Candiru: quem Ă© o temido ‘peixe vampiro’ e por que ele ameaça banhistas de rios da AmazĂ´nia

Por G1 27/05/2022 às 08:41 Atualizado: há 4 anos
O temido Candiru é uma das espécies que habitam o rio Madeira — Foto: Divulgação/g1RO

Com um sol intenso na AmazĂ´nia na maior parte do ano, muitos moradores usam os rios como alternativa para se refrescar do ‘calorĂŁo’. No entanto, algumas dessas águas escondem um perigo para banhistas: o candiru, o ‘peixe vampiro’ que pode penetrar orifĂ­cios do corpo humano, como uretra, ânus e vagina.

CLIQUE AQUI para ver todos os vĂ­deos.

O candiru é da família Trichomycteridae, que engloba mais de 280 espécies, com cerca de 40 gêneros. Segundo especialistas, ele é um parasita e se alimenta de outros peixes, e pode chegar a medir até 30 centímetros.

Esse peixe é hematófago, ou seja, se alimenta do sangue de outros animais e alguns vivem em forma de parasita nas brânquias de outros peixes. Na região em que está presente, ele é muito temido.

O peixe candiru é exclusivo da região amazônica e, segundo o biólogo Adriano Martins, a anatomia dessa espécie permite que ele se camufle nos rios barrentos da Amazônia, como o rio Madeira.

“Ele tem a cabeça e olhos pequenos, o corpo muito liso e coloração azulada que ajuda na camuflagem das águas turvas dos rios amazĂ´nicos. SĂŁo peixes bem pequenos”, explicou.

Adriano ressalta que, ao encontrar sua presa, o candiru usa técnicas para se fixar e, em alguns casos, sua retirada só é possível através de cirurgia.

“Ele pode ser atraĂ­do por odores e pode penetrar a uretra, ânus e vagina. Ao entrar no hospedeiro, ele fixa seu corpo atravĂ©s de espinhos que tem em volta da cabeça e tambĂ©m utiliza suas nadadeiras que dificultam sua saĂ­da, sendo assim, sua retirada acontece somente em procedimento mĂ©dico”, explica Adriano.

De acordo com o biĂłlogo Flavio Teressini, os candirus “tĂŞm ĂłrgĂŁos sensoriais que captam odores dentro da água” e, por isso, “conseguem localizar o cheiro de sangue e matĂ©ria em decomposição com grande facilidade”.

Por exemplo, se uma capivara morre dentro do rio, o candiru entra no animal e começa a digeri-la de dentro para fora. Eles se alimentam das vísceras e depois vão para a parte externa.

Casos em humanos

Terassini revelou ao g1 que, em Rondônia, há cerca de 10 casos por ano de penetração do animal em seres humanos.

“[Há] quase um [caso] por mĂŞs. É comum acontecer acidentes com seres humanos da penetração da larva do candiru em orifĂ­cios de homens e mulheres. Eles podem entrar tanto pelo nariz, ouvido, prĂłpria boca, ânus e regiĂŁo genital. A maioria desses acidentes acontece com mulheres, que Ă s vezes vĂŁo fazer xixi ou entram nos rios no perĂ­odo menstrual. DaĂ­, eles sentem o odor do sangue e acabam penetrando na regiĂŁo genital”, explicou.

Os biólogos alertam que não é recomendado entrar na água dos rios amazônicos com ferimentos recentes que possam sangrar, não urinar na água e sempre utilizar trajes de banho que cubram os órgãos genitais.

Montagem candiru — Foto: João Cordeiro / Instagram

Montagem candiru — Foto: João Cordeiro / Instagram

Retirada por cirurgia

Por conta do corpo liso, a entrada do candiru em orifícios pode ser rápida. Porém, para fazer a retirada do animal, é preciso passar por procedimento cirúrgico.

O médico urologista Oadmil Monteiro, que atuava no Hospital João Paulo II, em Porto Velho, diz já ter feito a retirada do peixe em um banhista.

O paciente disse que estava sem cueca e nadando no Rio Madeira. Ele chegou aqui no hospital relatando muita dor no canal da uretra e sem conseguir urinar. NĂłs o levamos para o centro cirĂşrgico e o peixe estava lá”, conta.

Em um passeio com amigos, Wenceslau Ruiz, que Ă© um cirurgiĂŁo atuante no Hospital JoĂŁo Paulo II, teve contato com o peixe pela primeira vez. Ele conta que o animal lesionou um amigo enquanto eles tomavam banho em um rio.

“[Estávamos] tomando banho na praia do Acácio e, de repente, um deles sentiu uma ferrada nas costas. Quando vi, tinha um peixinho (candiru) de uns 12 centĂ­metros. Segurei ele pelo rabo e puxei. Em poucos minutos já havia um ferimento. Meu colega falou que foi o candiru que fez a lesĂŁo”, relembra.

Candiru encontrado tentando entrar em outro peixe no rio Madeira, em Porto Velho — Foto: João Cordeiro/ Instagram

Candiru encontrado tentando entrar em outro peixe no rio Madeira, em Porto Velho — Foto: João Cordeiro/ Instagram

Casos na pesca

João Cordeiro, amante da pesca esportiva e acostumado a pescar no rio Madeira, em Porto Velho, grava seus momentos de lazer e registra cenas inusitadas que encontra.

Em uma das pescarias, ele fisgou um peixe que estava acompanhando por um pirarucu. Na mĂŁo, ele mostra o animal que tem cerca de 3 centĂ­metros. O pescador relata o quanto o animal Ă© voraz e “sanguinário”.

“Acabei de pegar uma pirarara e olha o tanto de candiru que ficou no caiaque. Esses sĂŁo os candirus que entram nas pessoas. Esses entram na uretra, em qualquer buraco que ele achar ele entra. Ele Ă© pequeno, mas Ă© voraz. Ele Ă© atraĂ­do por sangue, urina, calor”, conta no vĂ­deo gravado para suas redes sociais.

Ao g1, João afirma que tamanho não é documento.

“O pessoal tem medo de anaconda, jacarĂ©, mas o candiru, que pode ser do tamanho de uma unha, Ă© bem pior que eles. Ele leva a pessoa para o hospital, aĂ­ sĂł na base de cirurgia”, diz.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂşdo de qualidade gratuitamente.