05/09/2026

Melhor do Academy, Dioge sonha com CBLOL, mas não vê pressa

Jogador que brilhou pela KaBuM no campeonato de base do LoL brasileiro torcia pela equipe antes de virar profissional e quase competiu no Counter-Strike

Por Douglas
Dioge, no palco do Prêmio CBLOL 2023, ao ser eleito o melhor jogador do CBLOL Academy da temporada — Foto: Bruno Alvares, Cesar Galeão & Dayane Cruz/Riot Games

Eleito o melhor jogador do CBLOL Academy, o campeonato de base do League of Legends brasileiro, Diogenes “Dioge” estava nervoso no discurso da vitória no Prêmio CBLOL 2023. Quando questionado se estava pronto para o CBLOL, Dioge respondeu sucintamente que sim, em um misto de nervosismo, objetividade e assertividade. O jogador, de 21 anos, quer estar no principal torneio de LoL do país, mas sustenta não ter pressa para isso.

— Eu não tenho pressa. O que for para acontecer, vai acontecer. Não tenho pressa de ‘meu Deus, eu preciso jogar o CBLOL’. No tempo do CBLOL e das coisas, vai acontecer. Eu escolhi esse caminho e vou até o fim — cravou Dioge em entrevista exclusiva ao ge, na qual contou a história de vida e a trajetória dele no LoL.

É que, para Dioge, não ser bem-sucedido não é uma opção. Ele largou a escola no 6º ano do Ensino Fundamental para só jogar LoL.

— Para mim, não é tortura nenhuma seguir até o fim. Eu gosto muito de jogar este jogo. Mas, se um dia começar odiar, eu vou ter que continuar seguindo até o fim.

Dioge, no palco do Prêmio CBLOL 2023, ao ser eleito o melhor jogador do CBLOL Academy da temporada — Foto: Bruno Alvares, Cesar Galeão & Dayane Cruz/Riot Games

Embora não tenha pressa, Dioge sonha em disputar o CBLOL, onde poderá evoluir mais.

— Eu sinto que sou uma pessoa que aprende mais jogando do que estudando o jogo. Não desmerecendo o Academy, mas não tem mais muita coisa para aprender. Com certeza vou aprender algo mais, mas eu tenho mais a perder do que a ganhar. Eu queria jogar o CBLOL não para ser f* no CBLOL, mas sim para aprender mais. Talvez eu suba para o CBLOL e me saia bem ou mal, mas com certeza eu vou ficar bom lá.

Dioge faz parte da KaBuM Academy desde 2021, depois de ter sido selecionado em testes para o time de base.

Games, da infância à profissão

Nascido em São Paulo, com os pais vindos de Salvador (BA), Dioge tem três irmãos mais velhos e começou a se interessar por games desde criança. Já desde a infância Dioge jogava diversos jogos com os irmãos.

— Por sermos em quatro, era muita competição, era o dia todo jogando. Nós gostávamos dos games que dava para um amassar o outro. Tudo que desse para ir um contra o outro, nós estávamos jogando — relembrou o atleta.

Dioge entrou no LoL por indicação de um vizinho há dez anos. Ele chegou ao nível Ouro e conheceu o cenário competitivo em 2015, quando passou a mirar a carreira de jogador profissional. Nenhum outro game, seja de computador ou console, havia captado tanto a atenção e a paixão de Dioge.

— Era um jogo bem diferente de todos os outros que eu joguei e eu comecei a jogar bastante. Em 2015 eu vi a final do Mundial e achei a energia muito massa. Assim que vi, falei ‘quero ser pro-player’ e fui atrás — contou.

— Eu comecei a jogar o máximo de games que eu conseguia no dia, todos os dias. Eu acordava e jogava até a hora de dormir, todo dia fazendo a mesma coisa.

Dioge pegou o nível Desafiante, o mais alto do LoL, em 2018, ano em que se tornou torcedor da KaBuM, principalmente por conta do atirador Alexandre “TitaN” e do meio Matheus “Dynquedo”. Naquela temporada, a KaBuM venceu as duas edições do CBLOL.

