Carinho dos pais beneficia a alma e o cérebro de crianças e adolescentes

Por Wania Pinheiro, ContilNet 09/08/2015 às 22:39
Os pais podem começar dando banho ainda nos primeiros dias ou meses de vida do bebê. Isso ajuda a estreitar os laços entre pai e filho em um momento em que a ligação do bebê com a mãe é muito forte. Foto: Getty Images
Os pais podem começar dando banho ainda nos primeiros dias ou meses de vida do bebê. Isso ajuda a estreitar os laços entre pai e filho em um momento em que a ligação do bebê com a mãe é muito forte. Foto: Getty Images

Os pais podem começar dando banho ainda nos primeiros dias ou meses de vida do bebê. Isso ajuda a estreitar os laços entre pai e filho em um momento em que a ligação do bebê com a mãe é muito forte. Foto: Getty Images

A sociedade vem mudando e muitos homens, hoje, fazem questão absoluta de participar cada vez mais da rotina dos filhos. “O homem tem investido na relação com o filho, tem participado e gostado de fazer isso”, afirma a psicóloga e psicoterapeuta Andreia Calçada, que acredita que os pais estão começando a entender a função e a importância deles na vida das crianças.

Um exemplo de pai que participa da vida das filhas com grande prazer é Alfredo Faria Pessoa Moreira. Padastro da Nathalia, de 15 anos, e pai de Maria Eduarda, de oito anos, ele conta que sempre compartilhou, com a mãe das meninas, tarefas como dar banho, comida ou trocar a fralda e que adora fazer parte da vida delas nos pequenos feitos: “Eu fazia e faço por prazer”, comenta empolgado.

“Tanto o pai quanto a mãe são estruturantes da personalidade da criança. É a partir destas relações que os filhos criam relações de segurança para o desenvolvimento psicológico”, afirma Andreia.

A presença do pai na vida de uma criança, segundo a psicóloga, é importante porque o homem pode ser uma referência de segurança diferente da mulher.

Proximidade

Para Umile Calasso, diretor do Colégio Internacional Ítalo Brasileiro, falta de tempo não pode ser uma desculpa. Ele defende a paternidade qualitativa ao invés de quantitativa: “Eu acho que as oportunidades de participação estão em todo canto. Não precisa ter um momento especial para que o pai demonstre sua presença”.

Se o pai participa ativamente da vida dos filhos, o benefício é dele também já que consegue ver mais de perto o desenvolvimento dos filhos e criar vínculos. “O amor vem da convivência. Se tem mais contato, o afeto que se desenvolve será mais profundo”, explica Umile.

Até para dar bronca a proximidade entre pai e filho é necessária. “Se é próximo, o pai pode dar bronca e depois de um tempo, brincar de novo. Quando a relação não é forte, fica só a punição. O filho pode ter dúvida se o pai realmente gosta dele”, ressalta Andreia.

Experiência especial

Daniel Hirata tem dois filhos ainda pequenos. Clara de quatro anos e Theo de dois. Ele acredita ser importante para o desenvolvimento dos filhos a participação ativa dos pais, mas afirma que esta experiência é especial também para ele. “A criança cresce muito rápido, e se você não participa, não vê as coisas boas, como aprender a andar falar”.

Andreia destaca que a contribuição nas tarefas com os filhos também é importante para a mãe. “Quando o pai é presente e divide as tarefas, tudo fica mais leve”.

Carinho dos pais beneficia a alma e o cérebro de crianças e adolescentes

Sushiman, Daniel trabalha em um restaurante no horário do almoço e do jantar. Ele aproveita o horário alternativo de trabalho para levar e buscar diariamente as crianças na escola.

“Acho importante também para a mãe. Casamento é uma sociedade e tem que estar todo mundo trabalhando junto para uma mesma coisa, principalmente quando tem criança envolvida”, conta o pai.

Vida escolar

“Há muito tempo, foi passada para a mãe a tarefa de cuidar da vida escolar do filho. Isso é muito ruim. Para ser completo, os dois, pai e mãe, têm que participar”, afirma Umile. Além de incentivar o cumprimento das normas escolares, Umile acredita que para exercer uma “paternidade qualitativa” é importante ir a reuniões, eventos culturais e festinhas da escola.

“Um pai mais presente influencia a vida escolar do filho. A participação do homem faz com que o crescimento e desenvolvimento escolar da criança seja muito melhor”, diz Umile, que repara isto com clareza na escola em que trabalha.

Alfredo diz que sempre acompanhou a vida escolar de Nathália e de Maria Eduarda. “Ajudo a fazer lição de casa, pergunto sobre notas, mas não fico olhando muito. Fico aberto para quando elas têm dúvidas”. Ele diz que em relação à escola, sempre foi ele que as crianças procuraram ao invés da mãe.

Daniel conta que sua filha mais velha está começando a ter deveres de casa para fazer. Quando está ajudando a Clara, Theo, de apenas dois anos, também quer participar da lição. Daniel então cria lição de ‘brincadeira’ para o pequeno se sentir inserido na tarefa.

Conteúdo Original / Fonte: iG

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