Suspenso durante a semana por ter chutado um microfone de transmissão na partida contra o Mirassol, o técnico Abel Ferreira conseguiu um efeito suspensivo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e comandou o Palmeiras no confronto diante do Botafogo. Na entrevista coletiva realizada após a partida, o treinador português criticou a presença do equipamento na beira do gramado e ironizou o posicionamento das captações de áudio.
“Eu tinha três microfones ao meu lado, prontinhos para os erros da arbitragem e eu poder chutar. Foi feito de propósito. Só que, dessa vez, eu consegui controlar os demônios dentro de mim”, afirmou o treinador.
Abel questionou o uso dos equipamentos nas transmissões do futebol brasileiro e comparou a estrutura local com os padrões adotados em torneios internacionais. “E vou dizer mais, porque me sinto no direito. Vocês veem microfone na Champions League? No Mundial de Clubes? Na Liga Europa? Nos campeonatos europeus? Por que aqui tem? O que querem com isso? Fazer manchetes?”, declarou.
Além das críticas à estrutura do campo, o treinador palmeirense citou episódios do jogo para questionar a arbitragem e reiterar o autocontrole mantido na beira do gramado.
“Primeiro lance, expulsão em cima do Andreas. Ele domina a bola para o lado do Marçal, na minha opinião, é claro, e o árbitro entendeu dar amarelo. Tudo certo. Três microfones, eu segurei-me. O Ferraresi, na minha frente, fez uma entrada de sola no Andreas. Era o segundo amarelo, e o árbitro não deu. Três microfones, eu consegui me segurar”, disse.
O português comentou ainda o lance em que o zagueiro Barboza recebeu o cartão vermelho na reta final da partida. “No final, Barboza foi disputar a bola, não sei se tocou o braço, o jogador deles ficou embaixo do braço, e o árbitro deu o segundo amarelo. E vocês não me viram chutar microfone nenhum. Analisem como quiserem. Mas eu agradeço que, na próxima, em vez de meter três microfones, coloquem quatro para ver se conseguem ouvir alguma coisa”, concluiu.
