É necessário reconhecer que o grande mal do século XXI são os transtornos psiquiátricos. Depressão, ansiedade, TOC e outas enfermidades que atingem não só a população acreana, são também um risco para saúde mental do mundo inteiro.
A dificuldade em assumir tal condição e procurar ajuda, fortalece ainda mais o efeito autodestrutivo dos transtornos em cada pessoa, se transformando em um monstro silencioso e destruidor, acabando com as vidas de crianças, jovens, adultos e idosos.

Mentes saudáveis estão cada vez mais raras nos dias de hoje /Foto: Reprodução
Até que um dia, não há mais forças para continuar e o suicídio é visto como válvula de escape. Um gatilho, uma razão, um medo, um simples motivo que seja suficiente para fazer com que a pessoa considere que talvez, seja mais fácil encerrar sua existência nesta terra.
Segundo o vereador Jackson Ramos, em 2017 foram registrados 103 suicídios no Acre, um aumento de 32% relacionado ao ano de 2016 com o primeiro semestre de 2017. No Brasil, conforme dados do Centro de Valorização da Vida (CVV), a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio , ou seja, 32 pessoas por dia.
Efeito Werther
Werther era um personagem de um romance de Goethe — Os sofrimentos do jovem Werther — que acaba se matando com um tiro na cabeça durante a trama. Observou-se que após o lançamento do livro, no século 18, ocorreu uma onda de suicídios de jovens utilizando o mesmo método. Pessoas mimetizando a morte autoinfligida do personagem de Goethe.

Após o risco reconhecido da obra, o livro foi banido em alguns países na tentativa de evitar tal efeito. A teoria é de que quando um caso de suicídio é amplamente divulgado na mídia, exista o risco de que ele se torne um gatilho, e acaba aumento a incidência de mais tragédias, com pessoas utilizando-se do mesmo método noticiado.

No Acre
A alta incidência midiática sobre o caso suicida da família Borges, onde a estudante Bruna Andressa Borges, de 19 anos, teria transmitido seu suicídio ao vivo em uma rede social. Após alguns dias, os pais de Bruna, por não aguentarem a dor de ter perdido a filha, também tiraram a própria vida na garagem de casa. A tragédia parecia não ter fim, quando o namorado de Bruna, que inclusive foi um dos primeiros a encontrar a jovem já sem vida, teria ingerido comprimidos na tentativa de calar a dor e encerrar sua vida.
A alta divulgação na mídia sobre o caso, pode ter sido responsável por engatilhar uma série de tentativas de suicídio no estado, onde pessoas que sofrem com transtornos psiquiátricos, podem ter encontrado a coragem ou impulso que faltava para colocar a própria vida em risco. Fenômeno esse, que reforça a possível tese da existência do efeito Werther em ação no Acre.
A psicóloga Andréia Vilas Boas, que atua na prevenção ao suicídio há cinco anos, explica que é extremamente importante falar sobre o assunto:
“É preciso que as pessoas fiquem atentas para as mudanças de comportamento. Quem já tentou uma vez precisa de acompanhamento psicológico e apoio dos parentes e amigos para evitar a reincidência. A tentativa pode acontecer de várias formas, por isso é difícil identificar e realmente quantificar as tentativas de suicídio.
Andreia Villas Boas, anunciou na manhã de quarta-feira (13) a criação do Centro de Valorização da Vida dentro da unidade.
O centro que funcionará sem fins lucrativos e contará com apoio voluntários de colaboradores prontos a ouvir, dar apoio emocional e prevenir suicídios. Tudo sob o maior sigilo, para dar mais conforto às pessoas que procurarem ajuda.
O CVV poderá ser acionado pelo número de telefone 188 de maneira gratuita. Além do Acre, outros sete estados serão contemplados com a cobertura do atendimento do centro por meio do 188, são eles: Rondônia, Piauí, Amapá, Mato Grosso do Sul, Roraima, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
