Mais de 100 indĂ­genas de 5 etnias guiam as buscas por Bruno Pereira e Dom Philips

Por G1 15/06/2022 Ă s 08:37
Foto: REUTERS/Bruno Kelly

IndĂ­genas de diferentes etnias tĂŞm guiado as equipes oficiais integradas por homens da PolĂ­cia Federal, ExĂ©rcito e Marinha nas buscas pelo indigenista Bruno Pereira e pelo jornalista Dom Phillips, desaparecidos no Amazonas. O grupo de indĂ­genas, que faz uma investigação por conta prĂłpria, foi responsável por achar os pertences dos dois e tambĂ©m por encontrar o barco de Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, investigado pelo desaparecimento. Em seguida, as autoridades foram informadas. Nesta quarta-feira (15), as buscas completam 11 dias – 10 pelas autoridades oficiais.

Os indígenas começaram as buscas pelos dois no dia do desaparecimento, em 5 de junho. Eles chegaram a montar um acampamento flutuante e itinerante na região onde Bruno e Dom foram vistos pela última vez (Veja o vídeo acima).

De acordo com o assessor jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Yura Marubo, participam dos trabalhos indígenas das etnias Marubos, Maiurunas, Matis, Kulinas e Kanamaris. O grupo tem cerca de cem voluntários, que atuam em uma área de 10 Km.

“Esse trabalho tem se concentrado abaixo da Comunidade Cachoeira e envolve todas as etnias que estĂŁo no Vale do Javari. Os Marubos estĂŁo atuando, os Maiurunas encontraram a entrada no igapĂł que pode ter sido feita por uma embarcação. Os Matis encontraram os pertences. Temos tambĂ©m os Kanamaris e os Kulinas fazendo as buscas por terras. EntĂŁo, Ă© um trabalho em conjunto”.

Os indígenas montaram equipamento na margem esquerda do Rio Itaquaí. Lá, eles fazem um trabalho minucioso de investigação, tanto no solo quanto no rio. Ao encontrar algo que tenha o mínimo vestígio de ligação com o desaparecimento de Bruno e Dom, eles acionam a coordenação da Univaja que, posteriormente, informa às autoridades competentes.

Foi assim que aconteceu com uma lona e os pertences de Bruno e Dom encontrados em uma área de igapĂł. Os indĂ­genas acharam os materiais no sábado (11) e a Univaja comunicou Ă  polĂ­cia, que foi atĂ© o local no domingo (12) e isolou o local. 

Indígenas montaram equipamento próximo ao local das buscas. — Foto: Rôney Elias/Rede Amazônica

Indígenas montaram equipamento próximo ao local das buscas. — Foto: Rôney Elias/Rede Amazônica

Segundo Yura, as equipes de indígenas que participam das buscas foram treinadas pelo próprio indigenista Bruno Pereira durante uma atividade da Univaja, no passado. Agora, são elas que procuram pelo instrutor e contam com o reforço de equipamentos via satélite.

“Chegaram equipamentos, como telefones via satĂ©lite de Ăşltima geração, e esse equipamento está com essa nossa equipe que foi treinada pelo prĂłprio Bruno. AlĂ©m disso, a gente tambĂ©m conta com outros georreferenciamentos e vamos investir em tudo o que a gente pode para acha os dois”.

Protestos pedem solução do caso

Indígenas protestam em Atalaia do Norte (AM) e cobram mais rapidez nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips. — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Indígenas protestam em Atalaia do Norte (AM) e cobram mais rapidez nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips. — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Na segunda-feira (13), indígenas de Atalaia do Norte fizeram uma manifestação em apoio a lideranças da Univaja. O ato também ocorreu em solidariedade às famílias dos desaparecidos.

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