Defesa da influenciadora tenta reverter decisão monocrática que negou o habeas corpus; investigação aponta movimentações de R$ 27 milhões e elo com operador do PCC.
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pautou para julgamento o novo recurso apresentado pela defesa da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra.
A banca jurídica da influenciadora tenta fazer com que o mérito do seu pedido de habeas corpus seja apreciado pela Corte Superior.
A análise colegiada ocorre após a presidência do tribunal negar o pedido inicial de liberdade, sob o argumento de que a defesa deveria aguardar o esgotamento dos recursos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Deolane foi presa em uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. A acusação aponta que a influenciadora utilizava suas contas pessoais e suas empresas para dissimular lucros obtidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) com o tráfico de drogas.
Conforme os relatórios financeiros, Deolane movimentou R$ 13,6 milhões em suas contas físicas e outros R$ 14 milhões por meio de três de suas firmas, valores considerados incompatíveis com seu lastro comercial tradicional pelas autoridades.
O elo financeiro com a cúpula da facção e a linha de investigação
O ponto central que vincula a advogada à organização criminosa é sua relação com Everton de Souza, o “Player”.
Apontado como o operador financeiro responsável pela gestão de bens de lideranças como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Everton utilizava uma empresa de transporte de fachada para direcionar repasses bancários a Deolane, que apareciam no “balancete” mensal da facção.
De acordo com as informações apuradas pelo jornalista Renan Porto para o portal METRÓPOLES, os investigadores encontraram comprovantes de depósitos diretos na conta de Deolane, além de entradas de mais de R$ 1 milhão em espécie sem origem identificada.
A defesa da influenciadora contesta os indícios, afirmando que todos os recebimentos são lícitos e decorrentes exclusivamente de seus honorários por serviços advocatícios prestados.
A quebra de sigilo também revelou uma proximidade íntima entre Deolane e Everton. Ela constava como sua representante legal em registros policiais, alugava um apartamento para o operador no Tatuapé, zona leste de São Paulo, e mantinha convivência familiar com o suspeito.
O caso é um desdobramento da Operação Lado a Lado, iniciada após policiais penais apreenderem bilhetes em um presídio que detalhavam a estrutura de lavagem de dinheiro e planos de ataques contra servidores públicos.
Por que Deolane Bezerra foi presa?
Deolane foi presa sob a acusação de lavagem de dinheiro para o PCC. A investigação aponta que ela usava contas pessoais e de suas empresas para ocultar recursos oriundos do tráfico de drogas da facção.
O que é o operador “Player” mencionado no caso Deolane?
Everton de Souza, o “Player”, é apontado como o operador financeiro da cúpula do PCC. Ele administrava empresas de fachada e ordenava repasses de dinheiro para as contas de Deolane.
O que a defesa de Deolane alega sobre o dinheiro movimentado?
Os advogados afirmam que as transferências financeiras e os depósitos em espécie que Deolane recebeu correspondem estritamente ao pagamento de seus serviços como advogada.