Dividido entre o CS e o LoL

Depois de pegar o Desafiante, Dioge se afastou do LoL e começou a jogar Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). Ele logo chegou a Global, o nível mais alto do First-Person Shooter (FPS).

— O LoL, sinceramente, era um jogo completamente diferente. Um jogo em que tem que pensar e que eu nunca tinha jogado. No CS, tem uma estratégia, mas o ponto mesmo é só atirar, sabe? Vai mirar no cara, vai atirar e vai matar. No LoL tem toda a estratégia, tem todo objetivo, toda uma diferença — explicou Dioge, relembrando que precisou pensar bem sobre em qual modalidade seguir.

— Eu fiquei bem na dúvida se iria para o LoL ou para o CS. Senti que tinha futuro nos dois, mas que, no CS, o cenário era bem mais fechado. Era muito difícil entrar. Tinha que ser realmente muito diferente para conseguir algo, enquanto que, no LoL, não.

Ele não chegou a competir no CS:GO, nem mesmo em torneios amadores, e iniciou a trajetória no LoL com uma equipe de amigos em classificatórios para o Circuito Desafiante, o antigo campeonato da 2ª divisão do LoL brasileiro. Foi um treinador daquele time que o recomendou para o teste na KaBuM, em uma época em que estava desanimado e se afastando do LoL.

— A partir dali eu voltei. Meu sonho começou ali. Meu sonho não era ser pro-player, meu sonho era ser um jogador bom. Ali estava começando meu sonho, e eu comecei a gostar de LoL de novo.

De torcedor a contratado da KaBuM

Era o início do sonho da carreira profissional, justamente pela equipe da qual era torcedor desde 2018.

— Eu fiquei bem nervoso. Eu joguei o ‘tryout’ [processo seletivo] como se fosse a final da minha vida.

— Foi no momento que eu passei no ‘tryout’ que eu vi que não tinha mais volta, ainda mais por tudo que eu fiz na vida, de largar a escola. Agora tem que seguir até o fim.

Ele praticamente não jogou e treinou com a KaBuM Academy em 2021, começou a ter mais oportunidades em 2022 e só se consolidou mesmo neste ano. O time de base dos Ninjas ficou na 4ª posição do 1º Split e conquistou o título no 2º Split.

O tempo em que, depois de contratado, ficou sem competir não abalou os planos de Dioge para a carreira.

— Eu sabia que, por ter o nome da KaBuM, mesmo não jogando, eu já tinha alguns olhos para mim. Não abalou. Eu sabia que, quando tivesse uma chance, iria me sair bem.

E a recompensa veio com ótimas atuações, principalmente no 2º Split do CBLOL Academy.

— Sinceramente, o que ajudou foi ter essa seleção. Meu time é cheio de jogadores bons e experientes. É muito fácil jogar com eles.

Temporada de destaque

Dioge contou que, no início da temporada, considerava ser o pior jogador do elenco, que conta com o topo Cleber “SuperCleber”, o caçador Samuel “Samkz”, o atirador Gabriel “scuro” e o suporte Guilherme “Guigs”.

— Ser indicado [ao Prêmio CBLOL], não que seja uma comparação, talvez [signifique que] eu não sou tão ruim quanto eu pensava. Em questão de evolução, se eu não sou o que mais evoluiu, estou entre eles.

— Ganhar como melhor jogador do Academy é aumentar a minha confiança em mim. Ganhar um prêmio entre tanto jogador bom, é porque eu fiz algo direito. É muito bom para mim.

Na entrevista ao ge, realizada antes da cerimônia de premiação, Dioge contou que não sabia o que falaria no discurso em caso de vitória. Iria de improviso. Mas com muito medo.

— Eu estou nervoso porque, desde o começo do ano, eu falava que, se eu ganhasse, iria ter muito medo de fazer discurso lá em cima para todo mundo.

O nervosismo se confirmou diante das câmeras na hora do discurso, mas a persistência de Dioge também é nítida, em uma trajetória que começou como torcedor e terminou como jogador profissional com um futuro pela frente.

Conteúdo Original / Fonte: GE

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