Escritora Lucrecia Zappi, autora do livro “Acre”, dá entrevista à mídia espanhola

Por Marina, ContilNet 01/10/2017 às 09:04

O sucesso do livro que fala do Acre ultrapassa os limites do país. Já noticiado pela ContilNet Notícias, o livro fala de amor, crimes, ciúmes e insegurança e a autora, Lucrecia Zappi, foi parar na Espanha para falar do livro.

O site Todo Literatura publicou, esta semana, uma entrevista com a autora. A publicação conta, também, que cidades como Nova York e Guadalajara fazem parte do roteiro da escritora.

Lucrecia Zappi /Foto: Todo Literatura

A ContilNet separou alguns trechos da entrevista para você conferir. Veja:

O narrador do romance é Oscar. Tem sido difícil para você entrar na pele de um homem para anotá-lo?

Para sentir como um homem pensa e como ele reage, seja em silêncio, no olhar, em explosões verbais e no tipo de observação e detalhes que me interessa uma voz mais ou menos masculina. Do mesmo modo, me pergunto o que é que compõe uma voz feminina? Não sei se já tenho a resposta.

Eu acho que, especificamente, no Acre, eu queria escrever uma novela de fronteiras, um western, e meu início inicial foi observar vozes narrativas em clássicos latino-americanos, com uma visão masculina em um mundo rústico de paisagens abandonadas, inatingível, que no final leva a a busca por si mesmo.

Eu queria entrar nesse mundo mítico de vastos territórios e a grande força poética de Ricardo Güiraldes, Juan Rulfo, João Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Raduan Nassar, por exemplo, e desmoroná-lo, para senti-lo.

Acre começou assim, um pouco pela voz, outro pouco pela vasta paisagem fronteiriça que se pensa incerto, também porque um território fronteiriço como o Acre traz o encontro de línguas, portugues e espanhol.

A narração ocorre em dois espaços temporais. No presente e no passado da adolescência dos protagonistas. O que tem sido mais complicado de escrever?

É interessante que você me pergunte sobre dois espaços temporários e não um terceiro, que é precisamente o do Acre. O romance está ambientado nos dias de hoje São Paulo e Santos na década de 80, mas Acre é o buraco negro de trinta anos que separa esses dois momentos. É de onde o estranho vem, e o inimigo do adolescente do narrador. E cabe ao narrador, Oscar, interpretar esse espaço como possível, como se ele estivesse reunindo pedaços de um quebra-cabeça para dar sentido a sua própria vida e seu casamento ameaçado. Eu acho que a administração deste site espectral através de um narrador áspero foi o menos óbvio, porque apenas esse espaço é o núcleo que mantém a história.

Por que você usou esses dois espaços temporários?

Considerando que há três, todos são espaços fronteiriços nesta novela: começa no mar, no porto de Santos, e em linha reta, três mil quilômetros depois, é Acre marcando a fronteira do Brasil com Peru e Bolívia. E São Paulo traz outro tipo de fronteira, uma fronteira social bastante, de uma classe média consumida por seus medos em uma cidade inóspita.

Acho que Santos, que é uma hora e meia de São Paulo, é um local típico dos anos 80, onde esses paulistas foram de férias. Fiquei interessado em destacar o que esta costa representou para as pessoas da minha geração: mesmo que seja uma cidade portuária com o cheiro de diesel, cheio de cargas e excessos, representa um surfista da cultura pop dos anos oitenta. Os primeiros surfistas profissionais brasileiros, campeões internacionais como os irmãos Salazar que retrataram no romance deixaram Santos.

Ao escrever, o seu universo é o Brasil?

Minha origem é o meu ponto de partida, ou meu ponto de fuga. Em um plano mais pessoal, acho que, por ter estado em tantos lugares, preciso ancorar um local de origem. E embora eu tenha nascido na Argentina, parece-me que a linguagem sempre define mais a um que o território, então o Brasil é onde eu aprendi português aos quatro anos de idade.

Você planeja escrever outras novelas com diferentes locais?

Gostaria de colocar uma história em que vivo hoje, em Nova York, e embora meu visual esteja localizado, sempre terá uma trilha estrangeira, a partir do Brasil. E eu gosto desse destino do sotaque. Você nunca escapa do seu local de origem.

A tradução foi feita por mecanismos de tradução e revisada por nossa equipe. Caso você queira ler a entrevista completa, em espanhol, clique aqui.

Conteúdo Original / Fonte: TON LINDOSO, DA CONTILNET

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