Maria Clara Gueiros: “Não me acho bonita, ganho no sorriso”

Por Marina, ContilNet 01/06/2015 às 14:09

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Quem vê Maria Clara Gueiros como a Karen de Babilônia tem a chance de conhecer a faceta séria da atriz, que é famosa por seus papéis cômicos em programas humorísticos, como Zorra Total, ou até em novelas. Sua personalidade, no entanto, é mais parecida com a da personagem da trama de Gilberto Braga. “Sou séria com minha família, compenetrada.

Sou outra pessoa”, afirma. Ao longo da conversa com QUEM, na casa de seu namorado, o músico e artista plástico Edgar Duvivier, pai do também ator e humorista Gregório Duvivier, a atriz revela aos poucos seu humor despretensioso, que está mais no jeito de falar do que no conteúdo. “Às vezes, falo algo e acaba ficando engraçado”, diz, diante da risada da repórter para uma de suas respostas.

“Nenhum comediante que conheço faz piada pegando lata de molho de tomate no supermercado”, completa. Mãe de dois filhos, João, de 20 anos, e Bruno, de 17, ela fala sem rodeios sobre a chegada aos 50, no dia 26 de maio. “Estou tranquila, correndo atrás de estar feliz”, comenta Maria Clara, que se acha fora do padrão de beleza televisivo. “Sempre me achei muito normal.”

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 QUEM:  A Karen é uma personagem séria. É algo que você buscava?
Maria Clara Gueiros:  Sempre digo que gosto de boas personagens, que tenham sido escritas por bons autores. Gilberto Braga é um ícone e confio em Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. Aceitei o papel sem saber o que era. Não me preocupo em fazer um drama para mostrar meu lado dramático. Sou atriz acima de tudo, gosto de fazer bons papéis e não vou conseguir escapar da comédia.

 

QUEM:  Gosta de mostrar isso ao público?
MCG: Amo, porque sou focada e tímida. Quando o comediante é tímido parece que é papo. No teatro ou na gravação, faço o que precisar, sem crítica. Mas detesto chamar atenção para mim quando não estou no palco. Não sou nada espaçosa, sou séria com minha família, compenetrada. Sou outra pessoa.

 

QUEM:  Desde que foi para o Zorra Total você não saiu da TV, a que atribui isso?
MCG: São dez anos, graças a Deus (risos)! Amo trabalhar como atriz. É com o que mais tenho prazer na vida. Entrei na TV com 17 anos de estrada no teatro, ralando por um lugar ao sol. Queria sobreviver da profissão, que é o que faço hoje. Emendei um trabalho no outro. Fiquei de 2004 a 2008 no Zorra, o que me deu notoriedade. Acho que entrei na roda.

 

QUEM:  E qual a sensação de entrar nessa roda?
MCG: É tão legal! Faço a mesma coisa que sempre fiz, só que agora as pessoas veem. As portas se abrem quando se está na TV Globo. Padeci a vida inteira, no teatro, ouvindo que precisavam de uma pessoa com nome. Eu nunca era essa pessoa, e agora sou.

 

QUEM:  Como é ter essa segurança?
MCG: É impagável (risos)! Eu fazia outras coisas para ganhar uma grana extra, embora meu ex-marido (Bernardo Jablonski, 1952-2011), com quem fui casada por 13 anos e a quem eu devo minha carreira, segurasse a casa toda. Ele era diretor de teatro do Tablado e levantava minha bola. Foi assim que fui ganhando poeira de palco e experiência. Quando o sucesso veio com a TV, eu já era megaescolada.

 

QUEM:  Humoristas são mais cobrados pelo público?
MCG: Aqueles que falam “adoro você, você me dá alegria” são a maior parte. Isso eu acho legal. Mas tem uma parte pequena, que é a que menos gosto, que pede para contar piada. No banco a atendente já falou: “Pô, você é séria”. E eu respondi: “Você quer que eu faça piada digitando a senha?”. Quando eu falo isso acaba ficando engraçado. Nenhum comediante que conheço faz piada enquanto pega molho de tomate no supermercado.

 

QUEM:  Antes do teatro você foi bailarina e psicóloga?
MCG: No ano em que me tornei atriz me formei em psicologia na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Eu tinha 22 anos e era bailarina de um grupo de sapateado. Um dia, o grupo resolveu fazer uma peça e descobri que era atriz nos ensaios. As pessoas riam e eu pensava se era boa. Mas para mim era cedo para aquilo virar uma profissão. Na minha cabeça certinha eu era psicóloga. Fiz três anos de mestrado e quando defendi a dissertação decidi fechar essa tampa. Amo psicanálise, mas não é ali que sou adulta. Na arte é que me sinto profissional.

Conteúdo Original / Fonte: Quem

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