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Academia Acreana de Letras defende o termo ‘acreano’ em homenagem na Aleac

Por Marina, ContilNet Fonte: REDAÇÃO CONTILNET 01/07/2016 às 09:55
Professoras Edir Marques e Maria José /Foto: Contilnet

Professoras Edir Marques e Maria José /Foto: Contilnet

Em sessão solene nesta quinta-feira (30), a Assembleia Legislativa homenageou a Academia Acreana de Letras (AAL). A presidência e membros da AAL destacaram na solenidade a importância da preservação do gentílico “acreano”, sem adesão ao Novo Acordo Ortográfico.

Os acadêmicos solicitam a permanência da grafia nos documentos públicos. Para eles, o gentílico “acreano” faz parte da história do povo, que vai além de uma escrita e que guarda um sentimento.

O secretário-adjunto de Educação e membro da academia, Moisés Diniz, defende a antiga grafia porque, segundo ele, faz parte da história e da raiz do povo do Acre.

“Somos todos acadêmicos e vamos discutir o gentílico, porque faz parte da nossa história, da nossa raiz. Nós vamos pedir para que a Assembleia aprove uma lei onde o termo “acreano” seja usado em documentos públicos. Quanto à poesia, romance e textos do dia-a-dia das pessoas públicas, a utilização do “e” ou do “i” é optativa. Nós vamos lutar para que seja escrito “acreano”, com “e”, para manter a história de mais de 100 anos do nosso Acre”, afirmou.

De acordo com a presidente Luiza Lessa, a AAL sempre se posicionou em defesa do termo “acreano”.

Poetisa Francis Mary e publicitário Gilberto Braga /Foto: ContilNet

Professora Francis Mary e publicitário Gilberto Braga /Foto: ContilNet

“A assembleia consultou a academia no ano de 2012 sobre o uso do “acriano” e sempre nos posicionamos contra esse termo. Permanecemos favorável ao uso do “acreano”. Todos os gramáticos dizem que quem consagra a forma de dizer uma palavra é o uso dela, então não podemos mudá-la”, registrou a presidente.

Para o acadêmico Gilberto Braga, do ponto de vista estritamente gramatical a grafia seria com “i”, mas o gentílico não traduz somente isso, traduz uma história, um sentimento, uma carga cultural e de tradição, que sempre se escreveu, desde a Revolução Acreana, com “e”.

“Por isso nós da academia fizemos um movimento, que o governo do estado apoiou integralmente, pelo qual o gentílico “acreano” será tornado símbolo oficial do Acre, como é a bandeira e como é o brasão”, lembrou.

Para a professora Fátima Almeida, a palavra “acriano” causa estranheza , pois a vida toda usou o gentílico com a letra “e”.

“É estranho a gente de repente, numa mudança brusca, ter que nos desfazer de algo que fez parte das nossas vidas até aqui, o gentílico com “e” já faz parte da nossa história”.

Mebros da Academia /Foto: ContilNet

Mebros da Academia /Foto: ContilNet

A poetisa Francis Mary, mesmo com a mudança ortográfica nunca deixou de escrever e falar “acreano”, e diz que é uma questão cultural e de auto estima da população. “Uma regra imposta na escrita vale menos que a nossa vontade de ser acreanos”.

Muito atuante na academia e conhecedora da história do Acre, a professora Maria José Bezerra se posicionou a favor do “acreano” por razões históricas e sociais.

“Quando entendemos que a língua é uma construção social, vemos que não é permitido mudar o que foi legitimado pela população. As instituições, que no início cuidaram do Território acreano, deixaram bem claro, em documentos e pronunciamentos, que o estado é dos acreanos e o território também. Portanto, sou contra mudar o que não faz sentido”, frisou.

Integrantes da Academia Juvenil Acreana de Letras /Foto: ContilNet

Integrantes da Academia Juvenil Acreana de Letras /Foto: ContilNet

Academia Juvenil

Hoje a Academia Juvenil Acreana de Letras tem atualmente empossados cerca de 10 jovens de suas 40 cadeiras. 25 delas são para Rio Branco e o restante (15) para os demais municípios. Como só tem um ano de fundação, apenas 25 cadeiras são ocupadas.

O presidente Jackson Viana também defende a grafia consagrada do gentílico. “A maioria da população já está acostumada com essa terminologia, e por isso devemos permanecer com o “acreano”. Nós acreditamos que mudar é um desrespeito com a Academia Acreana de Letras, porque não procuram saber da cultura do nosso estado. Não há acordo nenhum que possa destruir a cultura que está fincada há anos.”

 

Mebros da Academia /Foto: ContilNet
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