
Grávida temem o pior ao dar à luz na maternidade de Rio Branco/Foto: Charlton Lopes/ContilNet
Assustadas com as sucessivas mortes de bebês na Maternidade Bárbara Heliodora, mulheres grávidas se uniram em protesto de solidariedade às mães que perderam seus filhos dentro do hospital. As grávidas dizem estar receosas e com medo de passar pelo mesmo problema na unidade de saúde durante seus trabalhos de parto. Mariane Pereira, 23 anos, está grávida de sete meses e conta que não se sente segura com o que tem vivido e acompanhado dentro da maternidade.
“Eu faço acompanhamento na maternidade e eu estou com toxoplasmose e mioma. Devido a isso a médica disse que vai analisar meu caso para saber se vai ser normal ou cesariana. Se for marcada a cesariana eu venho para a maternidade, mas se ela disser que vai ser normal eu já estou me programando para fazer o parto no [Hospital] Santa Juliana porque depois dessas mortes de bebês aqui dentro, por passar da hora de ganhar a criança, eu fiquei com muito medo de perder o meu filho” desabafou Mariane.

Manifestantes protestam em frente à maternidade/Foto: Charlton Lopes/ContilNet
O caso da Rosélia Ferreira é bem mais complexo. Grávida de trigêmeos, ela sofre de trombose e está com dengue. No dia 18 de abril, ao sofrer um acidente de moto, Rosélia começou a sangrar e procurou a maternidade, mas não teve o atendimento esperado.
“Eu falei que estava grávida, solicitei o teste de gravidez e um exame para saber se estava tudo bem com os bebês. O médico disse que eu teria que fazer o teste no posto de saúde, mas era feriado e eu tive que esperar até o outro dia pra fazer o teste e encaminhar à maternidade. Nesse intervalo descobri que estava com dengue e voltei com o teste confirmando a gravidez e doente, quase morri quando me aplicaram dipirona na veia, eu desmaiei e minha pressão baixou. Saí do hospital por conta própria e me curei em casa, e agora com essas mortes acontecendo tenho medo de voltar nesse hospital”, disse Rosélia.

Renê Fontes
De acordo com um dos idealizadores do protesto, Renê Fontes, a morte de dois bebês na última semana foi só a “ponta do iceberg”. Segundo Fontes, o movimento é um ato simbólico, mas que os casos serão levados ao Ministério Público do Estado.
“Tudo isso acontecendo e não vimos manifestação, por exemplo, das secretarias de Saúde, Direitos Humanos e tampouco da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Cadê as feministas desse Estado que precisam brigar pelo direito das mulheres? Com essa omissão, nós decidimos juntar toda documentação necessária e vamos até o MP para que providências urgentes sejam tomadas”, afirma Fontes.

