‘BBB’: Lina já foi Lara, tatuou cicatrizes apĂłs câncer nos testĂ­culos e enfrentou pobreza. Veja curiosidades sobre a vida dela

Por Marina, ContilNet 02/03/2022 Ă s 11:29
Cena do filme 'Bixa travesty' em que Linn da Quebrada mostra perda de cabelo por causa de câncer (Foto: Nubia Abe / Divulgação)

Primeira travesti a participar do “Big Brother Brasil”, Lina, conhecida artisticamente como Linn da Quebrada, tem uma vida repleta de curiosidades e uma trajetĂłria de superação. Confira a seguir.

Lina nasceu na capital paulista, mas morou em Votuporanga e SĂŁo JosĂ© do Rio Preto, ambas em SĂŁo Paulo. Começou a carreira como performer e cantora no inĂ­cio da vida adulta e tem parte de sua histĂłria contada no documentário “Bixa Travesty”, de 2018, disponĂ­vel no Globoplay. O filme mostra Lina entre amigos e familiares relembrando acontecimentos importantes em sua jornada. Entre as pessoas que participam, está a cantora Liniker, uma de suas melhores amigas e com quem morou por um tempo. Numa cena em que aparecem com a mĂŁe de Lina, Lilian, elas lembram que mal tinham dinheiro para comer:

– Hoje vocĂŞ vĂŞ forte, rechonchuda, o pessoal atĂ© pergunta se ela está tomando hormĂ´nio – diz Linn sobre Liniker. – Mas antes eu já a vi magra, com a mĂŁozinha gelada, comendo pizza do lixo. Era Ă©poca de pobreza mesmo (…) A gente tinha trĂŞs reais para comprar um pĂŁo ou um salgado do dia anterior para a gente comer e fazer aula.

A mĂŁe de Lina protagoniza um momento importante do filme quando se confunde e chama a filha de “ele”. Na Ă©poca, a cantora ainda nĂŁo tinha tatuado na testa a palavra “ela”, mas foi neste ali que prometeu fazer o desenho. Esse episĂłdio já foi lembrado por ela no “BBB” 22. No final do longa, ela aparece num estĂşdio de tatuagem (foto abaixo).

A identidade de gênero de Lina e as dificuldades de ser reconhecida no feminino são os temas centrais da produção. Em vários momentos, a atriz e cantora ressalta o fato de que não precisaria ter uma aparência feminina para deixar de ser um homem, mas confessa que constantemente deseja ter um corpo mais dentro dos padrões de feminilidade aceitos pela sociedade.

– Eu queria que as pessoas olhassem para mim e vissem que eu nĂŁo sou um homem, mesmo que elas nĂŁo soubessem exatamente o que eu sou – diz ela. – Eles acham que a gente tem que virar a nossa cabeça e atender a essas expectativas. “Se vocĂŞ quer ser mulher, tenha peito. Se vocĂŞ quer ser mulher, nĂŁo tenha barba. Se vocĂŞ quer ser mulher, seja magra”. EntĂŁo, se vocĂŞ quer ser mulher, no mĂ­nimo tem que atender Ă s expectativas do que Ă© ser mulher. E nĂŁo necessariamente Ă© assim. Mas Ă s vezes eu tenho essa vontade.

No ano passado, Linn deu passos importantes na construção de sua identidade: colocou silicone nos seios e mudou sua certidão de nascimento. Com isso, ela passou a se chamar oficialmente Lina Pereira. Antes de sua transição, no entanto, a cantora chegou a usar outro nome.

– Eu já fui muitas. Fui o Lino (seu nome de batismo). Eu gostava do Lino, ele era inocente. E com ele surgiu a Lara quando eu tinha 17 anos. SĂł aparecia nas noites, ia para festas e fazias umas coisas que o Lino nĂŁo tinha coragem.

A origem de outra tatuagem bem visĂ­vel de Lina – os arranhões que tem no ombro – tambĂ©m Ă© explicada no filme. Na ocasiĂŁo, ela ainda nĂŁo tinha feito o desenho, mas contou que estava nos seus planos eternizar as cicatrizes que adquiriu em seu tratamento contra um câncer de testĂ­culo, descoberto em 2014.

– A pele ficou tĂŁo sensĂ­vel que sĂł de passar a mĂŁo arranhava e ficaram essas marcas – conta ela, que registrou sua doença atravĂ©s de uma sĂ©rie de vĂ­deos gravados durante a internação. Em um deles, ela surge arrancando seus cabelos, que caĂ­ram por causa do tratamento.

ConteĂşdo Original / Fonte: KOGOUT, O GLOBO

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂşdo de qualidade gratuitamente.