Alvo de duras críticas e chamado de “incompetente” pelo presidente do próprio país, Hong Myung-Bo precisou de escolta policial antes de abandonar o território asiático.
A paixão pelo futebol muitas vezes ultrapassa as barreiras do bom senso e atinge extremos alarmantes durante a disputa de uma Copa do Mundo.
O que deveria ser apenas uma análise técnica sobre um desempenho abaixo do esperado em um torneio esportivo transformou-se em um caso de segurança internacional, forçando um comandante a abandonar sua pátria para salvaguardar sua integridade física.
A eliminação precoce na fase de grupos desencadeou uma onda de hostilidades que envolveu desde torcedores radicais até a cúpula do governo local.
O refúgio na América, os ataques políticos e a apuração dos fatos
O treinador viu sua rotina ser completamente alterada após o encerramento abrupto da campanha de sua seleção no torneio mundial.
De acordo com as informações apuradas pelo jornalista Marcello Hendriks para o portal METRÓPOLES, o técnico Hong Myung-Bo, que comandou a Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026, deixou o país asiático rumo aos Estados Unidos apenas dois dias após desembarcar com a delegação.
A reportagem detalha que a viagem de emergência ocorreu após o treinador virar alvo de intensas críticas públicas e receber graves ameaças de morte devido à queda precoce do time na primeira fase da competição.
A situação do comandante ficou insustentável logo após o retorno da delegação ao solo sul-coreano. Sob fortes protestos e xingamentos da torcida, o técnico precisou de reforço e escolta policial no aeroporto, conforme relatado originalmente pelo periódico Korea JoongAng Daily. Diante do cenário hostil, ele convocou uma coletiva de imprensa, anunciou formalmente seu pedido de demissão do cargo e arrumou as malas para deixar o país.
O rendimento em campo e o forte ataque do mandatário do país
A campanha dos guerreiros de Taegeuk
A participação da Coreia do Sul no Grupo A da Copa do Mundo de 2026 alternou momentos de esperança com frustrações rápidas:
-
A equipe estreou na competição com uma grande vitória de virada por 2 x 1 contra a Tchéquia.
-
Nas rodadas seguintes, o rendimento despencou, culminando em derrotas consecutivas para o México e para a África do Sul, resultados que selaram a eliminação na fase de grupos.
A interferência presidencial
As ameaças e o clima de linchamento virtual ganharam ainda mais força após o posicionamento do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung. Em uma publicação oficial na rede social X, o chefe de Estado atacou a comissão técnica de forma direta, declarando-se perplexo com o resultado e classificando Hong Myung-Bo como um profissional “incompetente”.
O político argumentou que a escolha de aliados em detrimento da competência técnica óbvia gerou o fracasso na competição. Antes de embarcar para os Estados Unidos, Hong Myung-Bo conversou rapidamente com jornalistas e negou de forma categórica os boatos de que rachas ou conflitos internos entre os jogadores teriam prejudicado o desempenho do elenco.
Por que o ex-técnico da Coreia do Sul, Hong Myung-Bo, decidiu deixar o país?
O treinador Hong Myung-Bo decidiu deixar a Coreia do Sul e viajar para os Estados Unidos por questões de segurança. Ele passou a sofrer intensos protestos, perseguições e recebeu diversas ameaças de morte de torcedores após a eliminação da seleção na fase de grupos da Copa do Mundo.
Qual foi o desempenho da Coreia do Sul na Copa do Mundo de 2026?
A seleção sul-coreana começou o torneio vencendo a Tchéquia por 2 x 1. No entanto, o time acabou eliminado ainda na primeira fase da competição após sofrer derrotas seguidas para as seleções do México e da África do Sul.
O que disse o presidente da Coreia do Sul sobre o treinador após a eliminação?
O presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, usou as redes sociais para desabafar e criticar duramente a comissão técnica. O mandatário afirmou estar perplexo com a eliminação e chamou o técnico Hong Myung-Bo de “incompetente”, alegando que a federação escolheu aliados em vez de priorizar a capacidade técnica.

