CV mantinha cemitério clandestino; polícia encontra 12 corpos

Polícia acredita que cemitério clandestino, em Lucas do Rio Verde (MT), era utilizado por facção desde 2022. Corpos estavam amarrados

Por Marina, ContilNet 16/01/2025 Ă s 08:30
Divulgação/Polícia Civil de Mato Grosso

A PolĂ­cia Civil de Mato Grosso descobriu a existĂȘncia de um cemitĂ©rio clandestino vinculado à facção criminosa Comando Vermelho (CV), em Lucas do Rio Verde (MT), cidade que fica a 332 quilĂŽmetros da capital CuiabĂĄ. No local, foram encontradas, atĂ© entĂŁo, seis ossadas humanas e seis cadĂĄveres, contabilizando 12 vĂ­timas.

O que aconteceu:

  • Um cemitĂ©rio clandestino, em Lucas do Rio Verde (MT), com restos mortais de 12 pessoas foi encontrado pela PolĂ­cia Civil na sexta-feira (10/1).
  • A investigação atribui o cemitĂ©rio clandestino à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
  • A polĂ­cia acredita que o local tenha sido utilizado por integrantes da facção desde 2022, pelo menos.
  • Quatro das vĂ­timas jĂĄ foram identificadas, entre elas um venezuelano.

As suspeitas em torno da existĂȘncia de um cemitĂ©rio clandestino na cidade começaram em 2024, depois da recorrĂȘncia de denĂșncias de casos de sequestros, desaparecimentos e atĂ© mortes, sem a devida localização da vĂ­tima. Na sexta-feira (10/1), apĂłs novas buscas, a polĂ­cia chegou ao local exato: uma ĂĄrea de mata que fica nos fundos do bairro Tessele JĂșnior.

No mesmo dia, 11 corpos foram encontrados. Eles estavam enterrados em covas prĂłximo uma das outras e com as pernas e mĂŁos amarradas, o que indica, segundo a investigação, a prĂĄtica de tortura antes dos assassinatos. A Ășltima ossada foi localizada nessa segunda-feira (13/1) por uma equipe do Corpo de Bombeiros, que seguiu trabalhando no local, com ajuda de um cĂŁo farejador.

Veja:

 

Até o momento, quatro vítimas foram identificadas. São elas: Rafael Pereira de Souza, de 34 anos, natural de Rondonópolis (MT); Wilmer Alex de Oliveira Silva, 29 anos, de Poxoréu (MT); Mateus Bonfim de Souza, 18, de Lucas do Rio Verde (MT); e o venezuelano Andris David Mattey Nadales, 19, que teria se mudado para a região para trabalhar em um frigorífico.

Nesses casos, segundo o delegado da cidade, Allan Vitor Sousa da Mata, a identificação foi råpida, pois os corpos estavam em melhor estado de conservação e foi possível fazer a anålise das impressÔes digitais. Os quatro eram considerados desaparecidos. A Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec) prossegue com o trabalho para identificar as demais vítimas.

Divulgação/Polícia Civil de Mato Grosso

Cemitério funcionava desde 2022, diz polícia

A polĂ­cia acredita que o cemitĂ©rio clandestino tenha sido utilizado pelos integrantes da facção desde 2022, pelo menos. AlĂ©m do nĂ­vel de decomposição dos corpos e das ossadas, que revela o efeito do tempo, a localização facilitava a logĂ­stica dos assassinatos. “É um local prĂłximo da cidade. O que separa a mata do bairro Ă© somente uma via de mĂŁo dupla”, diz o delegado.

Allan Vitor relatou ao MetrĂłpoles que os agentes chegaram a fazer buscas na mesma mata, no ano passado, mas nĂŁo conseguiram encontrar nada. “É uma ĂĄrea muito extensa, e de mata fechada”, descreve. Desta vez, no entanto, a investigação chegou ao ponto exato. A presença de colchĂ”es abandonados, vestimentas, cordas e alimentos facilitaram a descoberta.

Nas primeiras escavaçÔes, os policiais encontraram trĂȘs corpos. Diante da suspeita de que poderia haver mais cadĂĄveres, eles solicitaram o apoio dos bombeiros e da Politec para isolar a ĂĄrea e expandir as buscas. “As covas estavam bem prĂłximas, no mesmo ponto. Tanto que o Corpo de Bombeiros ampliou as escavaçÔes para atĂ© 100 metros lateralizados e nĂŁo encontrou mais nada”, conta Allan.

Presença do Comando Vermelho

Lucas do Rio Verde Ă© uma das dezenas de cidades de Mato Grosso com presença de facçÔes criminosas. HĂĄ uma certa predominĂąncia e domĂ­nio do Comando Vermelho, mas o estudo Cartografias da ViolĂȘncia na AmazĂŽnia, divulgado no final de 2024 pelo FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica, colocou o municĂ­pio entre os que enfrentam a guerra entre CV e Primeiro Comando da Capital (PCC).

O delegado do município diz desconhecer o contexto de disputa, apontando, apenas, o domínio do CV. Os motivos que levaram aos assassinatos, segundo ele, variam entre vingança, venda de drogas sem autorização da facção, suspeita de participação em outras facçÔes, gestos com a mão relacionados a grupos rivais, dentre outros.

Após a descoberta do cemitério clandestino, a investigação segue na identificação de cada um dos cadåveres para que seja possível fazer a devida vinculação criminosa e individualização dos casos. Allan Vitor diz que jå existem alguns suspeitos identificados. Os mandantes, segundo ele, são líderes do CV que vivem em outras cidades, mas que acompanham e ordenam tudo por chamadas de vídeo.

ConteĂșdo Original / Fonte: MetrĂłpoles

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