O Acre, que é um dos estados com maior população indígena, não possui nenhum professor indígena efetivado pelo governo estadual. A justificativa é que um concurso beneficiaria apenas o “homem branco”. Mais de 90% dos professores que trabalham nas aldeias são mantidos nas escolas mediante contratos provisórios com a SEE (Secretaria de Estado de Educação).
Em Rondônia, a situação é diferente. O estado foi o primeiro do país a realizar concurso para professores indígenas para contratos no quadro efetivo de pessoal. Em julho deste ano foi realizado concurso específico para a contratação de professores nas aldeias, cujo resultado será divulgado no próximo mês.
“O Acre não possui meios para realizar esse processo”, afirmou a diretora de Educação Indígena da SEE, Socorro Oliveira. Segundo a diretora, quem seleciona os professores indígenas são os próprios moradores das aldeias.
“Não podermos efetivar esse pessoal, pois teremos que fazer um concurso público específico e, segundo a lei, os certames não podem beneficiar nenhum grupo”, acrescentou a diretora.
Para debater essa situação, segundo ela, existe um grupo formado por membros da SEE, Universidade Federal do Acre (Ufac), Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Federal do Acre (Ifac), entre outros órgãos não governamentais que atuam com políticas indígenas. “Nós estamos discutindo e estudando formas de como resolver essa questão”.
Segundo o último senso demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Acre possui 15. 921 pessoas autodeclaradas indígenas.
