Forças de segurança cumprem dezenas de mandados de busca e efetuam prisões de políticos e empresários suspeitos de injetar milhões de origem ilícita no sistema de transporte.
O avanço de organizações criminosas sobre setores estratégicos da administração pública e de serviços essenciais concedidos à iniciativa privada tem se tornado o principal foco de combate das equipes especializadas em inteligência financeira.
Em São Paulo, o monitoramento de fluxos de caixa e a análise de alterações patrimoniais abruptas forneceram os indícios necessários para que o Ministério Público e as polícias estaduais deflagrassem uma investida coordenada contra a infiltração de capitais ilícitos no sistema rodoviário municipal.
As buscas e detenções realizadas buscam desestruturar a logística financeira e interromper o fluxo de repasses operado por núcleos paralelos instalados nas diretorias de frotas urbanas.
O dinheiro oculto em sacos, a prisão do parlamentar e as origens da investigação
O recolhimento de provas materiais nos endereços vistoriados expôs os métodos rudimentares utilizados para ocultar o fluxo de dinheiro vivo no dia a dia da quadrilha.
De acordo com as informações apuradas pelas jornalistas Mirelle Pinheiro e Letícia Guedes para o portal METRÓPOLES, investigadores apreenderam R$ 65 mil em espécie acondicionados dentro de sacos de lixo durante a deflagração da Operação Última Parada.
A reportagem do veículo detalha que a ação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público paulista investiga o uso da concessionária Transunião pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro.
O portal destaca que a ofensiva resultou na prisão do vereador paulistano Senival Moura e do presidente da empresa de transportes, Lourival de França Monário, em um cerco que envolveu o cumprimento de 104 mandados de busca em São Paulo e Minas Gerais.
A linha de investigação que culminou no desmantelamento do grupo começou a ser traçada após a execução de um antigo gestor da companhia rodoviária em 2020. A partir do crime de homicídio, peritos e promotores identificaram uma evolução patrimonial injustificada na empresa, cujo capital declarado saltou de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra que ultrapassa R$ 50 milhões em poucos anos.
Por que o vereador Senival Moura foi preso na Operação Última Parada?
O vereador de São Paulo Senival Moura foi detido sob a acusação de atuar como operador político e peça de suporte em um esquema de lavagem de dinheiro estruturado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro da concessionária de transporte municipal Transunião.
Como a polícia descobriu o dinheiro escondido no saco de lixo?
Durante o cumprimento das ordens de busca nos endereços ligados aos suspeitos, policiais do Deic e promotores do Gaeco localizaram R$ 65 mil em notas vivas guardados em sacos de lixo em cima de um móvel. O material estava sob posse de Devanil de Souza Nascimento, apontado pelas investigações como suporte direto do parlamentar.
O serviço de ônibus da empresa Transunião será paralisado após a operação?
A decisão judicial que determinou o afastamento de toda a diretoria da Transunião autorizou a imediata comunicação à Prefeitura de São Paulo. O objetivo é que o município adote medidas administrativas urgentes, incluindo uma eventual intervenção na frota, para garantir que o atendimento diário à população e o transporte público não sofram interrupções.

