Yanomamis se formam professores de lĂ­ngua indĂ­gena: confira

Por Marina, ContilNet 25/08/2022 Ă s 10:44
Formatura foi realizada em São Gabriel da Cachoeira, o município mais indígena do Brasil. — Foto: Divulgação/Ufam

O município de São Gabriel da Cachoeira (AM), considerado o mais indigenista do Brasil, passou a contar com 42 professores de língua indígena formados pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O grupo é da etnia Yanomami e colou grau no sábado (20). O município é composto por 23 etnias, que comportam 97% dos indígenas do Brasil.

A cerimônia foi realizada no próprio território Yanomami, aos pés do Pico da Neblina, o ponto mais elevado do Brasil. Segundo a Ufam, além deles, os baniwa, os tukano e os de língua yêgatu, também concluíram o curso nos meses de julho e agosto e tiveram suas cerimônias de outorga de grau igualmente em terra indígena.

Para chegar até o local, foi preciso enfrentar horas de voo e uma travessia de barco, regada por uma chuva torrencial. Nessa época do ano, de agosto até setembro, é inverno na região do Alto Rio Negro, portanto, é quando mais chove. O acesso às comunidades é facilitado e o rio está mais volumoso, mas isso não torna a viagem mais segura já que os riscos são iminentes.

Além dos Yanomamis, outras etnias também tiveram colações de grau. — Foto: Divulgação/Ufam

Além dos Yanomamis, outras etnias também tiveram colações de grau. — Foto: Divulgação/Ufam

Concluída a travessia, a comitiva da Ufam chegou ao local já no início da noite. Além de representantes da universidade, a cerimônia contou com membros das Forças Armadas e representantes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), parceira da Universidade na execução do projeto, além de outras associações indígenas.

Os até então formandos homenagearam com o nome da turma o cacique Joaquim Figueiredo e os tuxauas Daniél Góes e Osvaldo Lins, já falecidos.

Familiares participaram da cerimônia. — Foto: Divulgação/Ufam

Familiares participaram da cerimônia. — Foto: Divulgação/Ufam

Em sua fala, o reitor da Ufam, Sylvio Puga, mencionou a Constituição Federal de 1988 pelo qual o Estado Brasileiro passou a incorporar a concepção de diversidade étnico-cultural, implicando dizer que os povos tradicionais estão, nos termos da lei, com os direitos resguardados.

“Na prática, o desafio de implementar polĂ­ticas voltadas a esses povos Ă© do tamanho da nossa regiĂŁo. É difĂ­cil promover conhecimento de forma que as etnias nĂŁo se desassociem da cultura, de seu valor de pertencimento Ă©tnico, de sua lĂ­ngua materna ao passo que se insira nos processos de aprendizagem”, observou.

“AlĂ©m da educação diferenciada, entendemos que o pleito de vocĂŞs vai muito alĂ©m: saĂşde, agricultura ambientalmente responsável e espaço de fala onde a instrução cientĂ­fico-tecnolĂłgica pode ajudá-los dentro do que nos compete e nĂłs iremos ajudar a traçar essa caminhada”, disse Pulga. 

Lideranças indígenas também participaram da cerimônia — Foto: Divulgação/Ufam

Lideranças indígenas também participaram da cerimônia — Foto: Divulgação/Ufam

A professora Iraildes Caldas Torres, estudiosa, pesquisadora de gênero há mais de duas décadas das mulheres sateré-mawé e tikuna, de Maués, estava alegre ao ver que dos 42 diplomas emitidos, 13 seriam conferidos a mulheres Yanomami.

“Estou academicamente feliz por vĂŞ-las se emancipando o que tambĂ©m Ă© resultado do que observemos como resultado do intervalo de tempo a contar de 1952. Mais recentemente, há 30 anos as terras Yanomami foram demarcadas e vocĂŞs tĂŞm buscado equilibrar apoderamento diante do mundo e cultura. Hoje, vocĂŞs tĂŞm um novo capĂ­tulo, uma nova conquista, que Ă© importantĂ­ssima: a educação. É a educação o grande movimento do desenvolvimento humano”, considerou.

Para o representante da Foirn, Dário Cassimiro Baniwa, quem ganha com o acontecimento é o povo indígena.

Indígenas são da etnia yanomami. — Foto: Divulgação/Ufam

Indígenas são da etnia yanomami. — Foto: Divulgação/Ufam

“TrĂŞs momentos marcantes na histĂłria passam por vocĂŞs. o primeiro na dĂ©cada de 1970, com a construção da Perimetral Norte; nos anos 1980 e inĂ­cio dos de 1990, o conflito entre contra centenas de garimpeiros em balsas que invadiram o territĂłrio e mais recentemente, a demarcação das suas terras. Desde os anos de 1970, os Yanomami sofrem com intervenções e ameaças, fosse pelo avanço dos nĂŁo Ă­ndios prĂłximo Ă s suas aldeias, mineração, extração ilegal como por doenças e reversĂŁo de direitos. É preciso ficar atento sempre. Mas, nem tudo Ă© lamento. Esta Ă© a oportunidade de festejar e tambĂ©m lembrarmos daqueles que muito contribuĂ­ram”, salientou.

ConteĂşdo Original / Fonte: G1

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