Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de ‘superfungo’ no paĂ­s

Por UOL 26/01/2022 às 08:38 Atualizado: há 4 anos
Imagem: SCIENCE PHOTO LIBRARY

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmou hoje o terceiro surto de Candida auris em um hospital da rede pública no Recife. A espécie foi detectada na urina de um paciente.

Conhecido como “superfungo”, ele resiste a medicamentos e, de acordo com a agĂŞncia, Ă© considerado uma ameaça sĂ©ria Ă  saĂşde pĂşblica. A infecção por C. auris pode ser fatal, principalmente para pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades. Os dois primeiros casos foram confirmados em Salvador em 2020.

A agência alertou ainda que há outro caso suspeito em investigação laboratorial, em um paciente do mesmo hospital.

De acordo com a Anvisa, desde a identificação da suspeita, uma força-tarefa nacional, composta por diversos órgãos, foi acionada para monitorar e controlar o surto. A instituição pediu que os laboratórios de microbiologia intensifiquem a vigilância e, diante de um caso suspeito ou confirmado, notifiquem o serviço de saúde e acionem um dos Lacens (Laboratório Central de Saúde Pública).

Covid-19 pode ter criado condições para ‘superfungo’

Um estudo publicado no ano passado sugere que o caos hospitalar criado pela pandemia da covid-19 pode ter criado as condições ideais para a proliferação da Candida auris.

Arnaldo Colombo, coordenador o Laboratório Especial de Micologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e líder da pesquisa, explica que os fungos do gênero Candida (com exceção da C. auris) fazem parte da microbiota intestinal humana e só costumam causar problemas quando há um desequilíbrio no organismo. O mais comum é o surgimento de infecções superficiais na mucosa da vagina (candidíase) ou da boca (sapinho), geralmente associadas à espécie C. albicans.

Em alguns casos, porĂ©m, o fungo invade a corrente sanguĂ­nea e desencadeia um quadro de infecção sistĂŞmica – conhecido como candidemia – semelhante ao da sepse bacteriana. A invasĂŁo da corrente sanguĂ­nea e a resposta exagerada do sistema imune ao patĂłgeno podem causar lesões em diversos ĂłrgĂŁos e atĂ© mesmo levar Ă  morte. As evidĂŞncias cientĂ­ficas apontam que, quando a candidemia ocorre em pacientes infectados pela C. auris, atĂ© 60% nĂŁo sobrevivem.

“Essa espĂ©cie rapidamente se torna resistente a mĂşltiplos fármacos, sendo pouco sensĂ­vel a produtos desinfetantes utilizados em centros mĂ©dicos. Dessa forma, consegue persistir no ambiente hospitalar, onde coloniza profissionais de saĂşde e, posteriormente, pacientes crĂ­ticos que necessitam de internação prolongada, a exemplo dos portadores de formas graves da covid-19”, diz Colombo.

Diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para a C. auris, entre eles a internação prolongada, o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central (uma porta de entrada para a corrente sanguínea), corticoides (que suprimem a resposta imune) e antibióticos (que desequilibram a microbiota intestinal).

 

 

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