Brasil que ascendeu  fazendo limonada de limões bem azedos. Nascida em Solânea, no interior da ParaĂ­ba, a garota de nome estranho (“Já fui batizada com um erro ortográfico e com nome composto em homenagem a uma Ă©gua que aparecia em filmes”), desejava, como tantas outras, ser artista.

Em 2013, por incentivo de amigos que a achavam engraçada ao contar suas desgraças, como os incontáveis chifres que levou, decidiu gravar para a internet. Nem tinha equipamento. “Era a Ă©poca das blogueiras, ali em 2013. Mas como eu seria blogueira se nĂŁo tinha nem roupa para usar, quanto mais para indicar?”, relembrou ela, durante uma entrevista recente ao “Podpah”: “Eu era pobre mesmo. NĂŁo era pobre nutella, que tem Celta e vai pra Disney. Eu nĂŁo tinha R$ 2 para comprar um pĂŁo diferente”.

Inspirada em Whindersson Nunes, que se tornou um dos maiores amigos e incentivadores anos depois, viu que gravar num cenário meio desleixado, sendo ela mesma, podia dar certo. A mĂŁe achou um absurdo. “Primeira coisa que ela disse foi: ‘Quem disse que vocĂŞ Ă© engraçada?’. Para com isso e vai estudar”, conta.
Gkay, alcunha dada por um amigo que odiava o nome dela, insistiu. Apareceram as primeiras permutinhas, o dinheirinho do YouTube e o cala-boca Ă  mĂŁe. “Comprei para ela uma geladeira que sĂł faltava falar. Dali em diante ela me perguntava que horas eu ia gravar os vĂ­deos”, entrega.

NĂŁo demorou muito para Gkay chamar atenção dos internautas e de empresários do meio artĂ­stico, sobretudo os na área de humor. Mas daĂ­, com os primeiros cachĂŞs e a moeda “arroba” (uma brincadeira com a troca de favores por conta do nĂşmero de seguidores e engajamento nas redes sociais) vieram as primeiras intervenções estĂ©ticas. Com 1m55 de altura (muitas vezes imprimindo menos ou mais dependendo do salto), GKay sĂł nĂŁo conseguiu ficar mais alta porque nĂŁo tem como. Mas o resto?

“Acho que aqui no meu rosto sĂł o branco dos olhos Ă© meu. O resto fiz tudo”, revelou em outra entrevista a Danilo Gentili. Bichectomia, Rinoplastia, silicone nos seios, lipo, preenchimento nos lábios, botox, lentes de contato nos dentes, entre outra intervenções foram feitas e sĂŁo refeitas de acordo com a necessidade e tempo.
Vaidosa, Gessica nĂŁo queria apenas ser popular. Ela queria ser bonita. “Ela chegava nos lugares e parecia muito simplĂłria. Fazer graça era sua arma de sedução. Tanto para conquistar trabalho, quanto para arrumar uns boys”, entrega uma fonte, que conheceu a moça no inĂ­cio de sua carreira, há oito anos.

Com o tempo, Gkay se sofisticou enterrando de vez o papo sobre dinheiro nĂŁo trazer felicidade.Comprou o primeiro apartamento em JoĂŁo Pessoa, decorou no arroba card, tem um closet cheio de grifes importadas na mansĂŁo alugada em SĂŁo Paulo e ficou rica.

“NĂŁo tinha nada que me desse vantagem. NĂŁo tinha altura, nĂŁo tinha beleza, nĂŁo tinha peito. deus me botou no mundo e disse ‘vai'”, dispara. E ela foi.

A primeira Farofa aconteceu em 2017, quando já tinha o primeiro milhão de inscritos em seu canal no YouTube, hoje bastante empoeirado, já que a artista e influenciadora concentrou seus esforços no Instagram.

A festa aconteceu na ParaĂ­ba e foi crescendo a partir da percepção de Gkay do que seus convidados queriam. “Eu fiz a farofa no primeiro ano porque fui numa festa do Gabriel Diniz, que era muito meu amigo, e um amigo meu da Ă©poca me perguntou por que eu nĂŁo fazia uma festa assim no meu aniversário. Fiz no mesmo lugar, todo mundo se divertiu, brincou e tudo mais. No ano seguinte, um doido chegou pra mim e disse: ‘TĂ´ abrindo um hotel em JoĂŁo Pessoa e quero hospedar seus convidados, sĂł que lá era pequeno. Eu fui espalhando as pessoas em outros. SĂł que todo mundo queria ficar no que nĂŁo cabia. O dono do hotel servia caipirinha de madrugada pros convidados! DaĂ­ vi que o que as pessoas queriam era era ficar todo mundo junto. EntĂŁo, a Farofa tem que ser dentro de um hotel. Todo mundo faz o que quer, vai para o quarto fazer o que quer”, diz ela, tentando explicar a gĂŞnese do sucesso de seu megaevento, que já no primeiro ano virou notĂ­cia por conta de um mĂ©nage protagonizado por Boca Rosa, Marina Ferrari e o namorado de Marina na Ă©poca.
Outro componente dessa fórmula de sucesso em que se transformou Gkay pode estar em sua franqueza. Ela não faz a linha misteriosa. Se pega famoso, diz o nome. Entrega as amigas famosas que já dividiram boys com ela. Não tem vergonha de dizer quando precisa de dinheiro emprestado e ama o universo da fofoca, ao qual muito respeita.

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