A AmazĂ´nia possui uma imensa diversidade de animais. Alguns deles sĂŁo considerados predadores, por possuĂrem trĂŞs caracterĂsticas em comum: eles caçam, matam e consomem suas presas.
Eles provocam medo não só nas espécies mais vulneráveis, mas também nas pessoas que se arriscam a entrar na floresta. O g1 ouviu um biólogo para descobrir quais são, entre todos, os maiores predadores da floresta amazônica (veja lista e fotos abaixo).
Antes de tudo, o que sĂŁo predadores?
O biĂłlogo Obed Barros explicou ao g1 que para um animal ser considerado um predador, ele precisa praticar trĂŞs ações diferentes na natureza: capturar, matar e consumir suas presas. Este ato, segundo ele, Ă© chamado de “predação”.
O biĂłlogo contou que os predadores costumam ter armas biolĂłgicas e bioquĂmicas que facilitam a caça de suas presas, alĂ©m de habilidades especĂficas de cada espĂ©cie e força.
Onça pintada (Panthera Onca)
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Onça pintada é considerada um dos maiores predadores da Amazônia. — Foto: Edir Alves/Divulgação
Segundo o biĂłlogo, a onça pintada Ă© o terceiro maior felino do mundo. Ele pode chegar a pesar entre 60 e 95 quilos. Da ponta do focinho atĂ© a cauda, mede cerca de 1,5 metros e tem cerca de 75 centĂmetros de altura.
“É um animal que habita desde lá do sul do MĂ©xico atĂ© a Argentina. Vários ambientes, mas na AmazĂ´nia, ele Ă© encontrado principalmente em florestas de terra firme, mas pode estar em várzeas e igapĂł. VocĂŞ pode encontrar o bicho o dia inteiro, mas ele tem hábitos crepusculares para predação. É a hora que está mais ativa para predação”, informou.
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Onça-pintada. — Foto: Brandi Jo/Instituto Mamirauá
Barros informou que a onça pintada tem a força de mordida com as mandĂbulas mais forte entre todos os felinos do mundo. A predação desse animal costuma acontecer atravĂ©s de uma aproximação atĂ© a presa e, em seguida, atacam.
“Elas detectam a presa por faro, visĂŁo, audição e tentam se aproximar o máximo possĂvel para dar um bote certeiro. Um bote Ă© uma corrida curta, muito rápida, para tentar capturar o animal. Ela tenta pegar na regiĂŁo do pescoço. As garras sĂŁo mais para abraçar e os dentes enormes sĂŁo usados para quebrar a coluna e o animal acabar morrendo”, explicou.
Em seguida, as onças pintadas costumam comer animais grandes, como antas, por até três dias. Já as presas menores, elas comem grande parte dos animais e deixam os restos no local onde o ataque aconteceu.
Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis Muta)
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Surucucu-pico-de-jaca é vista com menos frequência na natureza. — Foto: Willianilson Pessoa/Arquivo
A surucucu-pico-de-jaca Ă© a maior serpente peçonhenta da regiĂŁo amazĂ´nica, segundo Barros. O nome, segundo ele, vem das caracterĂsticas da cobra de ter uma cor amarela, triângulos pretos e escamas grandes e ásperas, que remetem a fruta jaca.
Ela pode chegar a medir atĂ© 3,5 metros. É um animal que vive sozinho e Ă© um predador que possui dentes articulados e especĂficos para aplicar veneno em suas presas.
“A tĂ©cnica de captura delas Ă© o ‘senta e espera’. Elas normalmente percebem trilhas por onde animais passam pelo faro. Se aproximam dessa trilha e utilizam suas armas. O olfato delas Ă© realizado com a lĂngua, que capta as partĂculas do ar. Outro sensor que utilizam Ă© a vibração, quando animais andam. Ela percebe tambĂ©m mudanças de calor no ambiente atravĂ©s de um canal que fica entre a narina e os olhos. O animal, quando está muito perto, ela consegue perceber e dá o famoso bote”, disse.
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Surucucu-pico-de-jaca tem hábito noturno. — Foto: Arquivo / Terra da Gente
Para o ataque, a cobra joga parte do corpo para frente, morde a presa, e volta para onde estava, rapidamente. Na mordida, ela solta a maior quantidade possĂvel de veneno no animal que atacou, para comĂŞ-lo em seguida.
“No veneno dela, tem substâncias que atacam o sistema nervoso, que destrĂłi o tecido, causa necrose e hemorrágico que evita a coagulação do sangue. Quando o animal Ă© picado, a tendĂŞncia Ă© correr. O neurolĂłgico faz com que o animal pare logo a frente. Junto co
A junção do efeito dessas substâncias faz com que as presas não consigam fugir, soltem sangue após a mordida e até fazer com que o animal urine de dor. Com isso, a surucucu-pico-de-jaca consegue farejar, sentir o calor do sangue e urina da presa e comê-la.
