Ministério Público de SC classifica o ato em Joinville como de ‘extrema desumanidade’, recusa acordo e pede R$ 41,9 mil em indenização.
A 21ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) formalizou a denúncia contra uma mulher acusada de cometer um crime de extrema crueldade contra uma cadela em Joinville (SC). O animal, uma fêmea prenha batizada de Bonnie, foi resgatado por moradores após ser enterrado vivo em um condomínio da cidade. O órgão agora pede a responsabilização criminal da envolvida e uma compensação financeira expressiva pelos danos causados.
O crime, que gerou forte revolta local, ocorreu em fevereiro e agora avança para a esfera penal sem possibilidade de penas alternativas.
Detalhes do resgate e a situação dos filhotes
A gravidade do caso mobilizou a vizinhança e os serviços de atendimento veterinário de emergência.
De acordo com as informações obtidas pela jornalista Letícia Guedes para o portal METRÓPOLES, a denúncia foi protocolada na última segunda-feira (6/7). O documento relata que a cadela Bonnie só sobreviveu porque moradores locais ouviram seus latidos vindos de uma cova rasa, onde ela foi deixada soterrada apenas com a cabeça para fora da terra.
O relatório médico-veterinário anexado ao inquérito aponta o sofrimento físico e térmico ao qual o animal foi submetido. Bonnie deu entrada na clínica com um quadro grave de choque, temperatura corporal de 40,7 ºC (hipertermia), além de comprometimentos neurológicos. Os exames também constataram a presença de terra incrustada na gengiva, na língua e nas unhas da cadela, comprovando que ela tentou desesperadamente cavar para fugir da situação de soterramento.
A ação criminosa afetou diretamente a gestação do animal:
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Bonnie carregava quatro filhotes durante o episódio.
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Duas filhotes, chamadas Bella e Stella, nasceram vivas e sobreviveram.
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Outros dois filhotes, Beca e Billy, morreram em decorrência dos maus-tratos sofridos na cova.
Acusações adicionais e recusa de acordo pelo MPSC
A promotora de Justiça Simone Cristina Schultz, autora da ação, destacou a brutalidade da conduta e enquadrou a denunciada na Lei de Crimes Ambientais. Além da acusação de maus-tratos contra a cadela e os filhotes, a mulher responderá pelo crime de corrupção de menores, uma vez que as investigações apontaram a participação de adolescentes no ato de enterrar o animal.
Diante da gravidade concreta dos fatos e da violência exercida contra um animal senciente, o Ministério Público negou a concessão de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). A promotoria exige o pagamento de R$ 41,9 mil a título de reparação pelos danos causados ao animal, além do cumprimento das punições previstas em lei.
O que aconteceu com a cadela Bonnie em Joinville?
A cadela, que estava prenha, foi enterrada viva em um condomínio de Joinville, sendo salva por moradores que ouviram seus latidos e a retiraram da terra com sinais graves de choque e hipertermia.
Qual a punição pedida pelo Ministério Público de Santa Catarina?
O MPSC ofereceu denúncia criminal por maus-tratos e corrupção de menores, rejeitou acordos de penas alternativas e pede o pagamento de R$ 41,9 mil por danos causados.
O que aconteceu com os filhotes da cadela enterrada viva?
Dos quatro filhotes que Bonnie gestava, dois sobreviveram (Bella e Stella) e dois morreram (Beca e Billy) em consequência direta do sofrimento e do estresse do soterramento.
