Uma decisão de bastidores da Fifa abriu uma crise institucional sem precedentes com a Uefa na manhã desta segunda-feira (6). A entidade máxima do futebol mundial anulou os efeitos práticos do cartão vermelho recebido pelo atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, permitindo que o atleta enfrente a Bélgica pelas oitavas de final da Copa do Mundo hoje, às 21h (horário de Brasília). A medida provocou reação imediata e contundente da federação europeia, que contestou publicamente a lisura do processo.
Balogun havia sido expulso no confronto anterior, em que os Estados Unidos venceram a Bósnia e Herzegovina, após desferir uma entrada faltosa de alta intensidade no defensor Tarik Muharemovic. Pelas regras padrão do Código Disciplinar da Fifa, a aplicação do cartão vermelho direto impõe, obrigatoriamente, o cumprimento de suspensão automática na partida subsequente, sem margem legal para a apresentação de recursos por parte das seleções.
Para liberar o atleta norte-americano para o duelo decisivo das oitavas de final, a Fifa recorreu a uma interpretação heterodoxa do artigo 27 de seu próprio Código Disciplinar. A comissão técnica da entidade deliberou que a punição de um jogo de afastamento ficará sob condição suspensa ao longo de um período probatório com duração de um ano.
“Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração”, determinou o comunicado oficial emitido pela Fifa para fundamentar o ato.
Com o parecer favorável obtido nas instâncias jurídicas da federação internacional, os Estados Unidos ganham o reforço de seu principal articulador ofensivo para o embate eliminatório contra a seleção belga.
O veredito da Fifa rompe com o histórico de aplicação rigorosa das sanções de campo e gerou forte desconforto na cúpula da Uefa. Em nota oficial distribuída à imprensa regional e internacional, a confederação europeia subiu o tom e classificou o episódio como um revés para a credibilidade das regras que regem o esporte, rotulando o ato como algo “inédito, incompreensível e injustificável”.
A federação do continente europeu argumentou que a interpretação dada ao regulamento desidrata a autoridade da arbitragem e o princípio de igualdade entre as federações que disputam o torneio mundial.
“O futebol, como qualquer outro esporte, baseia-se em regras, que são o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras estão sujeitas à interpretação. Neste caso, não estão”, disparou a Uefa em seu posicionamento escrito.
