23/09/2026

Onça que devorou caseiro chega ao instituto onde viverá em cativeiro

Animal está no Instituto Ampara Animal, que já cuida de oito onças. Cativeiro passará por ampliação na área aquática e não terá visitas

Por Marina, ContilNet
Divulgação/ Instituto Ampara Animal

A onça-pintada que devorou o caseiro Jorge Ávalos, conhecido como Jorginho, no mês de abril, no Pantanal, chegou ao Instituto Ampara Animal, em São Paulo, onde passará a viver de forma permanente em um cativeiro, “especialmente adaptado às suas necessidades”. O animal foi capturado há cerca de 24 dias e anteriormente estava no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande (MS).

“Durante o transporte a onça se manteve estável, chegou bem e já está recebendo todos os cuidados necessários para esse momento delicado de adaptação”, afirma o médico-veterinário Jorge Salomão, responsável técnico pelo mantenedor de fauna do Instituto.

Divulgação/ Instituto Ampara Animal

De acordo com a instituição que cuidará do animal, o recinto da onça terá ampliação na área aquática, “em respeito às origens pantaneiras do animal” e ao seu hábito de nadar e circular por áreas alagadas. O espaço não será aberto à visitação e terá como foco absoluto a “recuperação física e emocional do indivíduo, promovendo o máximo de bem-estar possível em um contexto de cativeiro.”

“Nós sabemos que o cativeiro nunca é o fim ideal para nenhum animal silvestre. Mas também entendemos que, diante desse contexto específico, essa é a melhor alternativa para esse animal. Nosso compromisso é oferecer a melhor qualidade de vida possível para ele, com todo respeito e dignidade que sua espécie merece”, afirma Juliana Camargo, fundadora e presidente do Instituto Ampara Animal. “Vamos construir um recinto adaptado, silencioso, com estímulos naturais, e nossa atenção estará voltada para o bem-estar e a adaptação desse indivíduo.”

A determinação da transferência partiu de órgãos ambientais responsáveis.

onça é um macho, com idade estimada em 9 anos e múltiplas cicatrizes. Durante sua estadia no CRAS – IMASUL/MS, o animal, que estava abaixo do peso e anêmico, ganhou 13 kg e passou por exames clínicos e laboratoriais que mostraram uma recuperação desde sua captura.

A expectativa é que ele permaneça sob cuidados permanentes e contribua para ações de conservação da espécie a longo prazo. Atualmente, a instituição cuida de oito onças: cinco onças-pintadas e três onças-pardas. Todos os animais foram vítimas da interferência humana e, por diferentes razões, não puderam retornar à natureza.

Relembre o caso

O caseiro foi morto em 21 de abril por uma onça-pintada enquanto tentava coletar mel em um deck às margens do Rio Miranda, no Pantanal de Aquidauana (MS). O corpo de Jorginho foi encontrando na terça-feira (22/4) após buscas realizadas pela Polícia Militar Ambiental (PMA), que seguiu rastros de sangue deixados pela onça.

Na madrugada do dia 24 de abril, a PMA capturou um exemplar de onça-pintada que pode ter sido o responsável pelo ataque. Porém, ainda não há confirmação de que a onça capturada a mesma que atacou o caseiro.

Durantes exames e pesquisas realizadas no CRAS, a onça-pintada expeliu fragmentos ósseos e cabelos “possivelmente humanos” após ter sido capturada. O material foi recolhido das fezes do animal e agora é analisado pela Polícia Científica.

Quando completa, a análise dos fragmentos ósseos será comparada com amostras dos restos mortais de Jorge e do sangue encontrado no lugar do ataque. Os laudos serão enviados à Polícia Civil para subsidiar a investigação.

Conteúdo Original / Fonte: Metrópoles

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