Após desespero, famílias são retiradas da Aleac e levadas para abrigo temporário

Por Marina, ContilNet 22/08/2016 às 21:59

A situação que chegou a ficar tensa no hall da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) no fim da tarde de segunda-feira (22) está contornada, ao menos por enquanto. As seis famílias de sem-teto vão ficar algumas noites em um abrigo e serão encaminhadas para receberem uma ajuda em forma de aluguel social.

O acordo foi firmado somente quando o comandante da operação, Coronel Ulisses, gravou um vídeo em nome da chefe da Casa Civil, Márcia Regina de Sousa Pereira, garantido um direito mínimo para as pessoas. Os modestos bens dos acampados foram levados para um depósito da Aleac, localizado na Rua Minas Gerais.

Das seis famílias que estavam no local, cinco são lideradas por mulheres, com uma delas grávida e doente com seis crianças.

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Sem ter para onde ir, desespero tomou conta das famílias /Foto: ContilNet

Por volta das 15h, as viaturas da PM começaram a chegar à praça em frente ao Palácio Rio Branco, sendo inicialmente três picapes e um carro de apoio. Eram 11 policiais, dos quais um era um coronel. No local havia ainda duas motos e dois agentes de trânsito da prefeitura para garantir a retirada das pessoas. Três picapes locadas pelo Estado também aguardavam para levar as pessoas e pertences.

A situação chegou a ficar dramática, pois quando as pessoas começaram a ser retiradas do local onde estavam albergadas e vivendo em condições sub-humanas, mas não lhes diziam para onde seriam levados. A ideia oficial era levar as barracas, colchões, fogões e demais coisas para um depósito do governo localizado na Avenida Antônio da Rocha Viana, mas as pessoas não tinham para onde ir.

A filha de uma das mulheres abrigadas no local, Rafisa Barros, fugiu quando tão logo viu os policiais cercaram o local. A menina, de apenas 13 anos, não tinha aparecido até o começo da noite.

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Candidato a vice-prefeito pela Rede, Gabriel Santos, assumiu como advogado das famílias /Foto: ContilNet

Quando os oficiais de justiça chegaram para dar cumprimento ao mandado, por volta das 17h45, as pessoas começaram a se desesperar. A situação só não foi mais grave por conta da presença do candidato a vice prefeito na chapa da Rede, Gabriel Santos, e do também advogado Bernardo Cardoso, que haviam assumido a defesa dos ocupantes. Posteriormente, a ajuda veio de outro candidato e também advogado, Roberto Duarte, que participou do restante da negociação e até seu término por volta das 20h.

Por outro lado, a assistente social enviada pelo governo do Estado ao local não tinha a menor ideia do que fazer e sequer sabia para onde as família seriam enviadas, nem mesmo como elas sobreviveriam ao terem seus bens e materiais enviados para outro local. Questionada, a assistente refugiou-se sob a guarda dos PMs.

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Cópia da decisão judicial apresentada às famílias /Foto: ContilNet

Mesmo tendo várias crianças envolvidas, não foram vistos os representantes do Conselho Tutelar, dos Direitos Humanos ou mesmo da Secretaria das Mulheres, dado que das seis famílias desalojadas, cinco são chefiadas por mulheres.

Depois de muitas idas e vindas, do carrega e descarrega das três picapes locadas pelo governo do Estado para retirar as famílias, ficou acordado com os ocupantes que eles sairiam da Aleac, mas ocupariam a praça em frente ao Palácio Rio Branco.

Entretanto, houve um problema de entendimento, pois a decisão da juíza da 2ª Vara de Fazenda Pública, Zenair Bueno, era para evitar a ocupação de qualquer local público, podendo a polícia usar a força para cumprir a decisão.

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Famílias fizeram a remoção dos bens por conta própria /Foto: ContilNet

Por volta das 19h, haviam mais de 30 policiais na praça do Palácio, inclusive uma equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para retirar seis crianças, cinco mulheres e um homem da praça. O pequeno grupo de sem-teto havia se refugiado com suas barracas e comida, pois caso tivessem concordado com a remoção teriam seus pertences levados para um lado e eles ficariam no relento, sem terem sequer o alimento para as crianças.

Com o aumento do policiamento, chegou uma mensagem da chefe do Gabinete Civil, concordando em abrigar as pessoas em um alojamento provisório e providenciar um aluguel social a partir do decorrer da semana. Os bens foram levados para um depósito da Aleac e, provisoriamente, a questão está resolvida.

Mas as famílias ainda não possuem um teto, enquanto centenas de casas estão desocupadas na Cidade do Povo e outros conjuntos habitacionais. Da mesmas forma, a CPI da Cohab/Acre ainda não foi instalada para apurar a venda de casas nos projetos do programa “Minha Casa, Minha Vida” do governo federal.

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Após horas de negociação, as famílias continuam sem ganhar uma moradia, mas um aluguel social foi garantido pelo Gabinete Civil do Estado /Foto: ContilNet

Conteúdo Original / Fonte: RÉGIS PAIVA, DA CONTILNET

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