Ex-panicat revela ter sofrido assĂ©dio sexual e moral no “Pânico”

Por Marina, ContilNet 08/06/2021 Ă s 11:06
Reprodução/Instagram

Os Ăşltimos dois anos, Gabi Levinnt se descobriu como uma mulher de negĂłcios apĂłs se afastar da televisĂŁo.

O afastamento foi uma decisĂŁo da prĂłpria modelo depois de uma experiĂŞncia traumática no programa ‘Pânico’.

Em entrevista exclusiva para a coluna, Gabi revela ter sido vítima de assédios sexual e moral na atração por quatro anos, além de ter presenciado situações desagradáveis com suas colegas de trabalhos.

Gabi chama de ‘imundĂ­cie’ os bastidores da atração e assume que nĂŁo denunciou os crimes por medo de nĂŁo ter mais o trabalho.

“O ‘Pânico’ nĂŁo me dava dinheiro, mas me proporcionava fazer outras coisas fora da televisĂŁo como campanhas, desfiles para marcas, ensaios de biquĂ­ni e presenças vips e isso foi o que me tirou da pobreza. Eu cresci em uma das favelas do Jardim Ă‚ngela, aqui em SĂŁo Paulo, e consegui ganhar dinheiro com esses extras para sair de lá”, comenta ela, que precisou fazer terapia por conta da pressĂŁo e das crĂ­ticas. “Eu nĂŁo entendia direito por que era tĂŁo xingada, julgada e recebia ofensas pelo meu trabalho”.

VocĂŞ trabalhou nos programas ‘Legendários’, ‘ Pânico’ e ‘Top Game’ e no inĂ­cio de 2020, vocĂŞ anunciou que precisava de um tempo para se cuidar, para se tratar. O que aconteceu?
Eu resolvi largar tudo para tratar de uma depressão. Passei também por várias crises de ansiedade por conta de episódios que eu vivi nos bastidores da televisão. Sofri por uma exposição não tão legal e olha que não era aqueeeeela exposição porque eu nem era famosa, mas eu não queria mais ser vista daquele jeito. Fui fazer terapia, estudar e descobrir realmente quem eu era. Foi uma decisão bem pensada. Tive que sumir para me recuperar da imundície dos bastidores.

Quando vocĂŞ fala de ‘imundĂ­cie’ dos bastidores…
Eu falo de fofocas e principalmente de assĂ©dios sexual e moral que eu sofri durante os quatros anos que trabalhei no ‘Pânico’. Entrei lá em 2012 e saĂ­ em 2018 e vi como era um ambiente machista e tĂłxico. Muita baixaria. Eu trabalhava no programa ‘Legendários’ e fui indicada por uma amiga para fazer uma participação no ‘Pânico’, onde eu aparecia nua no lugar do entregador de pizzas. Topei porque a nudez nunca foi um problema para mim e atĂ© que foi tranquilo porque todos me respeitaram e tudo saiu melhor do que esperavam. Passei a ser chamada para outras gravações e uma vez no intervalo de uma delas, um dos diretores me chamou para um reservado. Eu juro que achei que ele iria passar alguma coisa, uma dica ou me cobrar algo. NĂŁo levei na maldade mesmo, mas aĂ­ ele me agarrou e colocou o p** para fora. Praticamente me obrigou a fazer um bo***** e disse : ‘se vocĂŞ quer aparecer mais, tem que colaborar’. SaĂ­ correndo, me mantive quieta o resto do dia e deixei para pensar o que iria fazer no dia seguinte. Decidi ver qual era a situação.

E qual era a situação?
Percebi que aquilo era uma coisa rotineira e que todas as meninas eram assediadas. Das panicats mais famosas atĂ© as que sĂł eram participantes de alguns quadro como eu era, todas eram assediadas sexualmente. TambĂ©m fui vendo que as meninas que topavam ‘colaborar’ iam subindo, iam aparecendo mais nos programas, ganhavam destaques.

