Quem são os golpistas que fingiam perder dinheiro para roubar

Por Redação ContilNet 26/05/2026 às 09:48
Imagem cedida ao Metrópoles

Quadrilha especializada no clássico “golpe do paco” foi desarticulada pela 8ª DP na Cidade Estrutural; ao menos 10 pessoas já denunciaram o grupo.

Uma operação da 8ª Delegacia de Polícia (Cidade Estrutural) resultou na prisão em flagrante de quatro integrantes de uma associação criminosa especializada em aplicar fraudes financeiras no Distrito Federal e entorno. O grupo utilizava o clássico e ensaiado “golpe do paco” para enganar correntistas logo após saques em agências bancárias e casas lotéricas.

A coluna Na Mira apurou a identidade dos quatro presos durante a ação policial realizada na segunda-feira (25/5):

  • Roberto Barbosa dos Santos (trajava amarelo no momento da prisão)

  • Landelino Mamedes de Lima (trajava blusa preta)

  • Magali Costa Neves (trajava blusa rosa)

  • Yasmin Neves da Silva (trajava top preto)

As autoridades decidiram divulgar as imagens dos suspeitos para encorajar e auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas. O canal para denúncias e registros de ocorrências é o telefone 197 da Polícia Civil (PCDF).

Como funcionava o teatro do “golpe do paco”

De acordo com as investigações da 8ª DP, os criminosos agiam com uma divisão de tarefas milimetricamente desenhada para passar credibilidade absoluta às vítimas:

  1. A Perda Fake: Um dos golpistas andava na frente da vítima e simulava derrubar por descuido uma carteira ou um envelope cheio de dinheiro.

  2. O “Bom Samaritano”: Um segundo comparsa, fingindo ser um pedestre comum, pegava o envelope do chão na presença da vítima e sugeria que ambos devolvessem o item juntos.

  3. A Falsa Recompensa: O suposto dono do dinheiro reaparecia agradecido e prometia uma recompensa em dinheiro (geralmente R$ 400). No entanto, ele inventava que o pagamento só ocorreria em um escritório privado onde era proibido entrar carregando bolsas, celulares ou pertences.

  4. O Golpe Final: O comparsa entregava suas próprias coisas para dar o exemplo. Confiando na cena, a vítima deixava seus cartões, senhas, celular e documentos com os criminosos e se afastava para pegar o dinheiro. Nesse intervalo, a quadrilha fugia com todos os pertences reais da pessoa.

Prisões em flagrante e ficha criminal extensa

O cerco contra o grupo se fechou após os policiais flagrarem a quadrilha atuando em duas frentes no mesmo dia. Primeiro, o bando atacou duas pessoas na Cidade Estrutural, levando dinheiro, celulares e documentos. Não satisfeitos, os criminosos se deslocaram até Planaltina (DF), onde repetiram exatamente o mesmo roteiro contra outra vítima.

Após o monitoramento do veículo utilizado na fuga, a equipe policial interceptou o carro e localizou os pertences das vítimas recentes, além de dezenas de cartões bancários e documentos de terceiros.

Três dos quatro detidos possuem fichas criminais extensas. Juntos, eles somam dezenas de passagens por crimes contra o patrimônio.

Um dos investigados possui mais de 25 registros policiais em seu histórico e já acumulava, sozinho, pelo menos 15 mandados de prisão anteriores por crimes de estelionato.

Os suspeitos foram formalmente indiciados por organização criminosa e por dois crimes de estelionato consumado. O grupo segue sob investigação para apurar a participação em outros três casos semelhantes na região e em delegacias de outros estados.

O que é o golpe do paco e como se proteger?

O golpe do paco é um estelionato antigo no qual criminosos simulam a perda de um envelope de dinheiro e oferecem uma recompensa falsa para roubar os pertences que a vítima deixa como “garantia”. Para se proteger, nunca aceite recompensas financeiras de estranhos na rua e jamais entregue seus pertences a terceiros.

Onde os golpistas do DF costumavam abordar as vítimas?

A quadrilha monitorava e escolhia os seus alvos de forma estratégica na saída de agências bancárias e casas lotéricas, logo após as pessoas efetuarem saques de dinheiro em espécie.

Fui vítima desse grupo na Estrutural, o que devo fazer?

A Polícia Civil do Distrito Federal solicita que qualquer pessoa que reconheça os suspeitos ou tenha caído no golpe compareça à delegacia mais próxima ou registre uma denúncia anônima através do telefone 197.

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