Encontros e diferenças: entenda qual o significado da Páscoa para as principais religiões do estado

Por Marina, ContilNet 01/04/2018 às 08:55

A definição do conceito de Páscoa, também concebida como Pessach advém de um período anterior ao cristianismo, citada no Antigo Testamento como “Páscoa judaica”, também conhecida como “Festa da Libertação”, e celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito em 14 de Nissan no ano aproximado de 1440 a.C (para os conservadores) ou 1280 a.C. (para os liberais).

De acordo com a tradição, a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3.500 anos, quando de acordo com a Torá, Deus enviou as Dez pragas do Egito sobre o povo egípcio. Antes da décima praga, o profeta Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogênitos.

Páscoa é hoje uma festa central do Judaísmo e serve como uma conexão entre o povo judeu e sua história. Para os cristãos do ocidente e do mundo contemporâneo, é uma festividade religiosa e um feriado que celebra a ressurreição de Jesus ocorrida três dias depois da sua crucificação no Calvário, conforme o relato do Novo Testamento.

Atualmente, o mercado aproveita a festividade para a venda do milenar Ovo de Chocolate, como forma de presentear amigos e familiares (principalmente as crianças). As matrizes religiosas atuais, especificamente o catolicismo, o protestantismo e o espiritismo, possuem visões que divergem e se encontram, em algum momento, a respeito do período religioso que marca a passagem de Cristo pela terra.

Em entrevista concedida à ContilNet, líderes religiosos das referidas linhas, falaram sobre a significação da páscoa dentro de cada escola espiritual.

No catolicismo: “vitória de Jesus Cristo sobre o pecado”

A festa de páscoa está dentro do calendário litúrgico da igreja católica apostólica romana, sendo considerada uma das mais importantes do ano. De acordo com o padre e pároco da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, Massimo Lombardi, estamos vivendo neste momento, o Ciclo Pascal, que celebra de modo particular, o itinerário da vida de Jesus nos aspectos de sua paixão, morte e ressurreição.

Padre Mássimo Lombardi/Foto: Reprodução

“Comemoramos a vitória de Cristo sobre o pecado, simbolizado na cruz que cristo carregou até a morte. A Páscoa traz para nós uma grande oportunidade de vivermos a nossa história nos passos de Jesus. Além disso, o compromisso da mudança e da conversão para alcançarmos a festa pascal com o coração mais abrandado”, comentou.

Para os católicos, há uma programação a ser seguida neste período, iniciada no Domingo de Ramos (25), se estendendo até o Domingo de Páscoa (1). Neste intervalo litúrgico, a maioria se abstém de comer carnes vermelhas como forma de respeito à “vivência de cristo”.

No protestantismo: “Celebramos o Cristo ressuscitado; Toda semana é santa”

Entre católicos e protestantes, não há diferença no motivo pelo qual se celebra a Páscoa, muito embora, a consideração a respeito da programação, é diferenciada e sua relevância não é compartilhada, principalmente no que concerne às procissões com o “Cristo morto” (caminhada com a imagem de Jesus morto).

Pastor Francisco Albino/Foto: Reprodução

Para o pastor da Igreja Batista Betel de Rio Branco, Francisco Albino, o significado da Páscoa também está voltado para a Ressurreição de Cristo, mas diferente do ritual católico, não se faz celebrações ou procissões com o “cristo morto”, por que se prioriza a vitória sobre a morte. O líder também reforçou que a semana que antecede o domingo de Páscoa, é apenas de reflexão, mas que não segue o mesmo cronograma da igreja romana e não toma como orientação o jejum de carnes vermelhas.

“Respeitamos os ritos católicos, mas não nos orientamos por eles. Toda semana é santa. A diferença é que nessa, refletimos mais fortemente a respeito do trajeto que Cristo trilhou e nos ensinou sobre a persistência na luta contra o pecado”, informou.

No espiritismo: “Todos os dias é dia de ressurgir”

Para o sócio dirigente do Centro Espírita Beneficente União Vegetal, Mestre Antônio Ferreira, o momento também é de recordar a ressurreição de Cristo, tendo em vista que o movimento também faz parte do cristianismo, enquanto filosofia de vida.

Mestre Antônio Ferreira/Foto: Reprodução

“É um dia para reflexão e o resgatamos para lembrar que também podemos ressurgir com Cristo, que entrou para uma dimensão de liberdade. Todos os dias podemos ressuscitar para uma vida melhor.

Também diferente do ritual católico, o líder explicou que não é uma regra o jejum de carnes vermelhas e não há uma programação específica para o dia.

“Embora seja uma data em que devemos estar concentrados no real significado, quando restringimos a alimentação das pessoas, estamos esquecendo de que alguns não conseguem nem carne pra comer. É preciso sensibilizar-se”, concluiu.

Conteúdo Original / Fonte: EVERTON DAMASCENO, DA CONTILNET

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.