VocĂŞ fala tambĂ©m de assĂ©dio moral…
Sim. Nós éramos chamadas de p**** e vagabundas pelos diretores e pelos atores. Diariamente. Os únicos que nos respeitavam eram o Carioca, Ceará e o Emílio. O resto nos xingava direito. Eu não ligava muitos para os xingamentos e não me afetavam porque eu sabia que aqueles adjetivos não eram pra mim. O que me deixava irritada e possuída de ódio era ter que sair ou dar para alguém para ganhar um destaque no programa. Também não gostava quando passavam a mão na minha bunda. Era direto, eu ficava indignada.

Você chegou a presenciar outros casos de assédios?
Sm. Algumas meninas tambĂ©m comentavam abertamente sobre o que andavam fazendo nos bastidores. Uma vez, durante uma gravação do quadro ‘A Igreja do Poderoso’, eu fiquei apertada para ir ao banheiro e como eu nĂŁo estava no set, saĂ­ para o alojamento. Quando cheguei a porta estava trancada e eu fiquei esperando um tempinho a pessoa sair. NĂŁo demorou muito e duas panicats saĂ­ram do toilet acompanhadas de um diretor famoso do programa.

Por que você não denunciou tudo isso na época?
Eu fiquei calada porque precisava daquele trabalho. O ‘Pânico’ nĂŁo me deva dinheiro, mas me proporcionava fazer outros trabalhos fora da televisĂŁo como campanhas, desfiles para marcas, ensaios de biquĂ­ni e presenças vips e isso foi o que me tirou da pobreza. Eu sou de uma favela do Jardim Ă‚ngela, aqui de SĂŁo Paulo, e consegui ganhar dinheiro com esses extras para sair de lá e poder ter uma vida melhor. Mas, quando eu saĂ­ do programa, eu briguei, xinguei e fiz um dossiĂŞ contando tudo que foi parar na direção. Soube que depois da minha Ăşltima gravação, o ‘ Largadas e Peladas’, algumas pessoas foram demitidas e dois meses depois o programa saiu do ar.

Por que vocĂŞ resolveu revelar isso agora?
Porque me sinto mais forte agora em poder falar sobre esse episódio desagradável que vivi e também considero que a minha revelação seja uma forma de alertar as pessoas. Outro dia mesmo li que um produtor vem tentando atrair meninas para a televisão prometendo mundos e fundos em nome de um grande diretor da Globo. É um golpe velho, mas muitas mulheres ainda caem. Caem nas mãos de produtores e diretores fakes, como os verdadeiros também, que são esses grandões que aparecem na televisão. Elas passam por situações terríveis. Todo mundo quer ainda ficar muito famoso, mas não sabem o submundo da caminhada da fama.

O que vocĂŞ anda fazendo?
Eu estou com 32 anos e trabalho com Instagram. Sou também microempresária com vendas de produtos para sobrancelha e estou montando um espaço beauty completo na zona sul de São Paulo.

Tem algum arrependimento?
NĂŁo tenho. Eu nĂŁo entendia direito por que era tĂŁo xingada, julgada e recebia ofensas pelo meu trabalho. Cheguei a ser agredida fisicamente sem saber o motivo. Hoje, depois de muita terapia, eu consigo me blindar e nĂŁo me abalar com as crĂ­ticas. Sabia que na Ă©poca de panicat ter um relacionamento amoroso era quase impossĂ­vel? Nenhum homem queria namorar uma mulher que aparecia de biquĂ­ni na televisĂŁo e era chamada de ‘p***’ nas ruas e nas redes sociais. Fico pensando nessas participantes do ‘De FĂ©rias com EX’, que aparecem nuas e transando sem o menor constrangimento e sĂł as panicats eram p****. DifĂ­cil, nĂ©? SĂł agora eu percebi que isso lá no fundo me abalava e eu nĂŁo tinha ideia desse sofrimento. Sumi do mapa justamente para me fortalecer e ter a certeza de que tudo Ă© um aprendizado.

ConteĂşdo Original / Fonte: IG

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂşdo de qualidade gratuitamente.