Quase oito anos após a sequência de mortes misteriosas que abalou o distrito de Nagé, Justiça nega suspensão indefinida e agenda sessão para outubro.
A elucidação de crimes cometidos de forma silenciosa e progressiva dentro de núcleos familiares ou de convivência íntima impõe um complexo desafio analítico para os departamentos de polícia técnica. O uso de substâncias de venda restrita misturadas a refeições cotidianas exige a realização de exumações e laudos toxicológicos detalhados para confirmar o nexo causal das mortes. No Recôncavo baiano, uma série de óbitos ocorridos em intervalos precisos de tempo mobilizou o sistema de justiça e gerou uma longa disputa processual em torno da saúde da ré.
A tese da acusação aponta que uma aproximação motivada por interesses pessoais desencadeou as ações criminosas na comunidade.
A sequência de óbitos, a exumação dos restos mortais e a obsessão oculta
O monitoramento da rotina da família e a oferta de alimentos foram fundamentais para o avanço dos indícios coletados.
De acordo com as informações apuradas pelo jornalista Wendel de Novais para o portal CORREIO 24 HORAS, a ré Elisângela Almeida de Oliveira foi pronunciada por três homicídios qualificados e deve enfrentar o Tribunal do Júri no dia 7 de outubro. A reportagem do veículo detalha que o caso remonta a 2018, quando a marisqueira Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e suas duas filhas, de 5 e 2 anos, morreram envenenadas com “chumbinho” no distrito de Nagé, em Maragogipe. O portal destaca que a investigação apontou como motivo uma obsessão amorosa da acusada pelo marido da vítima, Jefferson Eduardo Brandão, de quem tentava se aproximar simulando um forte vínculo maternal.
Os exames toxicológicos complementares só foram viabilizados após a exumação dos corpos das crianças, confirmando a presença do inseticida agrícola Terbufós no organismo das três vítimas e do animal de estimação da casa.
Os sucessivos adiamentos e a data definitiva no tribunal
O andamento da ação penal enfrentou uma série de entraves burocráticos e pedidos de adiamento formulados pela defesa técnica da acusada. Inicialmente previsto para o início do ano, o julgamento em plenário foi postergado após comprovação médica de que a ré havia passado por uma intervenção cirúrgica para a retirada da vesícula biliar.
Em uma nova tentativa de adiar os procedimentos jurídicos sob a alegação de problemas contínuos de saúde, a defesa solicitou a suspensão do processo por tempo indeterminado. O pedido, no entanto, foi indeferido pela autoridade judicial, que optou por remarcar a sessão de julgamento popular de forma definitiva para o próximo mês de outubro, encerrando uma espera de quase uma década por parte dos familiares sobreviventes.
Como a Polícia Civil da Bahia descobriu a causa das mortes em Maragogipe?
As mortes inicialmente foram tratadas como causas naturais devido à falta de sinais de violência física. As autoridades policiais só confirmaram o envenenamento triplo por “chumbinho” (Terbufós) após conseguirem a autorização judicial para a exumação dos corpos e a realização de exames toxicológicos complementares.
Qual foi a motivação apontada pelo Ministério Público para o crime?
A acusação aponta que a ré desenvolveu uma relação obsessiva e possessiva em relação ao marido de Adriane, o pescador Jefferson Eduardo. O objetivo de Elisângela seria afastar e eliminar a família da marisqueira para ocupar o lugar dela na residência e na vida do trabalhador.
Por que o julgamento de Elisângela Almeida demorou para ser marcado?
O processo sofreu diversos atrasos ao longo dos anos. Recentemente, as sessões marcadas foram adiadas devido a problemas de saúde da acusada e à comprovação de uma cirurgia de vesícula. A Justiça negou uma suspensão por tempo indeterminado e fixou a data para outubro.
