Em seu primeiro discurso como rei, Charles III prometeu nesta sexta-feira se inspirar em sua “querida mãe”, Elizabeth II, transferiu ao filho mais velho e agora primeiro na linha de sucessão, William, os títulos de príncipe de Gales e duque da Cornualha, e declarou seu amor pelo filho rebelde, o príncipe Harry, que em 2020 se afastou de títulos e deveres da realeza e se mudou para os Estados Unidos com a mulher, Meghan.
Foram os primeiros passos naquele que deve ser o maior desafio do novo rei: superar sua impopularidade para liderar a monarquia britânica, cuja imagem e percepção de si foram por sete décadas indissociáveis da monarca que morreu na quinta-feira, aos 96 anos.
Em uma fala pré-gravada, Charles tentou passar uma mensagem de continuidade e conciliação. Disse que a rainha, que fez “sacrifícios pelo dever”, foi uma “inspiração e exemplo” para si e seus parentes, que devem a ela “a dívida mais profunda que uma família pode ter com sua matriarca”. Afirmou também se inspirar nela para “renovar” sua promessa de serviço ao povo britânico:
— Sua dedicação e devoção como soberana nunca cedeu, fossem tempos de mudança e progresso, tempos de alegria e celebração, e tempos de tristeza e perda.— disse ele. — Para minha querida mamãe, enquanto você começa sua última grande jornada para se juntar ao meu querido papai, quero simplesmente dizer isso: obrigado. Obrigado pelo seu amor e devoção à nossa família e à família de nações a qual você serviu tão diligentemente todos estes anos.,
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Charles, que aos 73 anos é o mais velho monarca britânico ao assumir, prometeu “solenemente, durante o tempo restante que Deus me der, respeitar os princípios constitucionais que estão no cerne” do Reino Unido:
— Nos últimos 70 anos, vimos nossa sociedade se transformar em uma de muitas culturas e fés. As instituições de Estado mudaram. Mas, frente a todas as mudanças e desafios, nossa nação (…) prosperou e floresceu. Nossos valores permaneceram e devem permanecer constantes. — disse Charles. — Eu me empenharei para servir com lealdade, respeito e amor, como tenho feito por toda a minha vida.
A rainha Elizabeth II pelos olhos dos maiores fotógrafos do mundo
Annie Leibovitz, David Bailey e Cecil Beaton foram alguns deles que registraram momentos da monarca, confira:
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No discurso, Charles III mencionou, além dos filhos, sua mulher, Camilla Parker-Bowles, que passou a ser a rainha consorte, em “reconhecimento ao seu próprio serviço público leal” desde o casamento dos dois, há 17 anos.
— Com Catherine ao seu lado, nossos novos príncipe e princesa de Gales continuarão a inspirar e liderar nossas conversas nacionais, ajudando a trazer os marginais para o centro, onde uma ajuda vital pode ser oferecida — disse, referindo-se a William e à nora, Kate Middleton. — Também quero expressar meu amor por Harry e Meghan enquanto eles continuam construindo suas vidas no exterior.
Corpo a corpo
Antes do discurso, Charles, vindo de Balmoral, na Escócia, onde a mãe morreu, passou 12 minutos cumprimentando súditos que o aguardavam no Palácio de Buckingham, em sua primeira interação com a população após se tornar chefe de Estado.
Em uma quebra de protocolo, uma mulher não identificada deu um beijo em sua bochecha. Ela pareceu ter perguntando antes, e o rei pareceu ter aceitado, já que inclinou a cabeça. Junto com Camilla, o monarca também observou buquês deixados pela população no palácio.
Charles III terá que forjar uma marca própria para seu reinado em um momento de pessimismo para os britânicos, que enfrentam a maior inflação anual em 40 anos e uma recessão no horizonte. Antes da morte de Elizabeth II, cuja aprovação era de 75%, apenas 42% dos britânicos tinham uma imagem positiva do herdeiro do trono, segundo pesquisa do YouGov. William, por sua vez, é aprovado por 66%.
Há anos especula-se sem muito fundamento que Charles poderia abrir mão do trono em benefício de William. Com 40 anos recém-completados, três filhos pequenos e um casamento aparentemente estável, o príncipe é visto como o símbolo de uma realeza jovem e menos sisuda.
Já a relação de Harry com seu pai é frágil desde que ele e Meghan anunciaram que abandonariam suas funções reais. Os atritos pioraram após uma explosiva entrevista do casal, no ano passado, à apresentadora Oprah Winfrey, acusando integrantes da família real de racismo. Harry disse abertamente que sua relação com o pai e o irmão desandou desde então, e Meghan nem sequer viajou a Balmoral junto com o marido para se despedir de Elizabeth II.
