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Acre fez 5 abortos legais e registrou mais de 100 estupros no primeiro semestre de 2020

Por Everton Damasceno, ContilNet Fonte: EVERTON DAMASCENO, DO CONTILNET 01/09/2020 às 09:51

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que doze estados do Brasil fizeram menos de dez abortos legais ao longo de todo o primeiro semestre de 2020.

No mesmo período, de janeiro a junho, o Acre registrou 5 abortos legais e alcançou a marca de 101 estupros. Na Região Norte, apenas o Amazonas e o Pará superaram o Acre em números.

O Brasil, durante os seis meses, fez 1.024 interrupções de gravidez previstas em lei.

Especialistas ouvidos pelo site G1 avaliam que esse número é baixo e que, na prática, não há serviço de aborto legal nos estados para os casos previstos em lei: gravidez decorrente de um estupro, risco à vida da gestante e anencefalia do feto.

Aborto legal é negado em 57% dos hospitais que governo indica para procedimento - Bem Paraná

O Brasil, durante os seis meses, fez 1.024 interrupções de gravidez previstas em lei/Foto: Reprodução

A lei 12.845, de 2013, regulamentou o atendimento obrigatório e integral a pessoas em situação de violência sexual e concedeu todos os meios à gestante para interrupção da gravidez em decorrência de estupro. Pelo texto, não é necessário que a mulher apresente boletim de ocorrência, nem que faça exame de corpo de delito.

Na última sexta-feira (28), o Ministério da Saúde publicou uma portaria que obriga médicos a avisar polícia sobre pedidos de aborto legal por estupro. O documento inclui oferta para que a gestante veja imagens do feto, em ultrassonografia, e submete a vítima a um extenso questionário sobre o estupro, inclusive com questões a respeito do agressor. Para especialistas, a portaria viola direitos e dificulta ainda mais o acesso ao procedimento nos casos previstos pela lei.

A portaria foi publicada em meio à polêmica gerada pelo caso da menina de 10 anos que engravidou depois de ser estuprada pelo tio de 33 anos, no Espírito Santo, onde o hospital negou-se a fazer o aborto legal e precisou viajar até o Recife (PE) para interromper a gestação. Junto com médicos, a vítima foi alvo de ataques de grupos religiosos e de extremistas contrários ao aborto.

A mesma pesquisa aponta ainda, com poucas especificidades, que a maior parte das vítimas está entre 14 e 17 anos.

Números de abortos legais e estupros por Estado: 

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