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Jornalismo em duas rodas: Leandro Altheman aos quatro ventos, entre Cáceres e Cuiabá

Por Suporte Fonte: Por Leandro Altheman 11/06/2015 às 14:03

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leandroatlAmanheceu um belo dia em Cáceres. Tomei café da manhã sem pressa alguma, pois sabia que a viagem seria bastante curta. Apenas 234 km me separavam de Cuiabá pouco mais de duas horas de viagem. Resolvi aproveitar o sol e dispensei o uso da jaqueta, amarrando-a junto à bagagem. A viagem foi realmente um passeio tranquilo e ensolarado até Cuiabá.

Na entrada da cidade, um portal chamou a atenção: “Cuiabá: Capital do Agronegócio e do Pantanal”. Fiquei imaginando o quanto deve ser difícil conciliar estes dois títulos, quando o agronegócio é apontado por especialistas como a principal ameaça aos biomas brasileiros do Cerrado, Pantanal e Amazônia.
 
Em Cuiabá, pausa para uma foto no marco do Centro Geodésico da América do Sul, que fica ao lado da Câmara Municipal. Mas meu destino não era Cuiabá. Meu objetivo era subir até a Chapada dos Guimarães e descansar por um ou dois dias antes de seguir viagem.

entradacuiaba

A subida foi realmente encantadora, serpenteando minha motocicleta por entre os paredões vermelhos de rochas sedimentares. Esculpidas pelas mãos de um artista invisível, elas ganham forma e dimensões surpreendentes.

Talvez justamente pelo encantamento da paisagem, uma estrada aparentemente tranquila, ganha contornos perigosos. Foi nesta estrada que vi o primeiro acidente ao longo da viagem. Nada grave. Um automóvel chocou-se contra a traseira do caminhão. Provavelmente o condutor se distraiu. Perigos que uma estrada com um trânsito “doméstico” por vezes esconde.

Este foi também o trecho de estrada em que cruzei com o maior número de motociclistas. Muitas BMW de altas cilindradas, algumas XT 660 e é claro, as clássicas Harley-Davidson, além de modelos Custom de outras marcas. A minha XTZ 250 era a mais modesta ali.
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Muito melhor do que ver o espetáculo de diferentes motocicletas desfilando entre os paredões da Chapada dos Guimarães, era ver que muitas delas eram conduzidas por velhos motociclistas. Testemunhar cabelos brancos por debaixo dos capacetes resultou em um sentimento de que minha existência sobre duas rodas poderia ser mais longa que uma juventude que já se despedia em meus próprios cabelos grisalhos.  

A Chapada dos Guimarães é um dos maiores destinos turísticos do país. Também pudera: em um local onde a paisagem é maravilhosa e não faltam magníficas cachoeiras e mirantes, há roteiros para todos os gostos. Imaginei que descansar minha cabeça entre aquelas pedras vermelhas ajudaria a recobrar o sentido de presença para que pudesse cobrir a distância restante da viagem.

chapada

De toda parte chegam os turistas, sejam eles mochileiros, motociclistas, hypsters, ou mesmo empresários em busca de sossego. Há pousadas destinadas também ao público evangélico.

Um dos atrativos da Chapada dos Guimarães seria também ufólogos e aficcionados de discos voadores e afins por acreditarem que ali seja um dos locais preferidos para a aparição de OVNIS.

Em uma parada na beira da estrada parei em um pequeno comércio que vendia sobretudo artesanato, souvenirs e produtos orgânicos, sendo o principal deles, mel de abelhas, produzido por apiário próprio. Mas o que me chamou a atenção foi a estátua de um pequeno e simpático ET.

Sem acreditar e tampouco duvidar, sempre preferi permanecer no mistério sobre a existência física ou não desses seres. Mas de uma coisa posso ter certeza: existindo fisicamente ou não, estes serzinhos têm influenciado enormemente a cultura de nossa era.

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Talvez na mesma medida em que seres supostamente sobrenaturais como duendes, sacis e anjos também influenciaram a humanidade em outros tempos. Alguém já me disse também que os ETS são os mesmos sacis, duendes e anjos vestindo as roupas de nossa era.

Seja como for, mesmo que não exista, um alienígena de uma galáxia distante cruzando o espaço tempo e chegando a terras distantes talvez tenha mais em comum comigo do que um vizinho que nunca tenha saído do bairro em que nasci.

Já na parte alta da chapada, um clima serrano surpreendeu quem há menos de uma hora estava sob o calor de Cuiabá.

Busquei uma hospedagem fora da cidade, e encontrei um simpático chalé que além de me proporcionar o necessário descanso também traria privacidade.

Não era propriamente um cansaço. Havia em mim uma certa “vertigem”, causada não pela altura, mas pela distância já percorrida e que ainda faltava percorrer.

Mais do que apenas descansar, desejava fazer algo como uma meditação ou prece que me trouxesse o equilíbrio psíquico necessário para seguir adiante.

Ouvi falar de um local conhecido como “Morro dos Quatro Ventos” e achei que aquele seria o ponto perfeito.

Visitei o mirante e busquei um local mais reservado, onde pude meditar sobre a minha viagem, o quanto já havia caminhado e quanto ainda me faltava. Foi quando, talvez sussurrado pelo vento, ouvi esta breve poesia:

“Do Noroeste ao Centro
Elevo uma prece
Aos Senhores dos Ventos
Quem com mãos de artistas
Esculpem nas Rochas
Os seus monumentos”

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