GaviĂŁo Real (Harpia Harpyja)
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Gavião-real (Harpia harpyja) fotografado em Manaus (AM). — Foto: Priscilla Diniz/VC no TG
O Gavião Real é a maior águia do mundo, segundo Barros. O animal pode chegar até um metro de altura, quando adulto e faz parte do grupo de aves de rapina, que usam garras para matar durante a predação.
“As garras de um gaviĂŁo real pode chegar a sete centĂmetros de comprimento. O animal tem muita força na pata. Quando ele prende com os trĂŞs dedos da frente e crava com os de trás, entra sete centĂmetros no corpo da presa e Ă© um animal que mata dessa forma”, disse.
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Gavião-real. — Foto: Carlos Tuyama/Arquivo pessoal
Os animais da espécie costumam andar sozinhos. As principais presas dos gaviões reais são macacos, roedores e preguiças. O bico afiado é usado para cortar as carnes das presas.
“Ele procura árvores bem grandes. Ficam por lá observando, mudando. Encontrando a presa, ele vai se lançar em cima dela. Presas de chĂŁo, eles procuram áreas com mata um pouco mais abertas, que possam ver o chĂŁo. Como sĂŁo muito grandes, quando precisam ir ao chĂŁo, eles tĂŞm que dar preferĂŞncia para essas áreas mais abertas. NĂŁo Ă© um bicho tĂŁo comum de ver”, informou Barros.
Ariranha (Pteronura Brasilienses)
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Ariranhas podem ser encontradas na região norte da Amazônia, em Roraima — Foto: Thiago Orsi Laranjeiras/Divulgação
A ariranha é considerada a maior lontra do mundo. Ela vive em grupos familiares que pode ir de três até 20 animais, dependendo da quantidade de filhotes que nascem por geração reprodutiva. Quando está em grandes grupos, Barros afirmou que nem onças conseguem atacar as ariranhas.
“SĂŁo animais bastante ferozes. NĂŁo tem predador natural depois que sĂŁo adultos, porque os grupos se defendem. Elas conseguem se defender de todo e qualquer tipo de predação”, afirmou.
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Viveiro de ariranhas é uma das atrações do Bosque da Ciência, em Manaus. — Foto: Jamile Alves/G1 AM
A espĂ©cie tem 16 formas de comunicação especĂficas, para sinalizar diferentes situações. As ariranhas vivem nas margens dos rios, mas tambĂ©m dentro da água. A prática de predação das ariranhas sĂł acontece dentro do ambiente aquático, segundo o biĂłlogo.
“Elas podem comer atĂ© 56 espĂ©cies de peixes, aqui na AmazĂ´nia. Elas tĂŞm uma certa preferĂŞncia por sardinhas, piranhas, pescadas, pacĂş, jaraqui, aracu. Depende muito de onde elas estĂŁo, se ambientes de água preta ou branca”, disse.
Quando captam suas presas, elas costumam levar as presas até a margem, com as mãos e come o peixe pela cabeça, com seus dentes grandes e afiados.
Jacaré-Açu (Melanosuchus Niger)
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Jacaré-açu. — Foto: Divulgação/Ibama
O jacaré-açu é considerado o maior jacaré de água doce do mundo. Ele pode chegar até seis metros e é extremamente feroz, de acordo com Barros. Costumam viver em lagos e comem, de preferência, peixes, mas também outras espécies.
“Eles sĂŁo oportunistas. Se encontram uma carcaça, ou alguma presa mais fácil, como um pato, ou uma garça, eles podem sim se aproveitar da oportunidade, por isso chamamos de oportunistas”, informou o biĂłlogo.
Conforme Barros, os jacarés-açu têm uma mordida extremamente forte que causa grandes danos em suas presas. Por isso, costuma matar rápido os animais maiores, para que não fujam.
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Jacaré-açu possui olhos bem salientes e narinas no topo — Foto: Paulo Gil/Zoo-SP/Divulgação
“Quando vĂŞ uma presa, normalmente dentro d’água, ele afunda, nada atĂ© ela e ataca ela por baixo. Se for na margem, ele vai se aproximar por baixo d’água o máximo que ele conseguir e dar o que a gente chama de bote. Uma corrida rápida atĂ© capturar o animal. Com presas grandes, eles mordem e sacodem com muita violĂŞncia e arrancam um pedaço e engolem, atĂ© se saciar”, explicou o biĂłlogo.
Ainda segundo o biólogo, quando os jacarés-açu engolem suas presas, eles conseguem digerir 98% dos animais. Com isso, eles podem comer um peixe grande como tucunaré e ficarem até um mês sem precisar se alimentar novamente.

