Acreano ministra aulas gratuitas de aikido e incentiva arte marcial combinada com a defesa pessoal

Por Marina, ContilNet 12/11/2017 às 09:00

Ao buscar o equilíbrio, é preciso dedicação e força de vontade. Todos estes elementos estão presentes na arte marcial japonesa intitulada aikido. Desenvolvida pelo mestre Morihei Ueshiba (1883 – 1969) entre as décadas de 1930 e 1960, a arte marcial reúnes estudos físicos e filosofia, sendo frequentemente traduzido como “o caminho da unificação com a energia da vida” ou “caminho do espírito harmonioso”.

Os movimentos do aikido são voltados ao redirecionamento da força adversária ao invés de combatê-la diretamente. Ou seja: o praticante do aikido conduz a energia do atacante e transforma os movimentos rivais contra ele mesmo. Para isso, acontece o controle do fluxo de energia durante o combate.

Aikido une arte marcial com fortes ensinamentos filosóficos. Imagem: Arquivo pessoal

Trazendo estes ensinamentos para o Acre está Vanderson Brito, de 34 anos de idade. O funcionário da Secretaria Estadual de Educação e Esporte (SEE) percorre a estrada do aikido há 16 anos, quando foi introduzido neste universo por um amigo. “Desde então, não parei de treinar”, afirma Vanderson.

Em busca de mais conhecimento, o acreano foi até a Academia Central de Aikido, localizada em São Paulo (SP). Até 2016, o educador sempre reservava o período de férias para viver no internato da academia, onde treinava diariamente.

“Este ano eu não pude ir porque iniciei o meu doutorado em Ciências da Educação. Mas fico feliz por ter iniciado o meu projeto de aulas gratuitas. Sempre tive vontade de repassar os ensinamentos porque eles mudaram minha vida. Se trata de uma arte marcial com uma forte veia filosófica de harmonização e equilíbrio. Ela possui origem samurai, e segue um código de honra chamado “bushido”. Nesse código, o mestre é responsável pelos seus discípulos e pelos atos deles”, afirma Vanderson.

José Leonardo (2º da esquerda pra direita) em um dos encontros com Vanderson (centro). Foto: Arquivo pessoal

 

O primeiro passo para o surgimento dessas atividades gratuitas veio na forma de uma oficina na Universidade Federal do Acre (Ufac). Depois desse evento, surgiu o convite para um projeto de extensão, que se iniciou nos sábados de outubro com público variado, de crianças a jovens e pessoas idosas.

“Essa possibilidade de mostrar para outras pessoas é sentida em mim como uma obrigação. Mas claro que os treinos são pensados com os devidos cuidados, já que é uma arte marcial muito eficaz, pois é capaz de machucar profundamente”, alerta, reforçando que o aikido é seletivo: não é a pessoa que escolhe a arte, é a arte que seleciona o praticante.

“Ministrei treinos por três anos, e percebi que o aikido é seletivo. Se uma pessoa busca agressividade, ela não se encaixará no ambiente. É a arte que escolhe o seu praticante, e não o contrário. Já treinei outras artes marciais, e nenhuma é como esta. Ela trabalha concentração, equilíbrio… Exige mais do seu praticante”, destaca Vanderson.

Arte marcial é incentivada como método de defesa pessoal. Imagem: Arquivo pessoal

 

As sessões, que acontecem todos os sábados na sala de dança do Bloco de Educação Física da Ufac a partir das 15h, são abertas ao público, com a intenção de reforçar o uso do aikido para defesa pessoal: “É uma arte de extrema eficácia para esse fim. Não exige da pessoa um físico avantajado, e sim a capacidade de redirecionar e transmutar energias, usando, em uma situação de perigo, a energia do seu oponente contra ele mesmo”.

Um dos integrantes da turma de Vanderson é o guia de turismo José Leonardo Pereira, de 54 anos de idade. “O aikido é muito rico por ser uma arte marcial diferenciada. Não é uma arte de competidores, possui muitas sutilezas. Vanderson é uma pessoa muito rara, que consegue fortalecer ainda mais essa veia filosófica”, revela Pereira.

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre o aikido ou participar de um dos treinos, basta comparecer ao Bloco de Ed. Física da Ufac no sábado, a partir das 15h.

Conteúdo Original / Fonte: ASTORIGE CARNEIRO, DA CONTILNET

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