Vítima havia solicitado proteção judicial em fevereiro de 2026 após episódios de abuso, mas pediu a revogação um mês depois; autor foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.
O Distrito Federal registrou mais um trágico episódio de violência baseada em gênero. A manicure Dileusa Almeida Durães, de 46 anos, foi assassinada pelo companheiro, Sandro Souza de Oliveira, de 34 anos. O crime ocorreu na madrugada do último sábado (20/6). Além de desferir os golpes contra a mulher, o agressor também feriu o filho dela, um adolescente de 14 anos que tentou intervir para salvar a vida da mãe.
O caso reacende os debates sobre a complexidade psicológica e o isolamento enfrentado por mulheres inseridas em relacionamentos abusivos e as idas e vindas nos pedidos de proteção legal.
O histórico de denúncias, o isolamento familiar e a decisão judicial
A investigação policial detalhou que a vítima enfrentava uma rotina de controle absoluto e episódios de violência agravados pelo uso de álcool.
De acordo com as informações apuradas pela jornalista Jéssica Ribeiro para o portal METRÓPOLES, Dileusa convivia com Sandro desde julho de 2025 e já havia acionado a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) em fevereiro de 2026, após o homem acordá-la despejando bebida alcoólica sobre seu corpo.
A reportagem do veículo detalha que, na ocasião, a manicure solicitou medidas protetivas urgentes, mas pediu a revogação do mecanismo de defesa apenas um mês depois, em março, manifestando o desejo de que o parceiro não fosse preso.
O portal destaca ainda o depoimento do sobrinho da vítima, Lucas Maurício, que revelou que Sandro mantinha Dileusa isolada, confiscando seu celular para impedir o contato com familiares, os quais ela só conseguia contatar quando o agressor estava no trabalho.
Após o ataque fatal utilizando uma faca, Sandro tentou tirar a própria vida, sendo socorrido sob custódia. Ele passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (22/6), onde a Justiça do DF determinou a conversão de sua prisão em flagrante para prisão preventiva, mantendo-o afastado da sociedade.
Qual era o histórico de denúncias de Dileusa Durães antes do crime?
Em fevereiro de 2026, quatro meses antes de ser assassinada, Dileusa registrou uma denúncia contra Sandro Oliveira após ele derramar bebida alcoólica sobre ela e proferir xingamentos. Ela chegou a receber medidas protetivas da Justiça do Distrito Federal.
Por que a medida protetiva contra o agressor não estava ativa?
Um mês após solicitar as medidas protetivas, em março, Dileusa pediu à Justiça a revogação da proteção. No registro policial da época, ela informou que desejava a proteção, mas não queria que o companheiro fosse preso, um comportamento comum em ciclos de dependência e abuso emocional.
Qual é a situação jurídica atual de Sandro Souza de Oliveira?
Sandro foi preso em flagrante logo após o crime e após passar por atendimento médico devido a uma tentativa de autoextermínio. Em audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (22/6), a Justiça converteu a prisão em preventiva, mantendo o réu detido.
