Gerações destacam experiências e expectativas no jornalismo acreano

Por Marina, ContilNet 07/04/2018 às 10:22

Celebrado neste sábado (7), o Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa há 87 anos, prestando homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, assassinado por inimigos políticos no ano de 1830.

OBSERVADOR CONSTITUCIONAL

Popularmente conhecido como Líbero Badaró, o italiano Giovanni (1798 – 1830) foi um oposicionista ao imperador D. Pedro I. Ao se mudar para o Brasil em 1826, o médico começou a atuar no campo do jornalismo ao criar o “Observador Constitucional” em 1829.

Jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró. Imagem: Reprodução

Defensor do liberalismo, Badaró criou o veículo de comunicação para divulgar temas políticos que eram censurados ou encobertos pelo monarca, sendo o “Observador” um jornal independente que trazia conteúdo de forte teor político.

Despertando fortes inimizades com as publicações, Badaró foi assassinado em 20 de novembro de 1830, vítima de uma emboscada feita por quatro alemães.

Teor das publicações contribuiu para o assassinato de Líbero Badaró. Imagem: Reprodução

A morte de Badaró alimentou ainda mais a crise que começava a se instaurar no império de D. Pedro I. A revolta de populares e políticos que eram contra a repressão do monarca tornaram sua permanência no poder cada vez mais perigosa, uma vez que atos violentos estavam acontecendo frequentemente.

A atuação jornalística e o falecimento de Badaró foram fatores decisivos na renúncia de D. Pedro em 7 de abril de 1831.

ENCONTRO DE GERAÇÕES

A equipe da ContilNet selecionou três pessoas (duas no mercado de trabalho e um estudante) para destacar a importância da data e enfatizar, através de seus relatos, quais os elementos essenciais para a produção jornalística de qualidade – da sala de aula até a atuação profissional no mercado.

NILDA DANTAS: “CONTATO HUMANO AINDA É A MELHOR FERRAMENTA DO JORNALISMO”

O nome dispensa apresentações. Autodidata, multitalentosa e com mais de 40 anos de carreira, Nilda Dantas, atualmente com 67 anos de idade, é uma referência para diversos jornalistas do estado do Acre. Sua entrada no jornalismo foi no ano de 1967, já como radialista. Atuou como repórter da TV Acre entre 1982 e 1987, entrevistadora da TV Aldeia, e alterna os trabalhos jornalísticos com produções teatrais, que incluíram a primeira montagem dos Saltimbancos em 1979, e espetáculos de peças escritas por Ariano Suassuna (Torturas de um coração) e Nelson Rodrigues (Dorotéia).

AUTODIDATA

“Como naquela época a oferta de universidade e cursos superiores não havia se desenvolvido tanto no Estado, não fiz nenhum curso, não possuo formação acadêmica. Cheguei a participar de cursos de redação voltada para o jornalismo, mas minhas habilidades de entrevista, de buscar a informação, foram na prática. Na Rádio Difusora, comecei a atuar em 1971, tendo parado em 1987 e retomado as atividades na mesma emissora de rádio em 1989.”

CAMPOS PEREIRA

“Outra pessoa que me motivou e me deu oportunidade foi o Pedro Paulo Menezes de Campos Pereira (1936 – 2004). Na TV Acre, fui repórter e âncora quando a emissora ainda pagava apenas um salário mínimo, entre os anos de 1982 e 1987. Ele apostava nos talentos quando os descobria, e isso me abriu uma série de oportunidades. Graças a esse incentivo, pude conquistar títulos como ser a primeira repórter mulher a produzir conteúdo no Estádio José de Melo; e ser a primeira apresentadora do primeiro telejornal da TV União em 1990. Ainda na década de 90, Campos foi ser diretor da Rádio Alvorada, e por ele fui convidada para apresentar o jornal do meio-dia. Sempre tive respeito por ele, pois sempre me deu inúmeras oportunidades.”

MARCANTE

“As matérias quase sempre eram voltadas para as ações dos governos das épocas. Durante meu tempo como repórter da TV Acre, fui cobrir a inauguração da ponte que liga Brasileia e Epitaciolândia. Inicialmente ela foi construída com madeira, e poucos dias depois dessa inauguração, a ponte foi arrastada pela força das águas e um soldado morreu. Isso me marcou muito, pois estávamos lá há pouco tempo, e ninguém imaginaria que aquilo fosse acontecer. Foi uma tragédia.”

