Um pai ou super herói? Para muitos pode ser mais um pai entre tantos outros, mas para os filhos e para quem conhece a sua história, Dhemeson Silva, de 28 anos, é um herói por ter conseguido superar a morte da esposa, Delmira Alves, ainda quando as gêmeas Ana Clara e Ana Júlia, de 2 anos, tinham apenas 6 dias de nascidas.
Delmira tinha 36 anos e desde a infância tinha problemas cardíacos, ainda criança ela se submeteu a uma cirurgia e com o passar do tempo teria que fazer a troca da válvula mitral, que já estava desgastada devido às febres reumáticas, após seis dias do nascimento das gêmeas, ela passou mal e ficou internada na UTI, nesse período teve duas paradas cardíacas e na véspera da cirurgia cardíaca foi a óbito.

O super pai Dhemeson é só amor e carinho com os filhos/Fotos: Alamara Barros/ContilNet
Para Dhemeson, essa foi a pior notícia que ele poderia receber. Desesperado, ele não queria acreditar na morte da esposa e não sabia o que fazer quando se viu praticamente sozinho com as duas filhas recém-nascidas e o filho Paulo Vitor, de oito anos.
“Para mim foi um impacto muito grande a situação que eu fiquei. No momento que eu recebi a ligação do meu irmão dando a notícia de que minha esposa havia falecido, eu não acreditei, larguei tudo e corri para o hospital sem acreditar e ao chegar lá me deparei com a triste realidade. Vendo toda a situação, a primeira coisa que pensei: ‘e agora o que vai ser de mim?’ Não é fácil, primeiro porque eu fui criado sem pai, mas em nenhum momento eu pensei em abandonar meus filhos, eles foram a minha força para prosseguir, ficar sem a mãe já é algo difícil, imagina sem a figura de um pai, eu jamais queria isso para as crianças.”
Durante entrevista com Demerson, eu o questionei como que ele conseguia ser um bom pai para os filhos sendo que ele nunca teve um pai presente, como ele conseguia dar algo às crianças que ele nunca teve de seu pai e a resposta foi muito emocionante:

Dhemeson Silva abraçado com as filhas gêmeas/Foto: Alamara Barros/ContilNet
“Tudo que eu sonhava ter tido do meu pai ou vivido com ele, eu quis ser e dar para os meus filhos, eles são tudo pra mim e sei que o meu cuidado, carinho e dedicação a eles também será de extrema importância para o caráter e futuro de cada um deles. Por isso, eu trabalho no que for preciso. Já fui servente de pedreiro e isso nunca foi vergonha para mim, já fiz muitos bicos e para não deixei faltar nada para meus filhos. Hoje graças a Deus tenho um emprego fixo como cozinheiro e não tem faltado nada para eles.”
Dhemeson chegou a ter que enfrentar até falações aleatórias e mentirosas de vizinhos e conhecidos, como por exemplo, que ele não daria conta da criação dos filhos e que ele estaria entregando as crianças para a adoção.
“Fiquei apavorado, porque vieram uma duas pessoas na porta da minha casa dizendo que estavam interessadas em adotar minhas filhas, pois tinha ficado sabendo que eu estava dando elas. Na mesma hora eu mandei elas saírem pela porta que entraram, porque eu nunca disse que daria nenhum filho meu, porque eu era um homem cheio de saúde e podia trabalhar para criar minhas crianças.”
Dhemeson sempre contou com a ajuda de sua avó, que foi quem lhe criou desde pequeno, e também de parentes. Mesmo tendo que mudar totalmente sua rotina, abrir mão de muitas coisas, se tornar pai e mãe ao mesmo tempo, ele diz não se arrepender ‘nenhum vírgula’ de nada e que ele faria qualquer coisa até o último dia de sua vida para dar o melhor para seus filhos.

As gêmeas Ana Clara e Ana Júlia/Fotos: Alamara Barros/ContilNet
“Procuro dar não somente o sustento e a educação para meus filhos, mas principalmente muito carinho, afeto e amor, porque isso eles teriam mais da mãe, pois a mulher é mais sentimental, mas como eles só têm a mim, eu tenho que suprir essa falta que ela faz. O Paulo Vitor, que é o mais velho, já entende um pouco o que aconteceu, mas as gêmeas não, pois só tinham seis dias de nascidas quando isso aconteceu, então hoje elas me chamam de mãe às vezes, e toda figura feminina também, ainda é tudo muito confuso pra elas.”
Pelas fotos é possível percebermos que Dhemeson é um pai presente, dedicado e carinhoso com os filhos. Sempre que tem uma folga do trabalho ele aproveita o tempo para brincar, passear e ficar mais perto das crianças.
Essa história que a reportagem do site ContilNet acaba de compartilhar com você leitor é para homenagear todos os pais, não só os que criam seus filhos sozinhos, mas também aqueles que mesmo com a presença da mãe são pais presentes e participativos na vida dos filhos.
