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Governo boliviano é acusado de proteger empresa aérea envolvida no acidente da Chapecoense

Por Marina, ContilNet Fonte: SABRINA GONDIM, DA CONTILNET 09/12/2017 às 15:25

Controversa desde a criação em 2009, a empresa Línea Aérea Meridena Internacional de Aviação (Lamia), também tem o nome similar ao demônio Lamia, da mitologia grega, um devorador de crianças. Motivo pelo qual em toda a América do Sul, especula-se sobre um pacto satânico do proprietário, o ex parlamentar pela Venezuela, Ricardo Albacete.

A trajetória obscura da Lamia envolve manobras desde a criação da empresa, que foi registrada como companhia de Ciência e Tecnologia para poder levantar dinheiro de um fundo de investimento do governo chinês, criado para estruturar a economia venezuelana. O dono da Lamia contou com o auxílio de Sam Pan, preso na China por corrupção. A ligação do proprietário da empresa com o colombiano Andrés Lafaurie Restrepo, condenado por tráfico internacional é outro fator de suspeita que a empresa seja manipulada por traficantes de drogas.

LaMia é o nome de um demônio de acordo com a mitologia grega /Foto: Blog do pastor Anselmo Melo

Andrés era o responsável pela contratação dos vôos na sucursal boliviana, que foi criada em 2015, depois do governo venezuelano ter colocado a Lamia na categoria de empresa de táxi aéreo, sem permissão para operar longas distâncias.

A empresa também foi proibida de atuar em vôos internacionais. Foi aí que de acordo com a imprensa independente da Bolívia, entrou em cena o ministro boliviano Juan Ramón Quintana, que utilizando-se da sua influência forçou a liberação de uma licença de vôos internacionais para a sucursal boliviana da Lamia.

Na Bolívia, o principal negócio da empresa, passou a ser fretar viagens para times de futebol. Dessa forma, transportou as seleções da Argentina, Venezuela e Bolívia, além de times como o The Strongest da Colômbia e o Olimpya do Paraguai. Mas, foi o acidente de 28 de novembro de 2016, que matou praticamente todo o time da Chapecoense que iria disputar na Colômbia a final do campeonato Sul Americano de futebol, que tornou a pequena empresa de transporte aéreo conhecida no mundo inteiro.

Mesmo com apenas uma aeronave disponível para voo, empresa teria conseguido licenças em tempo recorde /Foto: Reprodução

A Lamia tinha três aeronaves. Duas estavam no conserto. O único avião que estava em uso e que tinha 17 anos, foi contratado por U$ 130 mil para transportar a Chapecoense. O avião caiu em território colombiano, matando 71 pessoas, entre jogadores, técnicos, jornalistas e membros da tripulação. Entre eles dois acreanos. O médico Márcio Kouri, sobrinho do ex deputado José Bestene (PP) e o piloto do avião, Miguel Quiroga, residente de Epitaciolândia. Quiroga era casado com a filha do ex senador boliviano Roger Pinto Molina, opositor ao governo Evo Morales.

Molina, amigo do senador Sérgio Petecão (PSD), foi protagonista de um incidente diplomático que culminou com a fuga dele Brasil. O ex senador boliviano morreu meses após do genro. coincidentemente por consequências de sequelas deixadas por um acidente de avião.

Na Bolívia, a empresa Lamia integrava um ambicioso projeto do ministro Juan Ramón Quintana que incluía o fornecimento de helicópteros para as empresas extrativistas do país (YPBF e COMIBOL).

O governo boliviano suspendeu a permissão da Lamia por causa do acidente, mas encerrou rapidamente as investigações atribuindo a culpa ao piloto e a falta de combustível. A rapidez em determinar culpas levou a imprensa boliviana independente a intensificar investigações para descobrir como uma empresa falida que só possuía três aviões e apenas um em condições de voar, que já havia sido impedida de operar em longas distâncias na Venezuela, conseguiu licença em tempo recorde para operar.

Eles querem esclarecer o motivo do governo boliviano ter permitido essa roleta russa de liberar uma empresa que não cumpria os requisitos mínimos para atuar. E principalmente, pretendem expor ao mundo o motivo de não ter havido nenhuma punição. O proprietário da Lamia, está residindo na Espanha e até hoje o pior acidente da história do futebol mundial não foi devidamente esclarecido. Aos 6 sobreviventes e familiares dos mortos, só restou a dor e a lembrança dos que se foram. Mas, as investigações paralelas continuam, na esperança de um dia poder contar a história real desse acidente e suas implicações políticas.

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