O ELEMENTO HUMANO

“Com a internet e a chamada ‘Revolução Digital’, a necessidade de sair das redações e dos locais de trabalho vem diminuindo consideravelmente. Hoje, com apenas um celular e acesso à internet, é possível produzir matérias sobre o Acre, sobre o Brasil, e sobre praticamente qualquer lugar no mundo. Mas o que ainda rende as melhores pautas é o elemento humano. A vivência do profissional, investigar, sair da segurança das quatro paredes e encarar o mundo rende excelentes matérias. A internet, o celular, o computador… Todos estes aparatos devem ser apenas ferramentas secundárias. A mais importante é a percepção do repórter, a vontade de trazer assuntos importantes e que, de alguma forma, possam fazer a diferença na sociedade.”

JARDEL ANGELIM: “É NECESSÁRIO TER FOCO”

Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Política pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Jardel Angelim, de 31 anos de idade, já atua no mercado acreano há sete anos, se destacando pelo profissionalismo nas reportagens da TV Gazeta.

DO ESTÁGIO PARA A CONTRATAÇÃO

“No início do curso, entre 2009 e 2010, cheguei a estagiar em uma assessoria, mas minha primeira experiência foi mesmo com a TV Gazeta. Em 2011, passei por um estágio supervisionado exigido pelo curso da Ufac. Escolhi essa emissora por gostar do estilo de jornalismo que era realizado aqui. Quando acabou o período exigido pelo curso, a TV decidiu me contratar com um estágio remunerado. Fiquei mais oito meses assim e no início de 2012 fui contratado. De lá para cá, passei pela produção, fui repórter esportivo, virei repórter do telejornal Gazeta em Manchete, emplaquei matérias na rede e sou muito feliz com meu ofício. Entre 2013 e 2014 também fui correspondente, no Acre, do portal Terra.”

SEMPRE APURE OS FATOS

“É necessário ter foco. Jornalismo é um campo muito abrangente, por isso é preciso buscar um estágio ainda no período de estudos, identificando qual função deseja seguir e assim ganhar experiência na prática. Uma das vantagens que a tecnologia nos trouxe para o campo profissional é a utilização das mídias sociais. Elas ajudam a divulgar os trabalhos e também a encontrar pautas. Portanto, sua utilização é importante. Contudo, é essencial destacar que o jornalista precisa apurar tudo, avaliar tudo e sempre desconfiar de tudo. Nesse caso, é necessário ir a campo acompanhar os fatos e também analisar o que será publicado.”

KHELVEN CASTRO: “A PRÁTICA É SEMPRE DIFERENTE”

Para o estudante de jornalismo Khelven Castro, de 20 anos de idade, ainda não está decidido qual a área de atuação específica, mas uma coisa é certa: o jovem já identifica durante o curso como a prática diverge da teoria.

DESDE A INFÂNCIA

“Meu interesse pelo jornalismo já existe desde quando eu era criança. Minha mãe assistia jornais, e eu ficava encantado com as reportagens dentro e fora do país. Glória Maria, pela história de carreira, é uma das minhas inspirações no meio. Ainda não tenho uma área dentro do jornalismo que eu me identifique, mas amo fotografia e gostei muito dos trabalhos nas disciplinas de radiojornalismo.”

CONFLITO PROFISSIONAL

“Nós aprendemos uma coisa na universidade, porém na prática, acontecem muitas coisas indevidas. O sensacionalismo é a pior delas. Nós aprendemos que o jornalismo deve trazer a informação de forma clara e concisa, mas nos veículos de comunicação, os acessos e o lucro falam mais alto. Eu sei que devemos seguir as normas da empresa para sobrevivermos, mas fico até triste em pensar que vou passar por esse tipo de situação em algum momento.”

CURIOSIDADE

“Ser jornalista pra mim é ser curioso, ter zelo pela informação que se busca passar. Devemos entender o jornalista como um contribuinte social, sempre tendo em mente que o conteúdo das notícias – independente da visão ideológica de quem escreve – deve estar alinhado com a veracidade e com os fatos.”

Conteúdo Original / Fonte: ASTORIGE CARNEIRO E PÂMELA FREITAS, DA CONTILNET

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