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Anúncio de volta às aulas frustra alunos; professores flexibilizam e greve pode acabar

Por Wania Pinheiro, ContilNet Fonte: Assem Neto, da Contilnet 12/08/2015 às 13:09

 

Aluno dorme sobre a mesa do professor à espera do reinício das aulas/Foto: ContilNet

Aluno dorme sobre a mesa do professor à espera do reinício das aulas/Foto: ContilNet

Às 7 horas da manhã desta quarta-feira (12), centenas de estudantes do Colégio Estadual  Rio Branco (Cerb) atenderam ao chamamento do secretário de Educação, Marcos Brandão, para quem “as aulas voltariam  ao normal após dois meses greve dos professores”.

A entrevista do secretário, concedida na noite anterior à TV Acre, anunciava, ainda, que o governo estadual suspendera o processo seletivo para contratação de novos docentes, considerando, segundo o secretário, que “os professores provisórios já estavam cientes de que deveriam reassumir suas funções”.

A reportagem entrou no Cerb e constatou que, na prática, as aulas não foram retomadas em sua totalidade. Alguns estudantes aguardavam pacientemente nos corredores, enquanto na sala de professores uma meia dúzia de trabalhadores efetivos “furava a greve”, e outros provisórios compareciam temendo demissão. Numa das salas, um aluno dormia sobre a carteira do professor, às 7h45.

O segundo ano matutino está, todo ele, sem professores, conforme anúncio na página da instituição no Facebook. Alunos se declaram frustrados e fazem previsões de um futuro incerto quanto ao aprendizado, pois os 200 dias letivos obrigatórios por  lei não serão cumpridos em 2015. “Não dá pra saber que normalidade é essa. Precisamos fazer uma avaliação ainda”, disse a diretora do Cerb, Clícia Gomes.

“O governo reacende a vontade dos trabalhadores de irem pra greve. Quem estava temeroso não vai voltar ao trabalho. Nós vamos resistir até que eles (o governo) avancem nas negociações”, diz a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação,Rosana Nascimento.

Alunos do Cerb falam sobre a greve da educação 1

No final da noite desta terça-feira, a categoria apresentou uma proposta que, se aceita, pode encerrar a greve nas próximas horas. O documento foi entregue aos deputados aliados ao governo, que, por sua vez, buscaram um acordo com o setor financeiro da Secretaria Estadual de Educação.

Os trabalhadores flexibilizaram muito nas reivindicações. Pagamento de 50% da VDP de 2015 em duas parcelas, sendo uma em setembro e o restante em fevereiro de 2016; piso dos funcionários de escola parcelado em 2016 e 2017, com a garantia de elevar esta remuneração aos trabalhadores que ganham menos que um salário mínimo. “Mais do que isso é a gente ficar de quatro e eles lascarem o chicote no nosso lombo”, concluiu a sindicalista.

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