Flanelinha diz que prefeitura abandonou categoria após chegada da Zona Azul

Por Marina, ContilNet 27/06/2016 às 23:05

Flanela 1O vice-presidente da Associação dos Lavadores e Guardadores de Carro do Acre, Marcilde Pereira de Souza, falou com a ContilNet sobre a situação em que se encontra boa parte da categoria após cerca de um ano e meio da instalação da Zona Azul e da retirada dos “flanelinhas” das ruas, proposta pela Prefeitura de Rio Branco.

De acordo com Marcilde, na chegada da Zona Azul a Prefeitura intermediou cursos oferecidos pelas instituições de formação técnica e prometeu reaproveitar os associados para trabalhar na própria Zona Azul, assim como em outras empresas.

No entanto, ele afirma que, após a conclusão dos cursos, boa parte dos “flanelinhas” segue sem ter uma oportunidade de emprego e que muitos até estão voltando a trabalhar de forma ilegal nas ruas, correndo o risco de ser presos.

O ex-guardador de carros ainda diz que os cursos que foram colocados à disposição seriam de difícil aceitação no mercado e que, sem uma renda inicial, fica ainda mais complicado ser autônomo nas formações oferecidas. Ele relata que, ao procurar os setores responsáveis pela recolocação dos ‘flanelinhas’ no mercado de trabalho, a resposta que recebeu seria a de que ‘o País está em crise’ e que deveria aguardar um pouco mais.

Com contas a pagar e a falta de oportunidades, Marcilde pediu que medidas sejam tomadas e deixou claro que a categoria não está pedindo esmola, mas sim trabalho. E lamentou o fato de que no começo a parceria entre a categoria e a Prefeitura parecia realmente promissora, mas que a atual realidade é diferente do que imaginava.

“Não deve ter mais do que dez empregados[flanelinhas] lá pela Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur). A gente não pode mais trabalhar na rua, teve flanelinha até preso. Do ponto onde eu fico, ninguém está lotado em nenhuma empresa. No começo, deram uma maquiada, como sempre fazem, deram sacolão, ofereceram cursos para nos preparar, mas na hora de empregar não tem vaga. Enquanto isso, a Zona Azul tá aí a todo o vapor”, reclamou.

Ao entrar em contato com a prefeitura, nos foi repassada a informação de que, apesar da oferta dos cursos de formação, parte da categoria optou por não fazê-los. Foi repassado ainda o contato da Secretaria de Assistência Social para mais informações sobre a questão.

A secretaria por sua vez nos repassou que foi responsável pelo processo de providenciar os cursos de profissionalização, assim como pelas medidas adotadas em prol do assistencialismo social, como a doação de sacolões, e cuidados médicos para as famílias dos flanelinhas, e garantiu que os atendeu  da melhor maneira possível, mas que alguns não demonstraram interesse em fazer os cursos, o que dificulta a inserção desses no mercado de trabalho.

Conteúdo Original / Fonte: THALIS GUTIERRES, DA CONTILNET

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